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Caderneta de Cromos #5 | Não houve surpresa, houve sofrimento

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O último dia da primeira jornada da fase de grupos chegou ao fim. Assim, num piscar de olhos, o primeiro jogo de todas as equipas já foi e, para algumas, é tempo de ir fazendo umas contas à vida. Hoje não houve surpresas, mas houve o bom velho sofrimento português e um Brasil que tem muitas balas, ainda que só duas tenham acertado no alvo.

Sai um chocolate suíço para a mesa sete

O Suíça x Camarões foi o aperitivo deste último dia da primeira ronda da fase de grupos. Num jogo que foi mais pragmático do que um espetáculo para quem o viu, a formação helvética levou a melhor sobre os Camarões, que bem têm de culpar a sua falta de eficácia e as defesas de Yan Sommer.

Embolo foi a figura do encontro. Marcou o golo que deu a vitória à Suíça, ao receber um cruzamento de Shaqiri e não festejou, ao ter marcado à seleção do país que o viu nascer. A Suíça que vai marcar um encontro que promete ser escaldante com o Brasil, na próxima jornada. Já esta seleção dos Camarões, apesar da derrota podem muito bem lutar pelos três pontos contra a Sérvia, a outra equipa do grupo.

Erros estão caros

De futebol este jogo teve pouco. Mais pareceu uma prova de atletismo das olimpíadas entre uruguaios e sul coreanos. Correram que se fartaram, mas remates e golos, esses ficam para quem quer jogar futebol.

Os comandados de Paulo Bento até entraram melhor, com investidas rápidas pelas alas. Os uruguaios demoraram, mas conseguiram equilibrar. Depois disso, o jogo foi muito pragmático, no sentido em que nenhuma quis arriscar muito, porque o erro no Qatar está caro, fruto da inflação. A Argentina e a Alemanha que o digam.

A sina lusa

Fernando Pessoa dizia que Portugal tinha um triste fado de sofrimento, por maior que fosse. Fernando Pessoa disse isso depois de ver alguns jogos da seleção nacional. Nunca uma expressão foi tão literal quando se trata de falar da equipa das quinas.

Portugal entrou em cena contra o Gana, e entrava confiante, um onze com várias peças de invejar muitas outras seleções. Durante cerca de 20 minutos viu-se bom futebol, Portugal a assumir as rédeas do encontro, a ir para a frente, a fazer combinações. Cristiano teve o golo no pé e na cabeça, mas o guarda-redes e a pontaria faziam com que o marcador assinalasse 0-0 ao intervalo.

A segunda parte foi mais do mesmo, controlo e domínio português, mas sem ser avassalador nem a incomodar muito a defensiva ganesa. Um penalti veio mudar todo o jogo. Cristiano marcou, tornando-se no primeiro jogador a marcar em cinco mundiais. Pouco depois chegou o empate surpreendente do Gana, depois de uma falha da defesa portuguesa. Resultado ingrato, face ao que tinha sido o jogo até então. Entrou Rafael Leão aos 77’ e um minuto depois, Bruno Fernandes com um passe extraordinário dava novamente a vantagem a Portugal, com golo de João Félix. Ainda se festejava o 2-1 e Bruno Fernandes lançava Rafael Leão para o 3-1.

Estava resolvido o jogo. Ou será que estava? Aos 89’, num erro tremendo de leitura do lance por parte de João Cancelo, e o Gana chegava, sem ler nem escrever, ao 3-2, ficando a um golo de empatar.

Golo esse que não aconteceu por muito pouco. No último lance de jogo, Diogo Costa soltou a bola na grande área para pontapear para a frente. Eis que o guardião português é surpreendido quando lhe aparece, vindo das costas, Iñaki Williams, que só não marcou porque escorregou no momento de atirar à baliza.

Apesar do resultado e do final de jogo com o terço na mão, como é habitual, Portugal teve sempre o jogo controlado e foi, de longe, a melhor equipa. É preciso melhor a muralha defensiva.

Escrete vai de bicicleta

O Brasil e a Sérvia foram as últimas equipas a entrar em campo neste mundial. Super favorito a vencer a competição, não só pelo historial, mas também pela equipa que apresenta, o Brasil entrou mandão na competição.

O resultado é magro para o que foi o jogo. Sentido único, a Sérvia tentou apenas atrasar ao máximo o golo inevitável que iria surgir. Só na segunda parte é que o Brasil conseguiu afinar a pontaria. Richarlison marcou de cabeça para o primeiro e aliviou a equipa, numa altura em que já se notavam alguns nervos, fruto dos vários remates que não queriam fazer a bola entrar. A 15 minutos do fim, outra vez Richarlison, desta vez com um golo espetacular, de bicicleta, fez o 2-0 final para uma estreia em grande e convincente do Escrete brasileiro. Vai ser difícil superar o golo do atacante brasileiro nesta competição.

Era uma vez… o Mundial | São 11 contra 11 e no fim ganha a Alemanha

A expressão que agora todos dizem ficou famosa em 1954, quando a Alemanha ‘roubou’ o título mundial à equipa sensação: a Hungria de Puskás.

A Suíça recebia o mundial quatro anos depois do escândalo do Maracanã, no Brasil. O formato voltou a mudar, com 16 equipas na fase final. A fase de grupos teria apenas dois jogos e passavam os dois primeiros lugares para as eliminatórias.

A Suécia e a Espanha, semi-finalistas quatro anos antes, não se qualificaram e Portugal foi humilhado pela Áustria, que viria a ficar em terceiro lugar do mundial.

A Hungria era a favorita, pelo futebol impressionante que jogava e pela forma como ganhava e goleava adversários considerados poderosos. Precisamente na fase de grupos, a seleção magiar goleava a Alemanha por 8-3, num jogo em que ficou sem Puskás, a grande estrela da equipa, até à final.

A final ficou conhecida na história como o “Milagre de Berna”. O mau tempo fazia com que o futebol impressionante e fluido da Hungria não surtisse tanto efeito. Ainda assim, ao fim de 10 minutos, já os “Poderosos Magiares” venciam a Alemanha, antevendo-se nova goleada. Eis senão que a Alemanha, sem se saber bem como, tira o título à Hungria, operando uma épica reviravolta. Foi, de resto, o nascimento de uma superpotência mundial no futebol. O primeiro título alemão surgiu aqui e viria a vencer a competição por mais três vezes, sempre pragmática e uma máquina avassaladora de fazer golos, em alguns momentos.

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Francisco Amaral
Jornalista Estagiário do Jornal de Albergaria – Licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra. O gosto pela escrita e o bichinho pelo jornalismo desportivo trouxe-me até a Albergaria. Tento sempre ter um livro debaixo do braço e um filme na cabeça.
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