A Investigação concluiu que a jovem tirou a própria vida. Está ainda aberto um inquérito sobre suspeitas de dano e ameaça e outro perante acusações de discriminação e incitação à violência numa publicação de Facebook – em ambos, a vítima é a mãe de Maria Luemba.
O Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Aveiro decidiu arquivar a investigação à morte de Maria Luemba, a jovem angolana de 17 anos encontrada sem vida em Sever do Vouga, em casa, no dia 12 de junho de 2025. A Investigação conclui que a jovem tirou a própria vida.
Às 17h20 do dia 12 de junho de 2025, o irmão de seis anos encontrou a jovem e pediu ajuda a uma mulher que, por seu lugar, solicitou auxílio a um homem. Os três entraram na casa onde “encontraram a menina sentada junto à janela do quarto, de costas voltadas para a parede, verificando que tinha uma corda a enrolar no pescoço”. Na altura, a família indicou que a jovem tinha um golpe no pescoço, mas segundo a autópsia, os ferimentos encontrados foram uma lesão traumática causada pela corda.
O Jornal de Albergaria apurou, na altura, junto de fonte oficial das autoridades, que a informação amplamente divulgada nas redes sociais sobre Maria Luemba ter sido encontrada com as mãos atadas é “completamente falsa”. A mesma fonte assegurou que não subsistiam dúvidas de que se tratou de um suicídio, acrescentando que as imagens de videovigilância demonstram não ter entrado ninguém na residência após a chegada da jovem. O despachado de arquivamento, citado pelo Observador, afirma que não entrou ninguém em casa depois de Maria Luemba e não inclui qualquer referência às mãos atadas.
Segundo a decisão, não foi “possível obter indícios suficientes da prática de crime”. Contudo, o caso deu origem a dois outros inquéritos que têm como vítima a mãe de Maria Luemba. Um deles por dano e ameaça e outro por discriminação e incitação à violência, no qual podem estar em causa crimes de difamação e injúria, relativamente a uma publicação que visava a mãe de Maria Luemba em publicação no Facebook.
Vizinho suspeito ouvido em Inquérito
Apesar de o relatório da autópsia médico-legal e o da PJ apontarem para Maria Luemba ter tirado a própria vida, ainda há cerca de um mês a avó, Beatriz Ribeiro, descartou essa hipótese em entrevista à SIC.
Segundo a avó, a morte ocorreu num contexto de perseguição à mãe da jovem por parte de um vizinho, que incluíram ameaças de morte e insultos de natureza racista. O homem foi interrogado no âmbito do inquérito, segundo apurou o Observador. Além dele, foram ouvidos bombeiros, familiares e uma professora da escola de Maria Luemba, entre outros.
O Ministério Público analisou a ficha do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), elementos clínicos, informações escolares de Maria Luemba e a verificação dos telemóveis da jovem, concluindo que não foi retirada “qualquer matéria relevante”.
A Polícia Judiciária também concluiu por uma morte sem intervenção de terceiros. “Tal como resulta dos autos, não foram indicadas suspeitas da prática de crime (homicídio, roubo ou outro…)”, conclui a procuradora Vera Quadros Santos.
Advogados ponderam resposta
Os advogados da mãe de Maria Luemba afirmam estar a ponderar resposta ao arquivamento quando tiverem acesso aos autos. Por enquanto, aguardam resposta do Ministério Público a esse pedido.
“O acesso a elementos do processo foi requerido ainda no decurso da investigação em, pelo menos, quatro ocasiões distintas, entre julho e novembro de 2025. Contudo, até ao arquivamento, o Ministério Público nunca proferiu qualquer decisão”, afirmam, citados pelo Observador.
Afinal, “o acesso a todos os elementos de prova que serviram de base ao despacho de arquivamento, para além de compreensivelmente pretendido e merecido pela família, é indispensável para ponderar a adequação de uma eventual reação processual, cujos prazos se encontram já em curso”, frisam os advogados.
















