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‘Assembleia Jovem’ leva queixas e soluções ao presidente da Câmara

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Melhoria das condições físicas dos estabelecimentos escolares, mais livros e mais lugares na biblioteca da Secundária, mais passeios, mais autocarros, mais inclusão, menos velocidade nas estradas e mais espaços públicos para conviver sem ecrãs estiveram entre as reivindicações dos alunos do concelho, levadas à Assembleia Jovem, momento de encerramento das celebrações locais do 25 de Abril.

A Assembleia Jovem, inovação do programa comemorativo do Dia da Liberdade, encheu, esta manhã, o Cineteatro Alba com alunos do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha e do Agrupamento de Escolas da Branca. A iniciativa foi proposta pelo núcleo local da CPCJ – Comissão de Proteção de Crianças e Jovens às escolas e à Assembleia Municipal, órgão que organiza as cerimónias do 25 de Abril. Já presente no imaginário de celebrações passadas, realizou-se, este ano, pela primeira vez.

Filomena Bastos, antiga presidente da CPCJ de Albergaria-a-Velha, abriu a sessão, de laço azul ao peito, e lembrou que Abril, para além do mês da Liberdade e da Constituição, é também o Mês Internacional da Prevenção dos Maus-Tratos na Infância. “Não há Liberdade em pleno enquanto houver crianças silenciadas, negligenciadas ou privadas de uma infância feliz”, defendeu.

A anterior dirigente reforçou que cumprir Abril é uma tarefa diária, que se faz “nas escolas, famílias e em comunidade”, com o objetivo de que “todas as crianças cresçam num ambiente de respeito, segurança e amor”. Filomena Bastos afirmou ainda que “a Revolução continua viva sempre que uma criança pode dizer ‘a minha voz importa’”.

Antes das intervenções da Mesa da Assembleia Jovem, foi feita uma sentida homenagem à professora Fátima Areias, recentemente falecida. O aluno Guilherme Valdez leu um poema de Luís de Camões dedicado à professora. Mais tarde, recitou o último poema que ouviu Fátima Areias ler — “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, do mesmo autor.

“Que a memória da professora Fátima nos inspire”, terminou Filomena Bastos, emocionada.

Participar é dever

Raquel Simões, presidente da CPCJ de Albergaria-a-Velha, lembrou a importância da participação como “mais do que um direito, uma responsabilidade”, especialmente entre os jovens, “que são o presente e o futuro” da vida em comunidade. “Este será um espaço onde a voz dos jovens será ouvida, respeitada e valorizada”, assegurou.

Durante a sessão, um jovem de cada agrupamento escolar anotou todas as medidas apresentadas pelos colegas para, no final, entregar as propostas ao presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, Carlos Coelho, que se confessou expectante para conhecer as ambições dos estudantes. “Mais do que falar, hoje os jovens vão realmente fazer parte”, reforçou Raquel Simões.

Carlos Coelho elogiou a iniciativa por materializar “a democracia na verdadeira aceção da palavra” e agradeceu publicamente aos professores pelo trabalho que realizam ao longo de todo o ano. “Ser professor deve ser uma das mais aliciantes profissões, pois permite ver, a médio prazo, os frutos do vosso trabalho no sucesso dos alunos”, afirmou o edil.

Mário Branco, impulsionador das celebrações do 25 de Abril no seu atual formato e presidente da Assembleia Municipal entre 2013 e 2025, reforçou a mensagem, lembrando “as condições muito difíceis” em que os docentes desempenham funções. “Podem sentir-se abandonados pelas metodologias estatais, mas nunca estarão sozinhos, porque a comunidade reconhece o vosso trabalho”, assegurou o comissário das comemorações.

O autarca lembrou ainda a importância da democracia conquistada em Abril, mesmo com as imperfeições que a execução do sistema possa ter. “Abril deu-nos a liberdade de expressar e opinar sem represálias, e ninguém pode cortar a raiz do pensamento”, defendeu Mário Branco, referindo a utilidade, para regimes ditatoriais, de um povo iletrado e alheio ao pensamento crítico.

Mário Branco incentivou os jovens a participarem na vida pública, mesmo quando não são diretamente convidados a fazê-lo, a serem intervenientes e reivindicativos. “Não podemos estar à espera de que nos deem palco; temos de lutar por ele. É tempo de vos ouvirmos, mas também é tempo de se fazerem ouvir”, defendeu.

Para além de Raquel Simões e Mário Branco, compôs a Mesa da Assembleia Jovem o presidente da Assembleia Municipal, António Loureiro.

Contra a discriminação

Aos pares, os representantes de cada ano escolar de cada Agrupamento foram subindo ao palco. As problemáticas e soluções apresentadas foram previamente trabalhadas em reuniões conjuntas de alunos — as Assembleias de Turma —, onde se foram afunilando os temas a levar ao encontro. Assim, as ideias apresentadas resultam da reflexão conjunta de mais de mil alunos do concelho.

