A definição dos caminhos rurais com intervenção prioritária e o ponto de situação das medidas de apoio à recuperação dos danos provocados pelo mau tempo marcaram o II Encontro de Agricultores de Angeja. Entre os temas em destaque estiveram a limpeza da Ribeira do Fontão, enquadrada no protocolo celebrado com o Governo, bem como as medidas compensatórias associadas ao parque solar da Quinta da Biscaia.
O II Encontro de Agricultores de Angeja decorreu no final de junho, na Junta de Freguesia. A segunda reunião dedicada ao setor permitiu abordar vários assuntos de interesse para a agricultura e a pecuária locais, com destaque para a definição das prioridades de intervenção nos caminhos rurais, tendo em conta o estado de degradação dos troços e a sua utilização pelos agricultores.
A degradação dos caminhos rurais tem sido um dos temas mais recorrentes nas sessões da Assembleia de Freguesia. Hélder Brandão, presidente da Junta, apontou como situação mais preocupante os rombos junto à Silveira, onde alguns terrenos particulares já começam a perder área devido à erosão progressiva das margens.
A Junta continua a reivindicar junto da APA e da CIRA apoio para a reabilitação da Silveira, lamentando que intervenções anteriores tenham sido realizadas em locais considerados menos prioritários pela população e pelo executivo da freguesia.
“Há muito trabalho para fazer”, admitiu o autarca. Apesar da vontade, a Junta de Freguesia não consegue concretizar todos os trabalhos sozinha. Como informou Hélder Brandão durante a sessão com os agricultores, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) tem vindo a apoiar a reparação de caminhos afetados pela sucessão de tempestades que atingiu o concelho e o país no início do ano.
Como exemplos, o presidente enumerou o Caminho da Lagareira e o da Muralha. Neste último, já foram retiradas as árvores caídas que obstruíam o troço, uma situação referenciada na Assembleia de Freguesia de junho. O autarca sublinhou que a reparação dos rombos deixados pela remoção de árvores e por outras intervenções faz parte da recuperação integral dos caminhos rurais.
No final da reunião, ficaram identificados como prioritários os seguintes troços, todos localizados na zona poente da freguesia: da Muralha até ao Porto Mateus Dias; do Rendo até ao Porto Cecília; e o Caminho da Muraça.
Protocolo e compensação em ação
Em paralelo, como informou o presidente nas reuniões com o setor, decorrem trabalhos de limpeza na Ribeira do Fontão, uma preocupação antiga dos agricultores e da população, tornada ainda mais premente após o mau tempo dos primeiros meses de 2026.
Até ao final de julho, a APA está a realizar a limpeza da Ribeira do Fontão até à foz, no âmbito do acordo assinado em meados de maio, em São João de Loure, entre o Governo, através da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a Agência para o Clima (ApC), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e os municípios abrangidos.
Águeda, Estarreja e Albergaria-a-Velha foram os últimos três municípios a celebrar o contrato-programa com a ApC e a APA para intervenções de emergência e de reabilitação de infraestruturas e património ambiental afetados pelas cheias do início deste ano.
O concelho de Albergaria-a-Velha recebeu 800 mil euros para trabalhos de reabilitação das margens do rio Vouga, destinados a intervenções como a recuperação de rombos, a estabilização de margens e a reparação de pequenas estruturas. O protocolo prevê ainda intervenções no rio Caima, na Ribeira de Valmaior, na Ribeira da Senhora da Luz, na Ribeira do Fontão e na Ribeira de Fermelã.
Os trabalhos de limpeza na Ribeira do Fontão são igualmente apoiados por medidas compensatórias associadas ao projeto do parque solar da Quinta da Biscaia, nas Frias. A infraestrutura ocupa cerca de 142 hectares — aproximadamente 1% do território da freguesia — e integra cerca de 115 mil painéis fotovoltaicos. A população tem manifestado preocupação com o escoamento mais rápido das águas para a zona sul do concelho durante episódios de precipitação intensa e prolongada.
Responsabilidade partilhada
A limpeza e manutenção dos caminhos rurais é uma responsabilidade assumida pela Junta de Freguesia, como sublinhou Hélder Brandão. No entanto, o presidente reforçou que este trabalho depende igualmente da colaboração dos proprietários dos terrenos.
Tarefas como a poda das árvores junto aos caminhos — os chamados “combros” — são da responsabilidade dos particulares, bem como o cuidado de não obstruir as valas destinadas ao correto escoamento das águas durante os trabalhos agrícolas. O abandono de muitos terrenos é outro dos fatores que dificulta a manutenção da rede de caminhos rurais.
“Com o abandono, a vegetação vai ocupando os caminhos e a Junta nem sempre consegue, com os meios que tem, fazer a limpeza em todos. É algo para que tentamos sensibilizar os proprietários. Com o avançar da vegetação, outro dos nossos objetivos é alargar caminhos existentes que são muito utilizados e estão a perder área. Pedimos sugestões aos agricultores sobre quais seriam os mais indicados”, acrescentou Hélder Brandão.
O presidente agradeceu ainda a colaboração dos tratoristas na manutenção dos caminhos e afirmou continuar a contar com o seu contributo. Hélder Brandão recordou que, desde a primeira reunião com os agricultores, já foram melhorados vários caminhos. “Só assim é que faz sentido, com esta colaboração entre partes”, assegurou.
A entreajuda, acrescentou o presidente da Junta, faz-se também ouvindo quem trabalha diariamente no campo e recuperando conhecimentos e práticas de outros tempos. Na sequência da reunião, a Junta comprometeu-se a voltar a divulgar avisos e editais sobre temas agrícolas em suporte de papel, afixando-os em locais de passagem frequente dos trabalhadores do setor – por exemplo, alertas para limpar terrenos ou formações de fitofarmacêuticos junto na ponte Gilberto Madail, no Parque do Areal.

















