Moradores do Fontão manifestam-se contra ruído e descarga de inertes

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Os habitantes da Rua da Gândara queixam-se do impacto ambiental das descargas de inertes de cimento feitas no local e do barulho que não deixa dormir os moradores. A Câmara afirma não ter aprovado qualquer licença especial de ruído para a atividade. A empresa referida na queixa apresentada às autoridades assegura que os trabalhos não foram realizados durante a noite.

Na Rua da Gândara dorme-se mal há, pelo menos, quatro noites. Da meia-noite às duas da manhã, desde segunda-feira, 17 de novembro, que os moradores do Fontão, em Angeja, reclamam de descargas de inertes de cimento feitas num terreno inserido em zona residencial. Os habitantes queixam-se do ruído provocado pelos trabalhos e do impacto ambiental deste tipo de descarga em áreas de habitação.

O caso foi levado à reunião de Câmara de quinta-feira (20) por um grupo de moradores da Rua da Gândara. “As pessoas cumpriram regras ambientais e urbanísticas para construir as suas moradias e agora não conseguem dormir. Há moradores com problemas de saúde e oncológicos. Está a ser praticado terrorismo ambiental na zona do Fontão”, afirmou António Pinto, presidente da ADACE – Associação de Defesa do Ambiente Cacia-Esgueira.

Até esta noite, 20 para 21 de novembro, a situação permaneceu inalterada. Carlos Coelho, presidente da Câmara Municipal, afirmou não ter sido aprovada pela autarquia nenhuma emissão de Licença Especial de Ruído. Foram feitas, pelos moradores, queixas à GNR de Albergaria e ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente – informalmente chamado ‘GNR do Ambiente’.

Empresa responde

Na denúncia enviada à SPNA, a que o Jornal de Albergaria teve acesso, os moradores apontam ter avistado um camião de uma empresa local de transporte rodoviário de mercadorias e prestação de serviços à indústria.

O gerente, contactado pelo JA, negou que os trabalhos estivessem a ser realizados durante a noite pelos camiões da sua empresa, pelo que, recusou a necessidade de qualquer licença especial. Em relação à empreitada associada aos movimentos de material e à duração da mesma disse que iria contactar o chefe de obra. Num segundo contacto, não quis prestar declarações, mas afirmou que a empreitada se encontrava finalizada.

O JA questionou o empresário se a sua firma seria a única transportadora associada à obra e não obteve resposta. Pelo que, existe a possibilidade de os camiões não pertencerem todos à mesma empresa.

Sobre a descarga em zona habitacional, o dono da empresa afirmou que o terreno é do próprio e não vê problema nas descargas. Os moradores discordam. “Não temos nada contra as atividades económicas – trazem dinamismo e emprego – mas, têm de cumprir regras, têm de ir para as zonas industriais e não para as zonas residenciais”, defendeu António Pinto.

O presidente da Câmara Municipal afirmou que enviaria uma equipa ao local. Esta manhã, o representante da Associação de Defesa do Ambiente Cacia-Esgueira informou, contactado pelo JA, que a autarquia e o Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente já se haviam deslocado ao terreno.