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Albergaria dá exemplo como líder de consórcio empreendedor internacional

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O Município reuniu o Grupo de Ação Local do projeto europeu Cidades Empreendedoras para recolher contributos para o plano de melhoria que está a desenvolver enquanto cidade líder da rede. Entre as propostas estão a criação de um Laboratório de Multimédia no concelho e o reforço da ligação entre escolas e empresas. 

O Município de Albergaria-a-Velha dinamizou, esta tarde, uma ação de auscultação com o objetivo de continuar a desenvolver e melhorar o seu papel enquanto líder do projeto internacional Cidades Empreendedoras, uma rede de transferência de competências entre os municípios que a integram.

O consórcio reúne, além de Albergaria-a-Velha, os municípios de Iisalmi, na Finlândia, Ferrara, em Itália, Lublin, na Polónia, Žďár nad Sázavou, na República Checa, Bijeljina, na Bósnia, Skåne, na Suécia, e Zhytomyr, na Ucrânia. O principal propósito do consórcio é promover, a nível local, o empreendedorismo como uma forma de estar e de pensar, tanto na vida profissional como na pessoal, e não apenas como motor para a criação de empresas.

O projeto pretende que os alunos e restantes participantes encarem o espírito empreendedor como uma área capaz de desenvolver competências como a comunicação em público, o desenvolvimento pessoal, a capacidade de inovar, a procura de soluções alternativas e a resiliência perante os desafios, como enumerou Sandra Almeida, coordenadora do projeto.

Cada um destes territórios, de acordo com a metodologia de trabalho URBACT, conta com um Grupo de Ação Local (GAL). A tarde de quarta-feira foi dedicada à auscultação do GAL de Albergaria-a-Velha, composto por alunos, professores, empresários, autarcas, técnicos municipais, líderes de projetos, dirigentes de estabelecimentos locais, universidades e entidades intermunicipais.

O foco da troca de ideias foi a contribuição dos participantes para o desenvolvimento contínuo do plano de melhoria que o concelho foi desafiado a concretizar enquanto líder do projeto europeu. Em concreto, os elementos do GAL foram convidados a imaginar a melhor forma de criar um Laboratório de Multimédia no concelho e a pensar em formas de estreitar as relações entre as empresas e as escolas.

Embora não tenha sido abordada na reunião do GAL, a criação de uma metodologia de base científica para avaliar o próprio projeto Cidades Empreendedoras também integra o plano de melhoria. Este mecanismo está a ser desenvolvido em parceria com a Universidade de Aveiro.

Aprender com o outro

Para a criação do Laboratório de Multimédia, os participantes ambicionam um espaço onde os alunos possam aprofundar e consolidar conhecimentos nesta área através da transmissão desses mesmos ensinamentos, com a orientação de professores, a organizações sem fins lucrativos, instituições públicas e start-ups sediadas na Incubadora de Empresas.

O Laboratório contará ainda com workshops destinados a capacitar a comunidade em geral, dos 8 aos 85 anos, na área da multimédia. Foram também identificados os materiais necessários ao funcionamento do espaço, cuja gestão deverá ser assegurada conjuntamente pelo Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha e pelo Município.

No que diz respeito à aproximação entre escolas e empresas, os membros do GAL propõem o aprofundamento e a expansão a toda a comunidade de projetos que já são desenvolvidos pelos estabelecimentos de ensino locais. Um dos exemplos apresentados foi a Open Factory Skills, um evento que conjuga a divulgação dos cursos profissionais do concelho com a promoção do contacto direto entre alunos, escolas e tecido empresarial da região.

Neste encontro, as diferentes partes têm oportunidade de estabelecer contactos e criar futuras parcerias, nomeadamente através da possibilidade de realização de estágios numa das empresas participantes. Foi também proposta a expansão do já existente Factory Skills Lab, no qual os alunos são desafiados a encontrar, em grupo, soluções para problemas reais apresentados por empresas locais.

Os participantes sugeriram ainda a criação de visitas de estudo a empresas do concelho e dos arredores, que incluam masterclasses destinadas a ensinar competências práticas aos alunos e a permitir-lhes experimentar e aprender com equipamentos que nem sempre encontram em contexto escolar. Sugeriram ainda a criação de uma rede ou ecossistema que promova a ligação e a comunicação contínua entre escolas, empresas e autarquia, facilitando a partilha de oportunidades, experiências e projetos conjuntos.

Carlos Coelho, presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, elogiou o projeto Cidades Empreendedoras e, em particular, o trabalho do GAL, considerando-o uma forma exemplar de aprender com os outros, responsabilidade que considera essencial para Albergaria enquanto cidade líder do projeto. Henrique Caetano, vice-presidente da Câmara e interlocutor político do projeto, destacou o impacto concreto das ideias apresentadas pelo GAL, que são efetivamente ouvidas e incorporadas no desenvolvimento contínuo do Cidades Empreendedoras.

Academia vencedora

A liderança de Albergaria-a-Velha resultou de uma candidatura da autarquia ao programa europeu URBACT, através da qual integrou a rede Cidades Empreendedoras (Entrepreneurial Cities), cujo modelo pretende servir de referência a outros municípios europeus na promoção da cultura empreendedora desde a infância.

O projeto que permitiu a Albergaria assumir a liderança da rede foi a Academia Empreende+, uma iniciativa estratégica de promoção da educação para o empreendedorismo, da literacia financeira e da sustentabilidade, dirigida à comunidade escolar do concelho. Ao longo de 12 anos, a Academia envolveu 8068 alunos e 659 professores e deu origem a 975 ideias.

Entre as vertentes mais visíveis da Academia estão projetos como o programa de literacia financeira ‘No Poupar é que está o Ganho’, destinado aos alunos do 1.º Ciclo, e os concursos de empreendedorismo dirigidos aos diferentes ciclos de ensino, como o F@z e Acontece, o Desafi@te e o #Faz o teu Futuro. Nestes concursos, os estudantes apresentam e defendem os seus projetos criativos perante a comunidade, no Cineteatro Alba, após um período de preparação.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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