Rita Cabral e Diana Santiago, do 6.º ano do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha (AEAAV), pediram a existência obrigatória de sessões de sensibilização nas escolas e para as famílias a propósito dos maus-tratos infantis, bem como a disponibilização de psicólogos nos estabelecimentos escolares para apoio a crianças vítimas de qualquer forma de abuso.

As alunas sugeriram ainda sessões de sensibilização e campanhas online de alerta para comportamentos de risco associados ao consumo de substâncias, como drogas e álcool, bem como acompanhamento psicológico acessível e contínuo.

Para combater o absentismo e o abandono escolar, Rita e Diana sugeriram a criação de atividades e oficinas, dentro e fora da escola, adequadas aos interesses dos jovens, bem como ferramentas de incentivo ao estudo e a disponibilização de um tutor para apoio ao estudo e suporte emocional.

No sentido de alertar os jovens para os perigos do digital, propuseram a dinamização de workshops e sessões de esclarecimento sobre temas como proteção de dados, privacidade nas redes sociais, identificação de notícias falsas e sensibilização para o cyberbullying. Para esta última problemática, sugerem que a chamada de atenção à comunidade seja feita através de, por exemplo, curtas-metragens e que seja criado um Gabinete de Apoio.

Criar bom Ambiente

Para envolver os mais novos na proteção ambiental, uma preocupação premente na faixa etária, como afirmaram as alunas, foi proposta a criação de clubes ou associações que passem a dinamizar atividades como limpeza de espaços verdes, plantação de árvores e dinamização de jardins e/ou hortas comunitárias.

Para as escolas primárias e jardins de infância, foi sugerida a criação de uma mascote que, de forma acessível, sensibilize para aprendizagens amigas do Ambiente.

A mesma defesa do Ambiente foi feita por Leonor Oliveira e Mariana Mortágua, do 5.º ano do Agrupamento de Escolas da Branca (AEB), que acrescentaram o pedido de mais contentores que possam dar segunda vida a roupa usada, pilhas e óleos, e um reforço na sensibilização para a limpeza de terrenos como forma de prevenção de incêndios. Propostas semelhantes foram feitas por Zita Coutinho e Martim Figueiredo, do 8.º ano do AEAAV.

Longe dos ecrãs

As jovens sugeriram ainda a criação de uma plataforma online municipal onde sejam divulgadas todas as iniciativas locais, de associações, coletividades e grupos informais, para que os mais novos possam consultar e inscrever-se diretamente nas atividades de interesse.

As alunas do 6.º ano indicaram que os jovens sentem falta de espaços seguros onde possam estar sem ecrãs. Assim, sugeriram a criação de uma piscina exterior com zona de restauração, um parque para a prática de skate e uma praia fluvial no concelho.

Neste sentido, Sofia Pereira e Maria Jesus, do 7.º ano do AEAAV, pediram uma expansão do leque de oferta das atividades extracurriculares “para uma ocupação saudável dos tempos livres”, acompanhada de um aumento da oferta cultural local e de um reforço das estruturas desportivas no concelho, sobretudo “campos e pavilhões, como elementos de democratização da prática desportiva”.

Alinhados com os colegas, Gonçalo Abreu e Carolina Oliveira, do 11.º ano do AEAAV, pediram uma pista de atletismo de 400 metros para atrair atletas ao concelho e motivar os locais a retomar a prática, uma vontade que poderá estender-se às coletividades que deixaram de ter a modalidade por falta de pista em Albergaria.

Os alunos reforçaram a necessidade de ciclovias e de um parque de skate, para que todos circulem com maior segurança e para que os jovens possam andar de skate livremente e de forma mais lúdica, sem terem de se deslocar até à freguesia da Branca.

Melhores transportes, melhor mobilidade

Zita Coutinho e Martim Figueiredo, do 8.º ano do AEAAV, sugeriram uma aposta na segurança rodoviária — concretamente, com a colocação de duas lombas na passadeira em frente à Escola Secundária e a criação de uma ciclovia para bicicletas e trotinetas elétricas.

Igualmente com foco numa mobilidade mais segura, Gabriel Jesus e Daniel Silva, do 7.º ano do AEB, chamaram a atenção para a degradação das ruas da freguesia, que dificulta a circulação de carros e peões, e propuseram uma maior fiscalização da velocidade e do estacionamento indevido.

Os alunos do 7.º ano sugeriram ainda a criação de mais passeios e a reabilitação dos que necessitam, bem como a colocação de lombas e outros mecanismos de acalmia de velocidade.

Zita e Martim pediram igualmente que fosse assegurada a pontualidade dos autocarros, para que não chegassem atrasados às aulas — um fator de stress para estudantes e professores, como explicaram — e reforçaram a necessidade de divulgação dos horários das carreiras de forma mais acessível.

