É a primeira vez desde 1912 e a última até 2144. O eclipse solar será visível de Portugal no dia 12 de agosto, já esta quarta-feira, a partir das 18h30. As ópticas do concelho já não têm óculos para o eclipse, mas pode observar o fenómeno em comunidade, num evento organizado pelo Centro de Ciência Viva de Aveiro.
Foto: DR
No dia 12 de agosto de 2026 vai ser possível observar um eclipse total do Sol em Portugal. O fenómeno natural raro ocorre quando a Lua se interpõe entre a Terra e o Sol, projetando uma sombra na superfície terrestre que transforma o dia em noite.
O eclipse será quase total na maioria do território continental, variando entre 92% e 99% de ocultação do Sol, e realmente total (100%) no Parque Natural de Montesinho, no nordeste transmontano.
O fenómeno desta quarta-feira durará aproximadamente duas horas, com início previsto para as 18h33 e fim às 20h23. A máxima ocultação do Sol terá uma duração de menos de meio minuto e ocorrerá às 19h30.
Esta é a primeira vez desde 1912 que Portugal assiste a um eclipse do Sol. O próximo será apenas em 2144. Por isso, o entusiasmo é muito, mas, antes de mais nada, é crucial não esquecer as regras básicas de segurança:
- Nunca olhar diretamente para o Sol a ‘olho nu’, sem proteção – alguns segundos, dada a intensa radiação solar, podem causar danos permanentes na retina, a parte do olho diretamente responsável pela visão
- Nunca olhar diretamente para o Sol através de dispositivos sem filtro específico
- Nunca olhar diretamente para o Sol através da câmara de um smartphone, visor ótico de câmara, telescópio ou binóculos sem filtros solares especializados
- Nunca utilizar radiografias, vidros negros, lentes ou outros materiais/objetos como filtros solares – estes não são suficientes para evitar danos na retina durante o eclipse solar, pois são incapazes de filtrar toda a radiação nociva para os olhos
O estado do tempo vai permitir uma boa visibilidade, segundo a previsão avançada neste domingo pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que prevê que “o céu deverá apresentar-se pouco nublado ou limpo na generalidade do território do continente”.
Ainda há óculos?
Assim, para uma observação segura, deve servir-se de óculos certificados para o eclipse solar, uma das formas seguras de observar diretamente um eclipse solar. Para saber se o equipamento cumpre os critérios de qualidade necessários, esteja atento à:
- Norma internacional ISO 12312-2
- Marcação CE
A campanha de parceria entre a Ciência Viva e a óptica Clube da Visão permitiu reservar óculos certificados sem qualquer custo através do site clubedavisão.pt e levantá-los numa das mais de 600 ópticas aderentes espalhadas pelo país. As três levas de stock esgotaram.
O Jornal de Albergaria entrou em contacto com as ópticas do concelho, e o equipamento encontra-se esgotado em todas. O Centro de Ciência Viva de Aveiro, segundo informação divulgada no website e nas redes sociais, organiza um encontro com a comunidade para ver o fenómeno, na Rua da Pega, em Aveiro, entre as 18h30 e as 20h30, onde serão disponibilizados óculos para o efeito.
Crianças e trabalhadores
As entidades de saúde, nomeadamente a Direção-Geral da Saúde (DGS), reforçam que óculos de sol padrão, polarizados ou escuros não oferecem a necessária proteção contra a radiação solar do eclipse.
A DGS, no guia que criou para a população em geral, deixa ainda o alerta de que os bebés e as crianças não devem observar diretamente o eclipse – tal como toda a população – e, se o fizerem com o equipamento adequado, são necessários cuidados redobrados e o acompanhamento permanente de um adulto para garantir que:
- A criança não retira os óculos de forma inesperada
- Os óculos estão corretamente colocados
- Os óculos não são levantados para “espreitar”
- A criança compreende o perigo de olhar diretamente para o Sol
Sempre que possível, privilegie formas indiretas e seguras de observar o eclipse, como transmissões em direto ou projeções da imagem do Sol.
A DGS organizou igualmente um guia destinado a empregadores e trabalhadores. A entidade indica que os empregadores, nomeadamente através dos respetivos Serviços de Segurança e Saúde do Trabalho/Serviços de Saúde Ocupacional (SST/SO), deverão informar os trabalhadores sobre o eclipse solar, os seus potenciais efeitos na saúde e as medidas preventivas.
As potenciais consequências associadas ao eclipse no período de expediente prendem-se com acidentes de trabalho potenciados pela distração num momento de observação do eclipse solar; alterações passageiras da visão, por exemplo, durante a condução; comportamentos de risco para alcançar localizações de melhor visualização; possíveis acidentes rodoviários na deslocação trabalho-casa; e dificuldades de acesso a sistemas, dados e telecomunicações por sobrecarga humana.
Olhei diretamente para o Sol, e agora?
Instintivamente, o ser humano não olha diretamente para o Sol devido ao extremo desconforto ocular que causa.
No entanto, durante um eclipse, com a redução da intensidade da luz solar pela ocultação parcial pela Lua, torna-se suportável olhar para o Sol durante o tempo suficiente para causar danos na retina, o que é, por sua vez, estimulado pela curiosidade.
Se for esse o caso, esteja atento aos sinais de alerta:
- Visão distorcida ou turva
- Visão com manchas/pontos negros
- Alteração da perceção das cores
- Dor ocular intensa
- Diminuição ou perda súbita da visão
Se durante ou após o eclipse solar manifestar um destes sintomas, deve ligar imediatamente para o SNS 24 – 808 24 24 24.
Outras fontes consultadas: Jornal Público, SIC Notícias, Infografia (abaixo): DGS.




















