O partido não apresenta candidato à Junta de Freguesia de Angeja para as autárquicas de 2025. Carlos Coelho, na corrida para a presidência da Câmara Municipal, apresentou os três grandes eixos do projeto do CDS-PP: desenvolvimento económico, reforço das respostas sociais e culturais e aposta no Ambiente e Sustentabilidade.
O CDS-PP, atual executivo municipal, em maioria na Assembleia Municipal e com presidência de Junta em cinco dos seis órgãos de poder local, apresentou a totalidade dos candidatos às eleições de 2025, na noite de 2 de julho, no Cineteatro Alba. Com todos os rostos previamente anunciados de forma individual, o partido avançou que, este ano, não irá apresentar candidato à JF de Angeja.
“É com a humildade de quem reconhece o mérito dos outros que não iremos apresentar nenhuma candidatura. No entanto, a força do CDS continuará a ser sentida na freguesia, onde fizemos a Unidade de Saúde [USF Beira-Vouga], iremos devolver uma Academia de Desporto e obras na escola”, disse Henrique Caetano, presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP de Albergaria-a-Velha.
Henrique Caetano, também presidente da Junta de Freguesia (JF) de Ribeira de Fráguas, afirmou ser com “grande emoção” que via a casa cheia com “juventude em peso” e “olhares atentos”. O autarca assegurou que o partido avança “para uma fase de transição com o empenho inicial, com os mesmos valores, princípios e, sobretudo, com a mesma forma de estar: a colocar as pessoas sempre em primeiro lugar”.
Neste sentido, elogiou o mandato de António Loureiro, atual presidente da Câmara Municipal de Albergaria e candidato à Assembleia Municipal, pelos três mandatos que cumpriu. “Ficará na história como um dos percursos mais próximos de sempre”, reforçou Henrique Caetano. A Jorge Lemos, que está de saída após 12 anos como presidente da JF de Albergaria-a-Velha e Valmaior, pediu uma salva de palmas e assegurou que o legado não será esquecido.
“É preciso ter coragem para ser autarca, não é uma tarefa fácil, mas os melhores estão certamente à altura”, agradeceu a todos os candidatos. “Avançamos com equilíbrio, dedicação e confiança. Quando muitos achavam que estávamos atrasados, somos os primeiros a apresentar uma equipa completa, coesa e preparada”, frisou Henrique Caetano.
Projetos de continuidade
Sandra Marcelino é aposta do partido para a JF da Branca. Os anos de experiência como secretária do atual presidente Carlos Coelho, agora na corrida para a presidência da Câmara Municipal, mostraram que “longe dos holofotes também se faz um grande trabalho” e conferem à candidata “dinâmica, experiência e elevação” nas palavras de Henrique Caetano.
A própria afirmou ser com “humildade e confiança” que aceitou o desafio. A Carlos Coelho agradeceu por ter sido “amigo e companheiro de projetos, um presidente sempre presente e atento”. Os quatro anos passados no executivo da Junta foram, para Sandra Marcelino, de orgulho e aprendizagem. “Conheço bem o que foi feito e as necessidades que ainda se fazem sentir. Sobretudo, conheço os rostos e os problemas de cada um”, acrescentou a candidata.
Sobre quem deseja que se encarregue da sucessão a Ribeira de Fráguas, Henrique Caetano elogiou Liliana Araújo por lhe permitir deixar o cargo com “confiança, orgulho e de coração leve”. Henrique Caetano descreveu Liliana Araújo como “uma mulher de princípios, trabalho e de palavra; uma pessoa contente, sensível, firme e com amor à nossa terra, de uma incrível força tranquila e serena”, assegurou.
Na primeira pessoa, a candidata começou por agradecer a Guilherme Pereira e Milena Almeida por fazerem parte da sua equipa à Junta. “A nossa freguesia já não é o parente pobre que fica nos confins do concelho. Agigantámo-nos graças à força de todos. Esta é a continuidade que todos queremos e que todos merecemos”, afirmou Liliana Araújo.
Ana Maria Bastos, candidata à JF de São João de Loure e Frossos, foi descrita por Henrique Caetano como “uma mulher de garra e sempre pronta para ir à luta”. A atual presidente da Junta a que se recandidata, afirma avançar com o mesmo sentido de missão.
