A contestação popular contra o alargamento de um negócio de venda de botijas de gás em São Marcos marcou a mais recente reunião da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, onde também foi discutido o apagão de 28 de abril, que deixou o concelho sem luz e obrigou a autarquia a ativar medidas de emergência.
Após o feriado maio começou com mais uma reunião de Câmara, realizada nos Paços do Concelho de Albergaria-a-Velha, que voltou a dar voz à contestação popular contra o alargamento de um negócio de venda de botijas de gás em São Marcos, uma localidade que ainda recupera dos impactos dos incêndios de setembro do ano passado. No período destinado à intervenção do público, António Vidal assumiu a voz dos 23 moradores da Rua Além da Horta, que subscreveram o abaixo-assinado contra a empreitada, sublinhando que o projeto está a instalar “6 mil garrafas de gás mesmo no centro da povoação”.
“Pelo que sei, a obra estava e continua irregular. Está-se a permitir destruir um lugar que era pacífico”, denunciou o munícipe, que procurava respostas sobre o estado do processo e apelou à intervenção da autarquia. Segundo António Vidal, cada casa da rua está representada no protesto, o que equivale a cerca de 50 residentes, que tomaram conhecimento do alargamento da loja em abril de 2024.
O presidente da Câmara, António Loureiro, garantiu que a situação está a ser tratada para ser regularizada e prometeu reunir com o grupo de moradores para discutir o assunto com mais detalhe. O caso já tinha sido levantado na primeira reunião do ano, a 2 de janeiro, após os incêndios de setembro terem motivado a formalização do protesto.
Em resposta às críticas, Pedro Marques, responsável pelo negócio em causa, declarou ao Jornal de Albergaria que o espaço comercial funciona desde 2022 e cumpre todas as normas previstas no Plano Diretor Municipal (PDM), bem como as exigências do Acordo Europeu Relativo ao Transporte Internacional de Mercadorias Perigosas por Estrada (ADR). “As regras que seguimos são muito mais rigorosas”, assegurou o empresário, sublinhando que todas as medidas de segurança estão em conformidade com a legislação.
Leia aqui o artigo na íntegra sobre o abaixo-assinado discutido na primeira reunião camararia do ano
Apagão
Outro tema que gerou preocupação durante o período prévio à ordem do dia foi o apagão de 28 de abril, que afetou o concelho e o país. O vereador Nuno Ribeiro, em substituição dos eleitos do PSD, levantou a questão, questionando como atuou o município perante a falha energética.
António Loureiro explicou que a Câmara “respondeu a todas as solicitações”, em articulação com a Proteção Civil e os Bombeiros Voluntários. “Por exemplo, houve um depósito de água que podia criar roturas no abastecimento de água e nós atestámos um depósito. Fomos buscar geradores para a AdRA para minimizar a falha de água. Não só respondemos a quem nos pediu apoio como fomos proativos”, afirmou o autarca.
Catarina Mendes, vice-presidente, reforçou as palavras do edil, sublinhando que a autarquia visitou escolas e IPSS para garantir que os serviços essenciais, como as refeições escolares, estavam assegurados. “Somos dos únicos municípios que adquiriram rádios SIRESP – Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal – e estivemos em contacto com as entidades oficiais. A experiência dos incêndios levou-nos a estar mais preparados”, concluiu António Loureiro.
Ordem do Dia
Após o período reservado ao público, a reunião prosseguiu com vários pontos focados na aquisição e cedência de terrenos para benefício comunitário. Um dos projetos em destaque foi a aquisição de um terreno na zona do Reguinho, na freguesia de Albergaria-a-Velha e Valmaior, destinado ao ordenamento do território e integrado no avanço das obras para o futuro Parque Verde da cidade – “estamos a comprar mais terrenos para além do projeto. O município entrou num processo de avanço da obra para a realização do parque verde da cidade”, acrescentou.
Foi ainda aprovada a cedência, por 50 anos, de um prédio urbano na Zona Industrial – localizado em frente ao atual quartel – à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha. A intenção é permitir a ampliação das instalações e criar uma base logística de apoio.
O município anunciou também a aquisição de armazéns em Cavadas, no lugar da Assilhó, que vão passar a acolher associações culturais como o Rancho Folclórico Malmequeres de Campinho e os Unidos de Vila Régia, atualmente com sede na Incubadora Empresas, a qual será libertada para acolher novas empresas.
No plano de apoio à cultura, “divisão de desenvolvimento económico”, foi deliberado o financiamento de 72 mil euros para as obras de requalificação da sede da Banda Recreativa União Pinheirense. O apoio será feito em duas fases: um adiantamento de 50 mil euros e, após apresentação das faturas, os 22 mil euros restantes. A obra da associação musical ultrapassa os 300 mil euros. Também o Grupo de Teatro A Bateira solicitou apoio para obras de requalificação, tendo pedido um montante de 16 mil euros.

















