Os pais da jovem, em comunicado enviado à imprensa, assinado pela firma de advogados que acompanha o processo junto da família, afirmam-se “alheios” e “não se reveem” nas “divulgações e explorações públicas e aproveitamentos especulativos do caso”.
Maria Luemba foi encontrada morta, com uma corda ao pescoço, em casa, em Sever do Vouga, no dia 12 de junho.
O caso gerou revolta nas redes sociais e inúmeros têm sido os relatos amplamente divulgados sobre o falecimento da jovem de 17 anos, muitos deles desmentidos pelas autoridades, como o facto de Maria Luemba ter sido encontrada de mãos atadas – algo que a GNR local garantiu, ao Jornal de Albergaria, a 23 de junho, ser “completamente falso”.
Os apelos para uma investigação mais aprofundada sobre o caso multiplicaram-se, nas redes sociais e fora delas. O mesmo pedido, feito pela família, foi amplificado pela entrevista que deram à TVI. No dia 25 de junho foi noticiado, pelo jornal Observador, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) tinha aberto um inquérito à morte da jovem de origem angolana.
A 7 de julho, após pedido dos pais de Maria Luemba, a sociedade de advogados Morais Leitão assumiu a sua representação, em resposta à preocupação dos pais de garantir “que sejam apuradas com rigor as causas e circunstâncias da morte da sua filha”, como se lê no comunicado enviado à imprensa, assinado pelos advogados. O inquérito criminal em curso está pendente no DIAP – Departamento de Investigação e Ação Penal de Albergaria-a-Velha e conta com a intervenção da Polícia Judiciária local.
Pais distanciam-se de “aproveitamentos especulativos”
A comunicação pública dos pais de Maria Luemba, assinada pela firma de advogados, reforça a confiança dos representados no processo. “A notícia confirmada da existência de inquérito, bem como os sinais claros de seriedade e empenho demonstrados pelas autoridades competentes (não apenas neste processo, mas também noutros, relativos a factos passados, que poderão relevar para a investigação em curso), oferecem à família de Maria Luemba, nas circunstâncias em que se encontra, um possível alento e um horizonte de esperança no apuramento da verdade, em que confiam”, lê-se no documento.
Sobre a dimensão e mediatismo que caraterizou e carateriza o caso, apesar de gratos “a todas as pessoas, próximas ou não, que lhes têm manifestado o seu pesar e a sua solidariedade”, os pais de Maria Luemba afirmam-se “alheios” e “não se reveem” nas “divulgações e explorações públicas e aproveitamentos especulativos do caso, que entendem, com veemente concordância dos seus Advogados, nada contribuir para o bom andamento da investigação”.
O comunicado reafirma os pais de Maria Luemba como “os primeiros interessados em que a verdade seja descoberta de forma objetiva, exaustiva e clarificadora, sem vieses nem pressões nem condicionamentos”. Por fim, endereçam um “agradecimento especial” ao Consulado de Angola, na pessoa do vice-cônsul, “cuja articulação com os Advogados signatários, obviamente no respeito pela independência da investigação em curso e pelos estatutos dos diferentes intervenientes processuais, tem sido de inteira disponibilidade”.

