“Cuidar, manter, apoiar e resolver são responsabilidades da JF e é precisamente isso que vamos fazer. Gostaria de ter feito muito mais e é por isso que aqui estou. Volto a candidatar-me com humildade e a consciência tranquila de quem nunca virou a cara ao trabalho, mas ciente de que ainda há muita margem para melhorar”, comprometeu-se Ana Maria Bastos.
Legado que guia
A Joaquim Manuel de Barros Pinto da Silva, mais conhecido por Quima, candidato a Albergaria-a-Velha e Valmaior, Henrique Caetano lembrou o pesado legado que carrega, vindo de Jorge Lemos, e reforçou a confiança no candidato. “Quando conversámos sobre este projeto, em menos de 5 minutos percebi que tinhas o essencial: vontade de fazer”, sintetizou o presidente da concelhia.
Quima agradeceu a confiança do partido e do povo e lembrou o percurso do atual presidente da Junta como pautado pela “dedicação, honestidade e compromisso; um legado que nos orgulha e nos guia”, nas palavras do candidato.
Joaquim Manuel lembrou a profunda relação que tem com Albergaria. “Esta terra deu-me infância, juventude, oportunidades e, sobretudo, uma família. De tudo o que sou hoje, muito se deve a este sítio. Reconheço que a minha tarefa não é fácil, mas tenho ao meu lado gente de trabalho e próxima da sua comunidade”, agradeceu o candidato a Albergaria-a-Velha e Valmaior.
A António Duarte, candidato à JF de Alquerubim para o terceiro mandato, Henrique Caetano elogiou a autenticidade e felicitou a continuação de Carla Abreu no executivo local. “Foi um homem que não precisou de redes sociais para chegar às pessoas. Esteve no terreno, junto dos seus, com mangas arregaçadas e vontade de trabalhar”, elogiou Henrique Caetano.
António Duarte lembrou Mário Branco, atual presidente da Assembleia Municipal, como alguém que o marcou na sua “história política” e para António Loureiro “não há palavras” apenas gratidão pelos ensinamentos e amizade.
Aos vereadores e vereadoras, pediu desculpa pelas “discordâncias necessárias quando todos querem o melhor para as suas freguesias”. Em tom descontraído, deu as boas-vindas à “caloira” Liliana Araújo e fez notar que este é um projeto autárquico onde predominam candidaturas lideradas por mulheres. “Alquerubim mudou muito, mas ainda há muito por fazer. Alquerubim merece ser uma freguesia com mais serviços, acessibilidades e mais obras”, concluiu o autarca.
“Obrigada pela oportunidade”
António Loureiro, a discursar como candidato à Assembleia Municipal, começou por elogiar Henrique Caetano como “o coração do CDS em Albergaria” e Quima como o próximo Henrique Caetano. A Carlos Coelho, quem deseja ver como seu sucessor, gabou a energia que parece não ter fim.
“Hoje, estou aqui com a seriedade que um presidente da Assembleia Municipal deve ter. Ao longo do meu percurso, sei que não fiz tudo bem. Há ainda muita obra por fazer e quero que seja o Carlos a dar-lhe continuidade”, reforçou o edil.
À atual vereação, que deverá manter-se com poucas alterações, como foi sendo aludido ao longo da noite, desejou, em tom de brincadeira, que tenham a paciência que o próprio teve para Carlos Coelho. O atual candidato à presidência da autarquia foi, por várias vezes, apelidado de “chato” na luta por melhores condições para a Branca, com um carinho raramente empregue ao adjetivo.
António Loureiro assumiu que nem sempre esteve de acordo com a vereação e reflete nos momentos de atrito como essenciais para o desenvolvimento do território. “É nas divergências que se desenvolvem empresas, municípios e coletividades. Foi um orgulho servir Albergaria. Obrigada pela oportunidade”, despediu-se.
O presidente da Câmara afirmou-se grato por ter tido “a sorte de estar sempre rodeado de pessoas que sabem mais” do que o próprio, nas suas palavras. Para a Assembleia Municipal, afirmou levar os ensinamentos de Mário Branco e quer ver nas sessões “mais juventude e mais pessoas que nunca tiveram atividade política”.
