A saída do executivo de Raquel Escada para a Mesa da Assembleia, por motivos de ordem pessoal e profissional, levou a oposição a classificar a alteração como um sinal de “instabilidade precoce”, levantando “dúvidas legítimas quanto à coesão e organização interna” da maioria.
A última Assembleia de Freguesia de São João de Loure e Frossos, realizada em Frossos, no passado dia 30 de junho, aprovou, por maioria, a eleição de um novo membro para vogal do executivo e de outro para compor a Mesa da Assembleia. Raquel Escada saiu do executivo para assumir o cargo de 1.ª secretária da Mesa e Clarisse Branco transitou da Mesa para o executivo.
A alteração foi aprovada com quatro votos contra (PSD/IL e Chega) e cinco votos favoráveis (CDS-PP e PS). O Partido Socialista, recorde-se, optou, no início do mandato, por apoiar o executivo liderado pelo CDS-PP. Apesar de a votação ser secreta, a oposição deixou claro o sentido de voto através das críticas dirigidas à decisão.
Ana Maria Bastos, presidente da Junta de Freguesia, explicou que a decisão surpreendeu o executivo, mas que compreendem que existam “outras prioridades na vida”, agradecendo a Raquel Escada pelo trabalho desenvolvido em prol do território, que continuará a desempenhar enquanto membro da Mesa da Assembleia.
No final da sessão, a presidente da Junta indicou ao Jornal de Albergaria que a decisão foi tomada por motivos de ordem pessoal e profissional, que se revelaram incompatíveis com a disponibilidade exigida por um cargo no executivo.
Acusações de falta de informação
Carlos Linhares, eleito pela coligação PSD/IL, lembrou, em declaração de voto, que a abstenção da oposição na votação inicial dos órgãos da freguesia pretendeu respeitar o resultado das eleições, defendendo que “quem ganha as eleições deve governar com as ferramentas e a confiança que lhe foram dadas pelos eleitores”. Na perspetiva da coligação, a alteração agora aprovada modifica essas circunstâncias.
A coligação criticou ainda a mudança na composição do executivo ao fim de oito meses de mandato, classificando-a como um “sinal de instabilidade precoce” e considerando que suscita “dúvidas legítimas quanto à coesão, organização interna e capacidade de assegurar um bom funcionamento da Junta de Freguesia”.
Relativamente às justificações apresentadas, Carlos Linhares considerou que “não foram apresentados esclarecimentos suficientes quanto às razões concretas que motivaram a alteração”. Sobre o novo elemento do executivo, o membro do PSD/IL afirmou que continuam por esclarecer questões relacionadas com a disponibilidade, os pelouros e as competências associadas ao cargo.
A coligação assegurou que as críticas se inserem num plano exclusivamente político e não constituem um ataque pessoal a qualquer uma das membros.
Henrique Silva, representante único do Chega, classificou a alteração como “uma vergonha”, por considerar que contraria “o compromisso assumido para com o povo”. O eleito acrescentou que, dessa forma, a “maioria aprovada para fazer executivo vale zero”.
As declarações surgiram após um elemento do público ter defendido o executivo, argumentando que a troca de posições não constituía, a seu ver, um sinal de instabilidade política.


















