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Testo quer fazer de Albergaria um dos três pilares do grupo

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Há um ano, a Testo abriu as portas da nova unidade na Zona Industrial de Albergaria-a-Velha com a ambição de transformar Portugal num dos três pilares da sua operação internacional. Um ano depois da inauguração, a fábrica já cresceu em linhas de produção, trabalhadores e áreas de desenvolvimento e a empresa prepara-se para mais do que duplicar a faturação no próximo ano. Emanuel Fontes, Plant Director da Testo Portugal, diz que o balanço destes primeiros meses é “muito positivo”.

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A 25 de setembro de 2025, o Grupo Testo, com sede em Titisee-Neustadt, no sul da Alemanha, inaugurou oficialmente as instalações portuguesas, num investimento de 44 milhões de euros. A escolha de Albergaria-a-Velha surgiu no âmbito da estratégia do grupo para diversificar e tornar mais resiliente a sua cadeia de produção e abastecimento, até então concentrada sobretudo na Alemanha e na China.

A decisão não foi tomada apenas pela localização geográfica. Segundo Emanuel Fontes, foram avaliados diferentes critérios e Albergaria “acabou por reunir um conjunto de vários fatores” considerados importantes para o projeto, destacando a proximidade dos principais eixos rodoviários do país, o fácil acesso a Espanha, ao Porto e aos portos de Leixões e Sines, bem como a proximidade de vários centros urbanos e universidades.

A localização permitia, assim, aproximar a empresa de diferentes polos de recrutamento e, simultaneamente, garantir boas condições logísticas. Mas houve outro elemento que o responsável considera relevante: a relação estabelecida com o Município de Albergaria-a-Velha.

“Eu tive uma ótima experiência com a Câmara Municipal de Albergaria”, afirma Emanuel Fontes, recordando sobretudo a fase que antecedeu a inauguração. Para o responsável, a atitude da autarquia foi “determinante” e traduziu-se num apoio que ultrapassou a instalação física da empresa. “Mais do que o interesse, há aqui muito boa vontade”, resume.

Um ano de crescimento

Se a inauguração marcou o início oficial da operação, os meses seguintes trouxeram uma transformação rápida dentro da fábrica. A unidade arrancou com seis linhas de produção, 10 operadores e 11 pessoas nas áreas de apoio. No final de agosto de 2026, já eram nove linhas de produção e 42 trabalhadores.

“Nota-se o crescimento. Era aquilo que tínhamos e queríamos fazer”, sublinha Emanuel Fontes, que considera que a evolução está alinhada com os objetivos definidos para esta primeira fase.

Também a área de desenvolvimento ganhou dimensão. O número de pessoas dedicadas a esta área passou de duas para 10, um crescimento que o responsável interpreta como um sinal do investimento que a Testo pretende fazer em Portugal.

A capacidade instalada da fábrica, contudo, ainda está longe de ser totalmente utilizada. E isso não significa que exista falta de encomendas. “Estamos muito longe da capacidade instalada”, explica o Plant Director, acrescentando que a produção é naturalmente condicionada pela procura. “Estamos a satisfazer todas as encomendas dos clientes e o balanço deste primeiro ano é muito positivo.”

250 postos de trabalho até 2030

Um dos números associados desde o início ao projeto Testo em Albergaria-a-Velha foi o dos 500 postos de trabalho. O investimento da Testo em Albergaria-a-Velha foi concebido para responder ao crescimento da empresa a médio e longo prazo.

As instalações já têm capacidade para acolher até 500 trabalhadores, distribuídos entre as áreas de escritórios e de produção, estando já definido um plano para alcançar pelo menos 250 postos de trabalho já em 2030.

A estratégia passa por um crescimento faseado e sustentado, com a ambição de ocupar progressivamente todo o espaço disponível nas instalações. A concretização desse objetivo acompanhará a evolução do mercado e a expansão da atividade da Testo.

“O crescimento posterior dependerá sobretudo da evolução do mercado. Se os produtos e serviços da Testo continuarem a conquistar procura”, mencionou, acrescentando que existe espaço físico e operacional para aumentar a dimensão e capacidade da unidade.

E os objetivos financeiros também são ambiciosos. O plano é atingir break even em apenas 4 anos, partindo de uma faturação de cerca de quatro milhões de euros em 2026 e ultrapassando os 40 milhões de euros de faturação em 2030.

“Nós não somos uma operação lucrativa neste momento.”, esclarece Emanuel Fontes. A atual fase é, por isso, marcada pelo investimento e pelo crescimento sustentado, “com a expectativa de colher os frutos deste investimento nos próximos anos”.

Albergaria como um dos três pilares

Mais do que uma fábrica destinada a produzir alguns dos equipamentos do grupo, a unidade portuguesa tem uma função estratégica na estrutura internacional da Testo.

