Do salto com o pé direito às 12 passas: as superstições que marcam a entrada no Ano Novo

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New Year 2026 Numbers made with Glowing Sparklers on Dark Background.

Foto: DR

À meia-noite, do dia 31 de dezembro para 1 de janeiro, Portugal salta, come passas e faz barulho. A superstição vai dar as boas-vindas a 2026


À medida que o relógio se aproxima da meia-noite e 2026 espreita no horizonte, há algo que une portugueses de norte a sul do país: a vontade quase supersticiosa de começar o novo ano com o pé direito — literalmente. Entre passas, saltos, barulho e roupa interior estrategicamente escolhida, a passagem de ano continua a ser um verdadeiro ritual coletivo onde a tradição, a esperança e uma boa dose de humor caminham lado a lado.

Em Portugal, a noite de 31 de dezembro é muito mais do que fogo de artifício e espumante. É um momento carregado de simbolismo, em que pequenos gestos prometem grandes recompensas para os 365 dias que se seguem. A mais conhecida das tradições acontece ao som das 12 badaladas: comer 12 passas — ou uvas, para os mais internacionais ou esquisitos — enquanto se fazem 12 desejos, um para cada mês do ano. Entre quem se atrapalha a mastigar e quem perde a conta às badaladas, a verdade é que o ritual se mantém firme, mesmo entre os mais céticos.

Há quem suba a uma cadeira ou a um pequeno banco para, à meia-noite em ponto, saltar com o pé direito. O gesto simboliza a entrada positiva no novo ano e o desejo de “subir na vida”, seja a nível pessoal, profissional ou financeiro. E, já que se fala em dinheiro, não pode faltar uma nota, algumas moedas no bolso ou na mão no momento da viragem do ano. Diz a tradição que começar o ano com dinheiro é meio caminho andado para que ele não falte ao longo de 2026.

Outro detalhe que não é deixado ao acaso é a escolha da roupa interior. Em Portugal, o azul é a cor da saúde, sorte e tranquilidade, e deve ser estreada na noite de Réveillon para reforçar os efeitos positivos. Há quem acrescente outras cores, consoante os desejos: vermelho para o amor, amarelo para a prosperidade ou branco para a paz. O importante é que seja novo.

À meia-noite, o silêncio não é bem-vindo. Em várias zonas do país, ainda se mantém o hábito de fazer barulho com panelas, tampas ou loiça velha. O objetivo é espantar maus espíritos, energias negativas e tudo aquilo que se prefere deixar em 2025. Em contraste, também se abrem portas e janelas e se acendem todas as luzes da casa, num convite simbólico para que a sorte, a saúde e a felicidade entrem sem pedir licença.

Claro que nenhuma passagem de ano fica completa sem um brinde com espumante. Erguem-se os copos, trocam-se abraços, fazem-se promessas e, por breves instantes, acredita-se que tudo é possível. 

Nas zonas costeiras, há ainda quem leve a tradição mais longe e enfrente o frio para tomar o primeiro banho do ano no mar no dia 1 de janeiro. Acredita-se que o mergulho gelado renova energias e garante força e vitalidade para os meses seguintes — embora nem todos tenham coragem para o confirmar.