A reflexão sobre os impactos da tecnologia na formação dos jovens marcou a tarde desta quinta-feira. Os professores de Filosofia da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha promoveram a palestra “Filosofia e as Redes Sociais”. Integrada nas comemorações do Dia Internacional da Filosofia, a iniciativa reuniu especialistas nacionais em ética e bioética para alertar os alunos do 10.º e 11.º para os desafios, riscos e dilemas do mundo digital.
A propósito do Dia Internacional da Filosofia, celebrado a 20 de novembro, os professores de Filosofia da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha promoveram esta quarta-feira, 27 de novembro, a palestra “Filosofia e as Redes Sociais”, dirigida aos alunos do 10.º e 11.º anos, bem como a duas turmas do ensino profissional. A sessão decorreu no Cineteatro Alba e reuniu dois especialistas de relevo nacional nas áreas da ética, bioética e filosofia aplicada.
“A ideia partiu do Grupo de Filosofia, porque se impõem cada vez mais sobre as questões ligadas à Inteligência Artificial, nomeadamente às redes sociais, e ao perigo que estas trazem para a educação”, explicou a professora Anabela Mónica, docente da disciplina no estabelecimento escolar albergariense.
“Atualmente as crianças começam muito cedo a ter contacto com o mundo digital, e muitas vezes de forma perigosa. Nos adolescentes, com quem trabalhamos diariamente, surgem situações mais graves, como casos de bullying nas redes sociais, exposição… e isso preocupava-nos”, acrescentou Anabela Mónica.
Pensar, questionar e interagir
A docente não deixou de mencionar que, mais do que uma palestra tradicional, a tarde foi pensada como um momento de diálogo e pensamento. “Esta atividade trata-se de uma palestra, mas é mais um colóquio, em que os alunos também vão interagir, colocar questões e dialogar com os oradores”, disse. A docente sublinhou que trabalhar a atenção e o sentido crítico é essencial: “A atenção não é só estar calado e quieto; é estar desperto. Os olhos também pensam. Muitas vezes vemos nos olhares dos alunos perguntas que não conseguimos responder logo na hora. Hoje quisemos que eles fossem capazes de colocar essas questões.”
A sessão contou com a presença do professor Eugénio Oliveira, diretor da Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática, reconhecido dinamizador da filosofia aplicada no país e responsável por ações de certificação para professores amplamente divulgadas a nível nacional.
O segundo convidado, o professor doutor Carlos Costa Gomes, é investigador da Universidade Católica Portuguesa e presidente do Instituto Português de Bioética, cuja intervenção abordou, entre outros temas, os dilemas éticos do digital e da Inteligência Artificial com a Alegoria da Caverna de Platão como foco.
“A ética também pertence ao aspeto digital”, lembrou a professora de Filosofia. “Quando publicamos algo, fica lá sempre. Uma simples fotografia ou comentário que hoje nos parece inofensivo pode tornar-se problemático amanhã.”
Atividade de relevância nacional
A iniciativa integra-se nas comemorações do Dia Mundial da Filosofia e encontra-se protocolada com a Direção-Geral da Educação e com a Comissão Nacional da UNESCO, o que lhe confere “um relevo adicional a nível nacional”, destacou a organização.
“Era importante que os alunos se sentassem, ouvissem e se deixassem deliciar pela reflexão. Espero sinceramente que tenham saído daqui com novas perguntas — e algumas respostas”, terminou.

























