“Sabia que mais de 70% dos incêndios têm origem humana?! Isto não significa obrigatoriamente que é origem humana dolosa, pode ser origem humana pelo uso incorreto do fogo”. Foi este o ponto de partida da ação de sensibilização “Floresta Segura 2020”, que decorreu na noite do passado dia 27 de fevereiro, no salão da Junta de Freguesia de Ribeira de Fráguas.
Depois dos incêndios de 2017 ocorridos em Portugal, que constituíram uma das maiores devastações de que existe registo no âmbito dos incêndios florestais, a preocupação em consciencializar os cidadãos para uma real perceção do risco de incêndio florestal e das consequências que podem advir do uso indevido do fogo é uma prioridade. Foi neste sentido que decorreu, na noite do passado dia 27 de fevereiro, no salão da Junta de Freguesia de Ribeira de Fráguas, a ação de sensibilização “Floresta Segura 2020”. A iniciativa, que visa garantir a segurança dos cidadãos, do património e salvaguardar a floresta foi promovida pela GNR – Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente do Núcleo de Proteção Ambiental, em parceria com o Município de Albergaria-a-Velha, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, a Associação Florestal do Baixo Vouga e da Polícia Judiciária.
Utilizando uma frase já conhecida “uma floresta sem incêndios depende de todos nós” o inspetor da PJ Jorge Gulomar, solicitou que todos os cidadãos contribuam para florestas mais seguras. Relembrou, que “todos os grandes incêndios começam com uma chama pequena. É preciso ter muito cuidado. Os incêndios de hoje não são os incêndios de há 10 ou 15 anos. Atualmente os fogos desenvolvem-se com outra violência”. Como tal, “se houver sítios em que se apercebam que há risco de fogo ou alguma situação suspeita comuniquem de imediato ao Município ou às autoridades. (…) Não estamos a pedir que acusem ninguém. Por vezes há a questão do anonimato. O importante é saber o que aconteceu, colaborar com as autoridades. E há essa possibilidade, de dar informação de forma anónima”, evidenciou.A propósito, Albano Ferreira, 2º Comandante dos Bombeiros de Albergaria, afirmou que, “de fato, temos de um bocadinho polícias uns dos outros e no, fundo, com isso estamos a proteger-nos uns aos outros. Ao não queremos divulgar algo suspeito podemos estarmo-nos a prejudicar a nós e a muitas outras pessoas”.
2 freguesias do concelho têm risco elevado de incêndio
O Governo divulgou, no passado dia 26 de fevereiro, a lista das freguesias com risco elevado de incêndio florestal e que são prioritárias para limpeza de combustível.
O despacho – assinado pelos secretários de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, e da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território, João Catarino, e publicado no dia 26 de fevereiro em Diário da República – define também os prazos para a realização das ações de fiscalização que devem incidir sobre as áreas prioritárias.
No total, são 1114 freguesias com risco elevado de incêndio, sendo duas delas do concelho de Albergaria-a-Velha, nomeadamente a freguesia de Ribeira de Fráguas e Branca.
A propósito, António Loureiro, Presidente da Câmara de Albergaria, alertou durante a ação, que Ribeira de Fráguas e Branca são consideradas o “pulmão do nosso município” e a mancha verde do concelho é algo que a autarquia quer preservar. “Esta zona aflige-nos imenso. Há um esforço de várias partes para a tentar preservar”. Como tal é “importante que todos nós sejamos vigilantes da floresta” e evitemos males maiores.
Queimas e Queimadas
As queimas e queimadas são também situações que preocupam as autoridades. Neste sentido, é importante esclarecer que por queimadas entende-se o uso de fogo para renovação de pastagens e eliminação de restolho e ainda, para eliminar sobrantes de exploração cortados mas não amontoados; enquanto a queima se associada ao uso de fogo para eliminar sobrantes de exploração, cortados e amontoados.
As queimadas só são permitidas após autorização do município e têm de ser acompanhadas. Para realizar uma queima é obrigatório ter autorização ou fazer comunicação prévia à autarquia local.
Datas a reter:
– 15 de março é a data limite para limpeza de terrenos.
– Até 31 de maio os trabalhos de gestão de combustível têm que ser realizados na rede viária, ferroviária, linhas de transporte e distribuição de energia elétrica em muito alta tensão e em alta, linhas de distribuição de energia elétrica em média tensão e rede de transporte de gás natural.
– Depois desta data começam as ações de fiscalização. Os valores das coimas para pessoas singulares começam nos 280 € e nos 3000€ para pessoas coletivas.
– Período crítico: de 1 de julho a 30 de setembro. Durante este período há algumas proibições, como por exemplo fazer queimas e queimadas, fumar em espaços florestais. Foguetes e outras formas de fogo são proibidos. Fogo-de-artifício e artefacto pirotécnicos estando sujeitos a autorização prévia por parte da Câmara.
