Com propostas coincidentes, Nuno Pinto e Joana Oliveira, do 9.º ano do AEB, alertaram para a sobrelotação dos autocarros, que desmotiva o uso do transporte público face ao individual. Quanto aos horários das carreiras, sugeriram a criação de uma aplicação que permita a consulta em tempo real.

Medidas semelhantes foram apresentadas pelas colegas do 12.º ano do AEAAV, Mariana Alves e Joana Reis, que pediram ainda melhores condições físicas das paragens de autocarro, uma nova paragem e propuseram, para a problemática da sujidade das ruas, a organização de ações comunitárias de recolha de lixo. Sobre as trotinetas elétricas, sugeriram ações de sensibilização para a correta utilização, de forma a evitar excessos de velocidade e a utilização sem equipamento de proteção.

Mais livros e melhores condições

Arantza Carrero e Vítor Araújo, do 9.º ano do AEAAV, fizeram uma análise comparativa dos equipamentos da Escola Secundária com outras do concelho e pediram um reforço dos livros e dos lugares na biblioteca escolar, bem como um anfiteatro maior para que os alunos possam apresentar os trabalhos com melhores condições e sem pressas.

Os estudantes reclamaram soluções para o estado de degradação das pinturas das paredes da escola — algumas com mofo — e para as casas de banho, onde identificaram buracos nas paredes, falta de fechaduras funcionais, torneiras e tampas de sanita. Na visão dos alunos, também o laboratório da Secundária merece melhores condições.

A ecoar estas preocupações estiveram Beatriz Fernandes e Guilherme Valdez, do 10.º ano da mesma escola, que acrescentaram à enumeração dos colegas a necessidade de colocar persianas e cortinas em algumas salas de aula.

Assim, os alunos da Secundária pedem uma requalificação do edifício escolar e a criação de novos espaços que incentivem à descoberta de interesses ou à exploração de hobbies já existentes, como uma sala de rádio, exemplificou Arantza Carrero.

Beatriz Fernandes e Guilherme Valdez sugeriram ainda o aumento do orçamento para visitas de estudo, sendo estas uma forma “de colocar em prática as aprendizagens feitas em contexto escolar e de contactar com outras realidades”, e a instalação de um micro-ondas na cantina para que os alunos possam trazer refeições de casa.

Barreiras urbanísticas e abandono animal

Miriam Fontoura e Laura Carvalho, do 6.º ano do AEB, alertaram para as avarias frequentes do elevador da Escola Básica da Branca, “que cria uma barreira que não deveria existir” para pessoas com mobilidade reduzida. Esta dificuldade adicional foi igualmente identificada pelas estudantes em alguns passeios e espaços públicos da freguesia, afetando também “os mais idosos e até pessoas com carrinhos de bebé”.

Como solução, foi proposto o aumento do número de rampas e de acessibilidades inclusivas nos espaços abertos e fechados da freguesia, a eliminação de barreiras arquitetónicas, a criação de uma aplicação que permita reportar, em tempo real, problemas de mobilidade, a dinamização de sessões de sensibilização nas escolas e a criação de um selo de “espaço acessível” que incentive à adaptação dos edifícios a todas as condições de mobilidade.

Do mesmo Agrupamento, Clara Ribeiro e Lara Pinto, do 8.º ano, pediram a reparação do toldo exterior da Escola Básica da freguesia, a colocação de mais bebedouros no espaço e a melhoria de equipamentos degradados, como mesas, cadeiras, projetores com avarias frequentes e rede Wi-Fi lenta.

As jovens propuseram ainda a criação de uma bolsa de voluntários para apoio social a crianças e idosos em situação de vulnerabilidade. Com ideias semelhantes para o espaço público, Nuno Pinto e Joana Oliveira, do 9.º ano do AEB, acrescentaram a necessidade de reforçar a iluminação nas ruas e substituir a existente por lâmpadas LED.

Os estudantes do 9.º ano chamaram a atenção para o aumento do abandono animal e pediram recolhas mais frequentes por parte do CROAA e uma maior sensibilização para a adoção responsável e esterilização dos animais, iniciativas a dinamizar junto de associações de apoio animal.

Para convívio entre pares e gerações, Nuno e Joana propuseram a criação do Dia da Vila da Branca, “com jogos, música e atividades em comunidade”. No espaço aberto ao público, Tiago e Esmeralda pediram mais parques de voleibol e futebol, e Bruno sugeriu um parque de BTT na Senhora do Socorro e um espaço com equipamentos para a prática de exercício físico junto ao Parque da Mobilidade ou próximo do parque de futebol do CA.

No final, professores e autarcas mostraram-se orgulhosos pela forma ordeira como decorreu a sessão e agradeceram a participação de todos, encerrando com um sentido de missão cumprida.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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