O grupo assenta atualmente em três localizações consideradas fundamentais para a sua estratégia: Alemanha, China e Portugal. A intenção é que Albergaria-a-Velha se torne num desses três pilares, não apenas na produção, mas também no desenvolvimento e nos serviços.

“Se a Testo Portugal não existisse, o Grupo Testo não conseguiria implementar a sua estratégia de reforçar a resiliência das cadeias de abastecimento”, afirma Emanuel Fontes.

A diversificação surgiu precisamente como resposta aos riscos associados à concentração da produção. Problemas logísticos, instabilidade política ou acontecimentos capazes de interromper rotas comerciais demonstraram, nos últimos anos, a vulnerabilidade das cadeias de abastecimento internacionais.

É neste contexto que Portugal ganha importância. A intenção passa por reduzir a dependência de uma única origem e criar capacidade para que determinados produtos possam ser produzidos em mais do que uma localização.

“Diminuir os riscos” é, nas palavras do responsável, uma das ideias centrais desta estratégia.

Portugal – produção e impacto local

A transferência de produção para Albergaria não acontece de um dia para o outro. A prioridade inicial foi instalar a fábrica, colocar as linhas a funcionar, formar trabalhadores e estabilizar os processos. A incorporação de componentes portugueses surge numa segunda fase.

“Primeiro, instalar as linhas, instalar o site, treinar as pessoas e depois, em paralelo, começar a garantir o fornecimento de componentes a partir de fornecedores localizados em Portugal e na Europa”, explica Emanuel Fontes.

Por enquanto, a unidade ainda não tem incorporação de componentes portugueses na produção. A empresa está, contudo, a começar a procurar oportunidades para adquirir localmente alguns materiais. Um dos primeiros exemplos será o cartão utilizado nas embalagens, mas também já há planos para as pelas de plástico e alguns componentes mecânicos, que deverão passar a ser comprados em Portugal.

O impacto económico local faz-se sentir, por enquanto, sobretudo através dos serviços. Manutenção, gestão de resíduos, alimentação, limpeza e outros serviços necessários ao funcionamento diário da unidade são assegurados por empresas portuguesas, algumas delas instaladas no próprio concelho.

“Do ponto de vista de serviços, sim”, responde Emanuel Fontes quando questionado sobre o impacto da empresa na economia local. A contratação desses serviços gera, por sua vez, atividade económica e emprego indireto.

Também o recrutamento tem aproximado a empresa da região. Entre os operadores, a maioria reside num raio de cerca de 20 a 30 quilómetros da fábrica. Já as funções de apoio, escritório e desenvolvimento têm uma área de recrutamento mais alargada.

“É nos operadores que se nota impacto na economia local, porque esses, sim, maioritariamente são de perto”, explica.

Dentro das instalações de Albergaria-a-Velha são produzidos diferentes equipamentos de medição da Testo. Entre eles encontram-se instrumentos destinados à medição de pressão e temperatura, utilizados em sistemas de refrigeração e aquecimento, sondas e registadores de temperatura ou humidade.

A gama produzida em Portugal deverá, contudo, continuar a crescer “com a introdução progressiva de novos produtos”,  adianta o responsável.

A unidade portuguesa terá, assim, um papel progressivamente maior dentro da rede internacional, à medida que novas linhas, produtos e competências forem transferidos para Portugal.

Um ano promissor 

Para Emanuel definir o primeiro ano da Testo em Albergaria numa palavra “não é tarefa fácil”.

“Foi um ano muito intenso”, começa por dizer, lembrando a dificuldade de “montar uma operação do zero”. A intensidade foi acompanhada por um ritmo acelerado de mudança. A fábrica nasceu, as equipas foram recrutadas e formadas, as linhas começaram a produzir e, em apenas um ano, a estrutura aumentou de forma significativa.

Mas o balanço não se fica pelo esforço. Há também satisfação e confiança nas pessoas que construíram a operação. “Tivemos aqui vários desafios, mas, as pessoas que nós contratámos estiveram à altura, e às vezes até mais do que à altura, e tivemos uma rede de suporte muito grande, incluindo os colegas que trabalham para o grupo Testo a partir da Alemanha e da China, que nos deixa com muita satisfação”, afirma.

“Diria que este foi um ano promissor. Pela nossa evolução, mas também porque acredito que nós vamos ter um futuro muito interessante”, diz Emanuel Fontes. 

A Testo Portugal continuará a avaliar necessidades de recrutamento nas áreas de produção, desenvolvimento e suporte. A empresa pretende reforçar a sua ligação ao mercado de trabalho local e valoriza candidatos interessados em integrar uma operação industrial internacional em expansão.

“Se o primeiro ano serviu para criar bases, os próximos deverão servir para consolidar e ampliar a operação”, termina. 

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