Eixos programáticos
Carlos Coelho, líder do projeto ‘Albergaria com Andamento’, começou por agradecer à família e à equipa que o acompanhou nos três mandatos na Freguesia da Branca, “um período de entrega total à causa pública”.
O candidato partilhou com a audiência que cresceu atrás do balcão da mercearia dos pais, construiu uma firma com os irmãos, fez parte de um rancho local, jogou futebol e futsal, integrou a direção do Sport Clube Alba e desempenha funções na AFA – Associação de Futebol de Aveiro, que irá suspender para avançar com a candidatura. “Sou inconformado por natureza. Acho que podemos sempre fazer mais e melhor”, sintetizou Carlos Coelho.
Com elogios ao ainda presidente da Câmara, a quem assegurou que irá saber “honrar as bases deixadas”, Carlos Coelho apresentou os três principais eixos do programa: Desenvolvimento Económico; Desenvolvimento Social e Cultural; Ambiente e Sustentabilidade. O primeiro compromete-se a “dar continuidade à atração de investimento para o concelho, apoio às empresas para que cresçam e um esforço para fixar a juventude”.
O Desenvolvimento Social e Cultural visa uma aposta forte na resposta ao problema da Habitação, com Albergaria a ser exemplo nacional na resolução da crise – por exemplo, como foi anunciado, com apoios de incentivo à construção.
Na vertente da Cultura, Carlos Coelho expressou vontade de “devolver a rua às pessoas”, pedindo mais dinamismo no concelho, aproveitando a vasta atividade associativa de que o território é dotado. No campo do Desporto, “temos o talento e os equipamentos, agora falta dar o salto”, disse o candidato, expressando vontade de realizar provas de referência regional, nacional e internacional. “Queremos criar uma identidade cultural viva e capaz de agregar todas as gerações”, sintetizou Carlos Coelho.
O Ambiente e Sustentabilidade irão materializar-se em “apostas fortes no turismo de natureza e mobilidade sustentável”, disse o autarca. “Não trabalhamos para agendas políticas, mas pelas pessoas. Juntos, queremos criar uma sociedade mais forte, próxima e justa. Todas as opiniões contam e as diferenças são sempre bem-vindas”, terminou Carlos Coelho.
António Loureiro reforçou a mensagem, lembrando que “este não é um projeto de CDS, é uma candidatura de pessoas de várias sensibilidades políticas; 80% das pessoas não são do partido e não temos problema nenhum em dizê-lo – somos uma candidatura de pessoas e é isto que faz a diferença”, reforçou o atual presidente da Câmara.
Nacional ao lado de Albergaria
Para além da presença dos deputados João Almeida e Pedro Magalhães, Nuno Melo, presidente do CDS-PP, deixou uma mensagem gravada em vídeo na qual teceu largos elogios à atuação dos autarcas albergarienses, sobretudo António Loureiro, “elogiada no partido muito para além do concelho”, como disse.
João Almeida afirmou que se não estivesse ali em representação do partido estaria pelos candidatos que conhece por nome. “Isto constrói-se com anos e anos de trabalho, não é em campanha eleitoral”, afirmou. O deputado demonstrou-se grato pelo que tem sido feito em Albergaria em nome do CDS e afirmou que a Nacional irá “fazer tudo para que a Albergaria continue a andar para a frente”.
O deputado, natural de São João da Madeira, num tom mais pessoal, partilhou um pouco da ligação emocional que tem vindo a desenvolver com Albergaria. “Lembro-me de levar a minha filha de carrinho de bebê para o Festival do Pão e o meu filho viu alguns dos seus primeiros concertos no Albergaria ConVida”, contou.
Diana Rebelo Tavares, vice-presidente da Juventude Popular, lembrou que os jovens estão tão desligados da política quando a política se desliga deles, deixando um apelo à sua geração para que se envolva mais e à geração predominante na política para que ouça mais os jovens. “Quando nos dão espaço, nós aparecemos. Quando nos ouvem, nós falamos”, resumiu a vice da juventude partidária do CDS-PP.




















































