Do executivo à oposição, foi unânime o aplauso à democracia, na última sessão de Assembleia Municipal antes das eleições autárquicas. Mário Branco, presidente do órgão de poder local, foi aplaudido por todos, elogiado pelo “respeito institucional, escuta ativa, equilíbrio e procura de consensos” e por ter elevado a Assembleia “a um patamar ímpar”, num agradecimento coletivo pelo “valor inestimável do seu contributo para a democracia”.
Foto: Arquivo JA
A última sessão de Assembleia Municipal antes do ato eleitoral autárquico decorreu no passado dia 26 de setembro, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em tom de despedida e largos elogios a Mário Branco, o ainda presidente do órgão de poder local.
O CDS-PP, partido do executivo e pelo qual foi eleito Mário Branco, agradeceu ao autarca pela “imparcialidade e moderação” com que exerceu os mandatos, em pleno “respeito institucional, escuta ativa, equilíbrio e procura de consensos”, de forma “determinante para o bom funcionamento da Assembleia Municipal e consolidação do espírito democrático”.
Como medidas concretizadas que espelharam a postura elogiada pela bancada do CDS-PP, o partido enumerou: transmissão online das sessões, intervenção do público antes da Ordem do Dia para que a população não tenha de esperar até ao final da reunião para intervir e a descentralização das Assembleias para as freguesias do concelho.
O agradecimento estendeu-se ao “dinamismo trazido ao 25 de Abril”, que deu à madrugada que mudou Portugal “maior visibilidade, tornando-se num verdadeiro marco da vida coletiva do concelho, elevando a fasquia para as gerações vindouras”. A postura de “nunca interromper a atividade” regular da Assembleia durante a pandemia da covid-19, sem descurar no garanto de condições de segurança adequadas, foi igualmente lembrada.
“O legado do dr. Mário Branco é assim, para nós, um legado de verdadeiro humanismo e património de serviço público exemplar. O Município de Albergaria-a-Velha muito lhe deve pela forma como, durante 12 anos consecutivos, colocou o interesse público acima de qualquer interesse pessoal ou partidário. Todos aprendemos com o seu exemplo e reconhecemos o valor inestimável do seu contributo para a democracia”, reforçou o partido.
Mário Branco agradeceu os louvores e lembrou a importância das decisões tomadas em conjunto que acredita terem aproximado as pessoas da Assembleia, referindo-se, especificamente à realização de sessões fora do edifício da Câmara Municipal. “É importante que a população perceba a política como, essencialmente, um esforço coletivo para que o concelho se desenvolva”, afirmou o presidente, com esperança de que o povo se envolva de forma ativa nesta luta constante.
Despedida emotiva
Firmino Ruas Mendes, membro único do Partido Socialista na Assembleia Municipal, despediu-se do órgão com emoção, lembrando que está envolvido na vida autárquica desde 1976, ano das primeiras eleições locais, tempos dos quais lembra “o entusiasmo popular perante uma nova era de participação cívica”.
Nas palavras de Ruas Mendes, este é um momento que fica “na memória coletiva como símbolo de esperança” e concretização nacional do compromisso com os princípios democráticos de descentralização do poder.
O eleito pelo PS, agora candidato à Câmara Municipal, diz adeus à Assembleia com “gratidão e reconhecimento por todos os momentos de colaboração e empenho” partilhados, no quais procurou sempre contribuir “com responsabilidade, respeito e dedicação, acreditando na importância do trabalho coletivo para o bem da nossa comunidade”, afirmou.
Firmino Ruas Mendes assegurou levar consigo “os laços de amizade” criados ao longo dos anos, que deseja preservar para além da vida política, sendo “essa união aquilo que dá significado à nossa jornada”. A Mário Branco, o membro da Assembleia agradeceu “o tom amável e simpático” com que sempre foi tratado.
“A sua postura cordial e gentil faz toda a diferença nas nossas interações, criando um ambiente de respeito e consideração. A sua forma de liderar e de se relacionar transmite uma forte dedicação ao serviço público e um compromisso genuíno com a comunidade. Foi um privilégio poder contar com um conjunto de pessoas de tão elevado carácter e conhecimento”, agradeceu Ruas Mendes.
Mário Branco retribui o elogio, expressando gratidão a Firmino Ruas Mendes por “ter sido sempre parte da solução e nunca do problema”.
Fazer história
Licínio Pimenta, do PSD, despediu-se de “uma longa caminhada” na vida política, iniciada em 1993, lembrando a viagem como tendo sido de “muito trabalho, mas também de crescimento”. O social-democrata assegurou deixar o assento com “consciência tranquila e em paz, feliz por tudo o que foi feito” e na certeza de que o “interesse coletivo foi sempre colocado em primeiro lugar”.
