O traçado da Linha de Alta Velocidade vai atravessar o concelho de norte a sul e continua a ser motivo de debate. A autarquia aponta alterações conseguidas no projeto, mas mantém incertezas sobre o número final de casas e terrenos afetados.
Foto: SIG – Câmara Municipal de Albergaria/meramente ilustrativa
As últimas sessões da Assembleia de Freguesia da Branca e da Assembleia Municipal serviram para pedir uma síntese ao executivo, em contexto de debate e escrutínio, na sequência da sessão de esclarecimento aberta à comunidade, organizada pela autarquia com representantes do consórcio AVAN, a propósito dos impactos da Linha de Alta Velocidade no concelho.
Como foi deixado claro na referida sessão, que decorreu no passado dia 18 de junho, no Cineteatro Alba, o traçado irá atravessar o concelho de norte a sul, afetando as freguesias da Branca, Albergaria-a-Velha e Valmaior e São João de Loure e Frossos, com a construção de viadutos, trincheiras e passagens superiores, com impactos ao nível de acessibilidades, terrenos agrícolas e florestais, habitações e atividades económicas.
Na última Assembleia Municipal, a 24 de junho, Arménio Silva, eleito pelo CDS-PP, partido do executivo, questionou o edil sobre “o estado em que estava e como está agora” o processo da LAV.
Carlos Coelho, presidente da Câmara Municipal, afirmou acompanhar o processo de perto desde o início, quando era ainda presidente da Junta de Freguesia da Branca, referindo que essa experiência tem sido útil na negociação da melhor solução possível para o concelho, dentro dos impactos inevitáveis.
O presidente da Câmara acrescentou que o projeto inicial da LAV foi prematuramente apresentado às localidades afetadas, tendo os próprios técnicos indicado que era ainda uma versão com “muitas incongruências”. Carlos Coelho criticou essa apresentação, considerando o impacto direto da empreitada na vida das populações, defendendo que teria sido preferível não apresentar o projeto nos moldes em que se encontrava.
Principais pontos críticos identificados na sessão com o consórcio
- Rua das Flores – Castelo – São João de Loure
- Rua do Ribeiro – São João de Loure
- Viaduto sobre a A1 – São Marcos – Albergaria-a-Velha
- Rua do Carruço – São Marcos – Albergaria-a-Velha
- Sobreiro-Variante, EN16 e acesso à A25
- Zona Industrial – Albergaria-a-Velha
- Soutelo Sul – Branca
- Soutelo-EN1-12 – Branca
- Soutelo-Rua da Cavada
Alterações negociadas
São João de Loure e Frossos
- Paredes e malhas antirruído para habitações afetadas
- Plantação de árvores para redução do impacto sonoro e visual
- Malhas antivibráticas para zonas de ferrovia
- Acesso garantido a viaturas e terrenos agrícolas e florestais
- “Ninguém vai perder o acesso aos seus terrenos”, afirmou Carlos Coelho
São Marcos
- Acesso lateral assegurado na Rua do Carroso, junto à capela
- Malhas antivibráticas para zonas de ferrovia
- Paredes e malhas antirruído para habitações afetadas
- Plantação de árvores para menor impacto sonoro e visual
Branca
- Afetação significativa da zona de Soutelo, na envolvente da EN1-12
- Alteração do traçado ao longo dos anos, com redução de impacto em habitações
- Solução final prevê ponte paralela à EN1-12, com altura semelhante à via
- Duas habitações poupadas face à proposta anterior
- Indemnizações atribuídas a cidadãos não incluídos na lista inicial de expropriações
- Duas habitações terão de ser demolidas, situação prevista desde o traçado inicial, segundo a presidente da Junta de Freguesia da Branca
Incertezas e preocupações
Apesar das conquistas, Carlos Coelho não negou o impacto negativo da LAV no concelho, sem grandes vantagens diretas, sendo a estação localizada em Aveiro. “Estou profundamente solidário com toda a população do nosso concelho que vai ser afetada”, afirmou. “Conseguimos algumas vitórias mas não é a solução perfeita”, acrescentou o edil.
Fica por resolver o impacto no acesso à A25 e A1, no ramo de ligação com a Zona Industrial. A autarquia propôs um novo acesso direto da A25 à Zona Industrial, sentido Viseu–Albergaria, estando em conversações com o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz.
No caso da freguesia da Branca, a linha deverá passar a 4 ou 5 metros de profundidade, acima da EN1-12, sendo necessária a construção de uma ponte para passagem de veículos. Sobre o número de casas e terrenos afetados, Carlos Coelho referiu que “nem os técnicos sabem responder”, sublinhando que o traçado ainda não está fechado.
Foi ainda garantido que o gabinete municipal de apoio à Saúde Mental estará disponível para a população afetada. A própria consórcio, AVAN, tem disponível um contacto para esclarecimentos e/ou pedidos de apoio psicológico – 800 912 625.

















