O Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro vive dias de forte pressão e surge entre os mais sobrecarregados do país, levando a administração a ativar medidas excecionais para responder ao aumento da procura
Foto: DR
O Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro tem sido, nos últimos dias, o segundo mais sobrecarregado a nível nacional, de acordo com dados da Direção-Geral da Saúde. A informação foi confirmada pelo conselho de administração da Unidade Local de Saúde (ULS) da Região de Aveiro, que garante ter ativado um conjunto de medidas preventivas para responder ao aumento significativo da procura.
Em nota enviada à agência Lusa, o conselho de administração refere que a pressão assistencial já era antecipada, tendo sido acionado, desde 10 de dezembro, o nível 3 do Plano de Contingência de Saúde Sazonal – Módulo Inverno. Este nível prevê, entre outras medidas, a suspensão da atividade cirúrgica programada e adicional, mantendo-se apenas as cirurgias urgentes, muito prioritárias e oncológicas.
Segundo a ULS da Região de Aveiro, esta decisão teve como principal objetivo reforçar a capacidade de internamento, libertando camas para dar resposta aos doentes que recorrem ao Serviço de Urgência. Paralelamente, foram implementadas medidas adicionais, como a abertura de uma enfermaria de contingência no Hospital de Águeda e a contratualização de 30 camas extra junto de entidades externas.
O reforço dos recursos humanos foi outra das prioridades assumidas. A administração assegura que a equipa de enfermagem e os técnicos auxiliares de saúde do Serviço de Urgência foram reforçados ao longo das 24 horas, através da afetação de profissionais da área cirúrgica, cuja atividade programada se encontra suspensa. A equipa médica foi igualmente reforçada, sobretudo no período noturno.
“Por sermos um dos Serviços de Urgência mais sobrecarregados a nível nacional, reconhecemos a enorme pressão a que os profissionais têm estado sujeitos”, refere o conselho de administração, que agradece a dedicação e o profissionalismo das equipas, sublinhando que estes têm sido determinantes para garantir uma resposta adequada aos doentes.
Apesar das medidas adotadas, a Secção Regional Centro da Ordem dos Enfermeiros alertou, também esta quarta-feira, para a situação de sobrelotação no Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro. Em comunicado, a Ordem refere que a ocupação registada é superior à capacidade instalada, apontando para “claros défices de enfermeiros e de técnicos auxiliares de saúde” face às necessidades de vigilância clínica.
Após uma visita ao local, a Ordem dos Enfermeiros descreve um cenário de elevada pressão assistencial, marcado por sobrelotação persistente e tempos de permanência excessivos para os doentes que aguardam vaga de internamento.
















