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‘Etnográfico’ dá primeiros passos para criação de museu e escola de música

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O mais recente projeto do Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha implica uma mudança de sede, onde terão espaço para transformar o enorme espólio num museu, ensinar música e chamar a comunidade escolar a conhecer as raízes da terra e a atividade da associação.  

Um lugar onde o espólio de milhares de peças vira Museu Etnográfico, um espaço para ensaiar com melhores condições, o nascimento de uma escola de música que ensine os instrumentos do rancho – como acordeões, violas e cavaquinhos – e um ponto de interesse para visitas de estudo são os ingredientes centrais para o mais recente projeto do Grupo Folclórico e Etnográfico de Albergaria-a-Velha.

O plano será financiado por uma candidatura regional que está a ser feita com o apoio do Gabinete InovAção – Promoção de Projetos de Investimento, recentemente criado pela Prave, em parceria com a Adritem, para ajudar coletividades e associações a navegar a burocracia associada a este tipo de apoio.

Para avançar com o projeto, o Etnográfico terá de se despedir da atual sede, o antigo matadouro da Rua Serpa Pinto. Com mais espólio que espaço, infiltrações de água nas paredes e inundações no local de ensaios, o grupo olha com esperança para esta nova etapa, mas reconhece esta fase como embrionária.

A candidatura acaba de ficar completa após a aprovação, em reunião de Câmara desta quinta-feira, de um espaço para a nova sede. O grupo passará, em breve, para o “pavilhão 5 do prédio urbano sito em Cavadas — Assilhó”, nos antigos armazéns da SCARP – Sociedade de Construções e Obras Públicas.

“Tudo isto tem um nome”

Na nova sede haverá espaço para tudo e até possibilidade de ensaiar no exterior, como fez notar Fernando Soares Silva, presidente da Assembleia do grupo e um dos fundadores. Juntamente com Sérgio Coelho, presidente da coletividade, mostraram-nos parte do espólio que ainda descansa, bastante apertado, na sede da Serpa Pinto.

O novo espaço museológico estará igualmente aberto para que outros grupos possam expor património próprio. Do lado do rancho, para a exposição permanente e central, não faltarão peças: desde uma coleção única de botões até à charrua e respetiva canga para abrir regos na terra com ajuda de força animal, que se ergue num parapeito à entrada da sede; passando por um raro nível de madeira e talheres de cabo de osso, fabricados em Guimarães.

Um esmagador de uvas da marca Alba, redes de pesca à antiga, bilhas para o leite, máquinas a petróleo e gasómetros, saca-rolhas de madeira, almudes e canados para o vinho, um semeador com dois separadores – “um para o milho, outro para o feijão; que se plantavam juntos”, como explicava o sr. Fernando – e uma grade com dentes de madeira para abrir espaço para as sementes e alisar a terra são apenas algumas das raridades que se encontram na sede do grupo.

O rancho tem ainda, entre muitas outras peças, mobília de quarto e cozinha que ainda resiste ao tempo e instrumentos musicais a quem a antiguidade não extinguiu o pio. Há também trajes de outros tempos, lenços e véus; bem como inúmeras gadanhas, uma foice para fazer a “empalhada” para os animais e até planitos – uma peça de tecido rijo feita para proteger a parte inferior das pernas.

Entre milhares de objetos, Fernando Silva lembra que “tudo isto tem um nome” e que esta rigorosa catalogação terá de ser feita antes da abertura do Museu. “Vai dar muito trabalho”, confessa. Mas, vontade não lhes falta.

Aprovado por maioria

O contrato de comodato a celebrar com o grupo para a passagem para a nova sede e espaço museológico foi aprovado por maioria na sessão camarária, com quatro votos a favor do CDS-PP e três abstenções da oposição PSD/IL.

Em declaração de voto, a coligação expressou preocupação com o futuro da atual sede do grupo, considerando que a ligação da coletividade ao espaço é parte da história de ambos. “Tal como outras coletividades representam as suas próprias zonas e são indissociáveis do território onde nasceram, também este grupo encontra na sua localização um elemento estruturante da sua identidade”, argumentou a coligação.

Em declaração de voto, a coligação expressou preocupação com o futuro da atual sede do grupo, considerando que a ligação da coletividade ao espaço é parte da história de ambos. “Tal como outras coletividades representam as suas próprias zonas e são indissociáveis do território onde nasceram, também este grupo encontra na sua localização um elemento estruturante da sua identidade”, argumentou.  

Para além disso, apesar de reconhecer “o papel essencial do movimento associativo cultural na preservação da identidade do concelho” e a “ambição legítima de crescimento”, a coligação PSD/IL questionou se estariam asseguradas “condições para garantir tratamento equitativo a todas as coletividades” – especificamente, se todas têm sede e/ou se todas as sedes têm condições para o desenvolvimento das respetivas atividades.

O vereador informou que “o Município está a trabalhar num Regulamento de Apoio ao Movimento Associativo, onde um dos pontos contemplados passa precisamente pela utilização de espaços municipais por parte das coletividades” e que “cada pedido será analisado individualmente”.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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