A intervenção de maior dimensão será na Estrada de Nossa Senhora do Socorro, num troço de 3,5 quilómetros. Os presidentes de Junta de Freguesia foram ouvidos para identificar as vias mais urgentes a requalificar.
Foi aprovado por unanimidade um empréstimo a conceder ao Município de Albergaria-a-Velha para pavimentações e obras complementares na rede viária do concelho. A decisão foi tomada na sessão extraordinária da Assembleia Municipal de 21 de outubro.
Com um prazo de 20 anos e um montante máximo de cinco milhões de euros, o empréstimo consta do Plano Plurianual de Investimentos. Carlos Coelho, presidente da Câmara, já tinha indicado, numa reunião anterior, que o ponto seria submetido à votação da Assembleia, assumindo a necessidade de recorrer a financiamento externo para resolver os problemas da rede viária.
Apesar de reconhecer a importância e a urgência das empreitadas, Luís Fernando, eleito pela coligação PSD/IL, alertou o executivo CDS-PP para o valor que terá de ser pago em juros ao longo das duas décadas. Segundo as estimativas do próprio, o total rondará os dois milhões de euros.
O membro da oposição criticou igualmente o que considera ter sido a inação dos anteriores executivos, também do CDS-PP, nesta matéria. “Estes milhões para tapar buracos e pavimentações causam estranheza e refletem a falta de investimento dos três anteriores mandatos”, criticou, acrescentando que vê o pedido de empréstimo como “uma solução de emergência”.
Luís Fernando indicou ainda que o empréstimo poderá comprometer investimentos estruturais para o concelho, como o Parque da Cidade, a Aldeia do Desporto ou a última fase de requalificação da Escola Secundária. Por sua vez, Pedro Correia, membro único do Chega, questionou se não seria possível recorrer ao saldo corrente para realizar empreitadas que, individualmente, rondam os 15 a 25 mil euros.
Em resposta, o presidente da Câmara reiterou que já tinha sido explicado que o município não dispõe de capacidade financeira para reabilitar, sem recorrer a um empréstimo, os inúmeros danos verificados nas estradas e caminhos do concelho. “Sabemos bem que mais dívida significa menos investimento, mas temos de tomar as decisões que consideramos ser as melhores para o concelho e toda a gente reconhece que as nossas estradas não estão em condições”, afirmou o edil.
Descentralizar e priorizar
Arménio Silva, eleito pelo partido do executivo, acrescentou que o prazo de 20 anos permite “não asfixiar a tesouraria” e continuar a “assegurar conforto às famílias”, bem como distribuir o montante pelas diferentes freguesias, em vez de concentrar as intervenções no centro.
Neste sentido, Carlos Coelho indicou que todos os presidentes de junta de freguesia foram ouvidos, para que pudessem identificar os troços dos respetivos territórios que mais necessitam de reparação, tendo em conta a urgência das intervenções e o estado de degradação dos pisos.
O presidente da Câmara adiantou que a empreitada de maior dimensão financeira será a “intervenção profunda” prevista para os 3,5 quilómetros da Estrada de Nossa Senhora do Socorro.
O edil informou ainda que a Infraestruturas de Portugal (IP) já está a realizar reparações nos troços sob a sua responsabilidade. Acrescentou que será apresentada uma candidatura à CCDR Centro para reparar os danos nas estradas associados à depressão Kristin, sublinhando que, de momento, o concelho “não pode esperar muito mais” por soluções.
Apesar do empréstimo, ficou em aberto a possibilidade de analisar casos de reparações pontuais que a Câmara Municipal possa realizar com orçamento próprio, para ruas que ficaram de fora da lista de intervenções.