O eleito assegurou que a retirada da vida política não significa que irá abdicar do direito, como cidadão, à participação na vida pública, com um agradecimento “à vida autárquica, pela oportunidade de sonhar, aprender e concretizar”, nas palavras do próprio.
“O que levo comigo são as pessoas, as equipas, as conversas, as decisões difíceis e os momentos de alegria partilhada. É esse património humano que me faz acreditar no futuro de Albergaria. Hoje, despeço-me com serenidade e alegria – o primeiro, porque saio com o sentimento de dever cumprido; e alegria porque sei que a vida autárquica continuará a ser espaço de proximidade e serviço à comunidade”, afirmou o eleito.
Sandra Marcelino, primeira secretária da Mesa da Assembleia, em despedida “de um capítulo muito importante” da sua vida, afirmou ter sido um percurso de aprendizagem e desafios. “Foi uma honra e um privilégio servir o nosso concelho neste espaço de debate democrático”, sintetizou, com a certeza de que “apesar das diferenças legítimas, o objetivo foi sempre o bem comum do concelho”.
A secretária louvou a Mário Branco “a sabedoria, ponderação e extremo espírito democrático”; e agradeceu-lhe “pela forma como elevou a Assembleia Municipal a um patamar ímpar”. Sandra Marcelino lembrou o momento em que teve “a maior honra” de substituir Mário Branco no cargo de presidente do órgão local, em junho de 2022, fazendo história como a primeira mulher a exercer, mesmo que momentaneamente, a função. A Nuno Jesus, segundo secretário da Assembleia, agradeceu o “companheirismo, compreensão e segurança em momentos de indecisão” – elogios retribuídos por Nuno Jesus. A “todos”, disse obrigada pela “colaboração, espírito democrático e respeito mútuo”, garantindo levar consigo a aprendizagem expressa “em cada voto e intervenção”.
Nuno Jesus começou por destacar a “notável urbanidade” das 85 sessões que ajudou a gerir. A “honra e privilégio” de ter tido Mário Branco como presidente foi referida como central para uma nova era de Assembleias, decorridas de forma independente e séria. “A sua postura, na minha opinião, marcou a história das Assembleias Municipais de Albergaria-a-Velha. Haverá certamente um ‘antes’ e ‘depois’ de Mário Branco, com todo o respeito aos que por aqui passaram e por todos os que estão para vir”, defendeu Nuno Jesus.
Cravos para todos
António Loureiro, presidente da Câmara Municipal de Albergaria há 12 anos, despediu-se com “o mais sincero e profundo agradecimento” aos vereadores e presidentes de Junta pela forma como contribuíram para “concretizar projetos estruturantes para o nosso concelho”. O edil destacou, em todos, “a capacidade de ouvir as pessoas, dialogar com a comunidade e de encontrar soluções”.
O presidente da Câmara elogiou Mário Branco pelo “humanismo e forma exemplar como dignificou o órgão, e a fasquia a que elevou a discussão democrática na Assembleia Municipal”. Como legado de Mário Branco, António Loureiro lembro as comemorações do 25 de Abril, “onde sempre se preocupou em trazer, reunir e envolver todas as coletividades e associações”.
António Loureiro deixou um agradecimento a todos os trabalhadores da autarquia “pelo empenho, dedicação e profissionalismo demonstrados” e “postura de responsabilidade, competência técnica e espírito de serviço público”. Por fim, o presidente da Câmara agradeceu “a todos os albergarienses pela oportunidade de servir o município dos últimos 12 anos”.
Sara Vinga da Quinta, líder da bancada do PSD, deixou a Mário Branco “uma palavra de profundo reconhecimento e gratidão” pela “serenidade, firmeza e sentido de justiça” com que geriu as sessões. “A sua experiência, sabedoria e emprenho continuarão a ser referência para todos nós”, assegurou a autarca.
Mário Branco afirmou-se “muito sensibilizado” com as intervenções de todos. “As vossas amáveis palavras adoçam o coração e emocionam. É muito gratificante ouvir as palavras que ouvi. Estou de coração cheio. Muito obrigado”, despediu-se o presidente da Assembleia Municipal. No final da sessão, todos se levantaram para aplaudir Mário Branco que, no momento de saída, distribuiu cravos feitos à mão pelos utentes da APPACDM, em formato de alfinete de dama, para que todos carreguem sempre ao peito a Liberdade.

















