As alterações introduzidas no projeto da Linha de Alta Velocidade (LAV) no concelho de Albergaria-a-Velha foram apresentadas e explicadas à população, esta tarde, numa sessão pública promovida pelo Município e pela concessionária AVAN.
O futuro traçado da Linha de Alta Velocidade (LAV) continua a gerar dúvidas e preocupações junto da população de Albergaria-a-Velha.
Depois da última sessão pública, realizada a 7 de novembro de 2025, que inquietou os albergarienses, a autarquia reuniu em maio com os representantes do consórcio AVAN, responsável pela concessão do projeto, construção, financiamento e manutenção da Linha de Alta Velocidade (LAV) do troço entre Porto e Oiã, para “apresentar o ponto de situação do desenvolvimento do projeto, após o processo de reavaliação resultante das participações apresentadas pelos munícipes, empresas, juntas de freguesia e pelo Município, no âmbito do Relatório de Conformidade Ambiental do Projeto de Execução”, escreveu o município na época em nota publicada nas redes sociais.
Para esclarecer os munícipes sobre essas alterações introduzidas no projeto e os impactos previstos no concelho, o Município e a concessionária AVAN promoveram, ao final da tarde desta quinta-feira, uma sessão pública de esclarecimento no Cineteatro Alba.
Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal, Carlos Coelho, destacou que “desde o primeiro momento, o Município assumiu o compromisso de acompanhar este projeto com rigor, proximidade e transparência, mantendo a população informada sobre a sua evolução, as preocupações identificadas e as diligências desenvolvidas na defesa do território e das propriedades afetadas”, afirmou.
O autarca explicou que o projeto inicialmente apresentado levantava “preocupações muito relevantes”, nomeadamente ao nível da afetação de habitações, empresas, infraestruturas públicas, acessibilidades, redes de serviços, ruído, integração paisagística e coesão territorial. Perante esse cenário, garantiu que o município desenvolveu um trabalho contínuo de análise técnica e de apresentação de propostas alternativas junto das entidades responsáveis.
Carlos Coelho recordou que, em março de 2025, o município apresentou diversas propostas de alteração ao projeto, algumas das quais acabaram por ser integradas na versão submetida a consulta pública do RECAPE. Segundo explicou, a autarquia elaborou ainda uma exposição técnica detalhada e promoveu sessões de esclarecimento para apoiar a participação da população e das entidades locais.
O presidente salientou que uma das principais preocupações do executivo incidiu sobre a mobilidade e as acessibilidades do concelho, em particular as ligações à A25, à Zona Industrial, principais eixos rodoviários e habitações. “Foi apresentado um dossiê técnico ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, tendo as preocupações do município sido acolhidas e consideradas na procura de soluções mais adequadas”, afirmou.
Entre as alterações alcançadas, destacou a reformulação da solução prevista para o restabelecimento da Estrada Municipal 112, na Branca, considerando que a proposta atualmente em desenvolvimento representa uma melhoria significativa face às soluções anteriormente apresentadas. “A solução agora apresentada não é perfeita, mas é substancialmente menos prejudicial para o concelho do que aquela que nos foi inicialmente colocada”, sublinhou.
Apesar das melhorias alcançadas, Carlos Coelho reconheceu que continuam a existir impactos inevitáveis. “Temos consciência de que o resultado alcançado não corresponde integralmente à solução que consideramos ideal. No entanto, dentro das limitações existentes e do enquadramento definido para esta infraestrutura, foi possível obter melhorias significativas relativamente ao projeto inicial”, afirmou.
O autarca garantiu ainda que o município continuará a acompanhar o processo nas próximas fases. “O Executivo Municipal continuará a acompanhar este processo com a mesma determinação e proximidade, procurando garantir que as próximas fases decorram com o máximo respeito pelas pessoas, pelos seus bens, pelas atividades económicas e pela qualidade de vida das comunidades do nosso concelho”, concluiu.
O traçado da Linha de Alta Velocidade atravessa o concelho de norte a sul, afetando as freguesias da Branca, Albergaria-a-Velha e Valmaior e São João de Loure e Frossos. O projeto prevê a construção de viadutos, trincheiras e passagens superiores, com impactos ao nível de acessibilidades, terrenos agrícolas e florestais e, em alguns casos, habitações e atividades económicas.
Após a intervenção do presidente da Câmara, a sessão prosseguiu com uma apresentação técnica do projeto guiada por Álvaro Fonseca, Diretor de Operações da AVAN e com um período dedicado às questões colocadas pelos munícipes aos técnicos da concessionária.




















