“A meu ver, a crise não se resolve com figuras salvadoras, trata-se de um problema estrutural que necessita muito mais do que simples respostas. Perante este cenário, é importante refletir o estado da representação política em Portugal. Sem a mesma, acentua-se o risco da normalização de um distanciamento que ameaça esvaziar o significado do voto e da participação democrática e em última instância, a própria democracia. Dia 8, faça valer o esforço de 74 e vote com consciência”
Texto de opinião de João Pedro Parreira, aluno de Ciência Política do ISCSP
A menos de alguns dias da decisão do futuro presidente da República Portuguesa, acentua se aquelas que são (à minha jovem memória) das eleições mais importantes que tivemos em imenso tempo. A figura de Presidente, é de alguém que representa o nosso país e de quem garante o funcionamento da nossa democracia, não de alguém que magicamente vai solucionar todos os problemas presentes na sociedade.
Estas eleições surgem numa altura aonde Portugal vive num panorama político muito diferente do que era o de 2016, quando Marcelo foi eleito. Começando na diversidade de candidatos ao longo de todo o espectro político, evocando assim uma previsão inicial (que se veio a provar) de fragmentação por parte tanto do eleitorado mais à esquerda, ao centro e à direita. Prevendo assim a possibilidade de uma inevitável 2.ª volta.
E cá estamos, dia 8 vamos exercer o nosso direito de voto, outra vez. De um lado, temos António José Seguro, um candidato que no seu discurso se apresenta como um candidato da moderação, do humanismo, do progressismo e que quer ser o Presidente de todos os portugueses. Do outro, André Ventura, que ao longo do anos vem causando uma repercussão nunca antes vista no sistema político português. A sua candidatura acaba por ser a personificação do descontentamento por parte dos eleitores.
No entanto, reduzir isto a apenas dois nomes seria ignorar o meu objetivo principal com este texto que é a atual crise de representação na política portuguesa. A fragmentação que referi por parte dos eleitores não surge apenas da grande diversidade de candidatos, surge do claro distanciamento entre o eleitorado e o sistema político. Muitos não se sentem representados, encarando a política como algo incapaz de resolver os seus problemas. Com isso, os que se afirmam como anti-sistema ganham voz, sendo a voz do protesto e da rejeição.
A meu ver, a crise não se resolve com figuras salvadoras, trata-se de um problema estrutural que necessita muito mais do que simples respostas. Perante este cenário, é importante refletir o estado da representação política em Portugal. Sem a mesma, acentua-se o risco da normalização de um distanciamento que ameaça esvaziar o significado do voto e da participação democrática e em última instância, a própria democracia.
Dia 8, faça valer o esforço de 74 e vote com consciência.
















