A Assembleia de Freguesia de Angeja aprovou por unanimidade a atribuição do nome Rua José Ferreira de Jesus (“O Suzano”) a um arruamento da freguesia. Natural de Angeja e militar, José Ferreira de Jesus participou nas campanhas portuguesas em Moçambique e a sua memória é associada, pelos descendentes, à captura de Gungunhana.
A Assembleia de Freguesia de Angeja aprovou, na sessão de 22 de setembro, a atribuição do nome Rua José Ferreira de Jesus (“O Suzano”) a um arruamento localizado entre a Rua das Marridas e uma propriedade privada. A proposta foi aprovada por unanimidade e será submetida à apreciação da Comissão Municipal de Toponímia.
José Ferreira de Jesus nasceu em Angeja, a 19 de novembro de 1873, onde foi batizado, casou e constituiu família, mantendo-se ligado à comunidade ao longo da vida. Ficou particularmente associado à carreira militar e à participação nas campanhas portuguesas em África, num período marcado pela expansão colonial portuguesa.
Segundo a memória transmitida pelos seus descendentes, José Ferreira de Jesus integrou as forças portuguesas que participaram na Campanha de Moçambique de 1895, no contexto da expedição militar comandada por Mouzinho de Albuquerque, que culminou, entre outros acontecimentos, na ação de Chaimite, onde foi capturado Gungunhana, imperador de Gaza.
Ao longo da carreira militar, José Ferreira de Jesus terá sido distinguido pelos serviços prestados, sendo-lhe atribuídas várias medalhas e condecorações, entre as quais a Medalha da Torre e Espada, a Medalha da Rainha D. Amélia e uma Medalha de Serviços Distintos e Relevantes no Ultramar.
José Ferreira de Jesus faleceu em Angeja, a 1 de outubro de 1958, aos 84 anos, e encontra-se sepultado no Cemitério da freguesia. “A memória de José Ferreira de Jesus, ‘Suzano’, permanece ainda hoje viva através dos seus descendentes e da tradição familiar que preservou a sua história”, pode ler-se no documento. A Junta considera que a atribuição do nome “constitui, deste modo, uma forma de homenagear a sua memória, reconhecer a sua ligação à terra e perpetuar junto das gerações futuras o conhecimento sobre uma personalidade que esteve ligada a um período marcante da história de Portugal”.
Na mesma sessão foram ainda aprovadas outras três novidades toponímicas. O presidente da Junta de Freguesia, Hélder Brandão, detalhou e explicou as alterações submetidas à apreciação da Assembleia. O Beco de Santo António, no Fontão, recebeu proposta de designação na sequência da passagem do arruamento de espaço privado para público, solicitada pela Câmara Municipal.
Por sua vez, a Rua da Azenha corresponde a um troço no Moinho do Ti Miguel, onde reside o atual proprietário, responsável pelo mais recente restauro do espaço, que é também a sua residência. Daí a necessidade de uma alteração toponímica que lhe confira uma morada. O nome proposto é referente à zona onde se insere o moinho, conhecida como zona da Azenha. O arruamento é atualmente um caminho de terra e será solicitado à Câmara Municipal o seu alcatroamento, indicou o presidente da Junta.
Já a Rua da Queimada corresponde ao troço entre a Rua do Soito e a futura Rua da Azenha, tendo o nome sido proposto em respeito pela memória coletiva associada ao caminho da Queimada.















