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Proteção Civil explica como agir em caso de rutura da barragem de Ribeiradio

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A rutura da barragem de Ribeiradio/Ermida é considerada um cenário extraordinariamente improvável, mas a população deve conhecer os sinais de alerta e saber como agir. Numa sessão de esclarecimento em Valmaior, a Proteção Civil apresentou os mecanismos de resposta previstos e deixou recomendações de autoproteção, incluindo a preparação de um kit de emergência para 72 horas.

E se a barragem de Ribeiradio/Ermida sofresse uma rutura capaz de afetar toda a zona envolvente à estrutura? Os mecanismos de resposta previstos e as formas de autodefesa da população foram apresentados na tarde de sexta-feira, 6 de novembro, por Margarida Guedes, na Junta de Freguesia de Valmaior.

A técnica superior do Comando Sub-regional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil começou por esclarecer que este era “um evento extraordinariamente improvável”. No entanto, o Plano de Emergência Interno (PEI) das duas barragens, que fazem parte do mesmo sistema em cascata, prevê duas formas de resposta a três situações que podem provocar esta rutura.

Estes cenários implicariam uma subida da água tão rápida que não permitiria um aviso prévio à população residente e/ou presente nos 20 a 26 quilómetros em redor da estrutura, na chamada zona de autossalvamento. Por isso, o PEI, da responsabilidade da EDP, proprietária da obra, prevê um mecanismo de alerta sonoro composto por 16 sirenes.

Em situações de subida extrema das águas, provocada por uma descarga elevada, ou em caso de cheia significativa, o sinal sonoro tocará de forma contínua durante dois minutos. A população deverá afastar-se do leito do rio e manter-se atenta a futuras evoluções da situação e às indicações das autoridades, à semelhança do que acontece perante uma cheia natural.

Em caso de acidente, as sirenes tocarão de forma consecutiva durante dois segundos, intercalados com pausas de três segundos, durante um período mínimo de dois minutos. Nesta situação, a população deverá dirigir-se para um ponto de encontro designado pela Proteção Civil, tendencialmente situado em zonas mais altas do território. Em Valmaior, a Igreja Matriz e o antigo restaurante Moderno são os pontos de encontro definidos.

Quando qualquer uma destas situações estiver ultrapassada, será emitido um sinal sonoro ininterrupto de 30 segundos. A população deverá aguardar que estejam repostas as condições habituais de segurança e seguir as indicações da Proteção Civil. “Tudo isto só funciona se as populações estiverem informadas”, reforçou Margarida Guedes.

Conhecer e agir

A técnica reforçou ainda que a barragem de Ribeiradio/Ermida, construída entre 2010 e 2015, é uma estrutura moderna, cuja construção contou com a fiscalização das entidades responsáveis pelo acompanhamento da obra, nomeadamente a APA – Agência Portuguesa do Ambiente e o Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Para além disso, são realizadas monitorizações diárias de segurança, que combinam métodos de análise humanos e automáticos.

As grandes cheias de 2019, explicou, ocorreram, em parte, “porque este sistema ainda estava a aprender quais eram os limites da barragem”. Caso o pior aconteça, a inundação afetará sobretudo a zona de autossalvamento, composta pelas áreas ribeirinhas dos concelhos de Sever do Vouga e de Albergaria-a-Velha, entre as quais se destacam Ermida, Pessegueiro do Vouga e Valmaior, como mostrou o vídeo explicativo do PEI, apresentado durante a sessão. As sirenes, cuja manutenção está a cargo da EDP, foram concebidas para serem ouvidas em toda esta zona.

Para estas e outras situações de emergência, como os incêndios, Margarida Guedes lembrou que é sempre útil conhecer os pontos de encontro e os percursos para chegar até eles a partir de diferentes locais da povoação. Em relação aos animais, devem ser soltos aqueles que não seja possível transportar, para que tenham a possibilidade de procurar um lugar seguro. Os animais de companhia devem ser levados pelos donos.

Mais vale prevenir…

Outro dos conselhos deixados, para além do afastamento das zonas ribeirinhas em caso de risco de cheia, foi a preparação de um kit de emergência para 72 horas, de acordo com as recomendações europeias. Carla Almeida, técnica da Proteção Civil de Albergaria, detalhou os conteúdos que esta mochila deve incluir.

O kit deve conter água engarrafada e alimentos prontos a consumir, como conservas, bolachas e frutos secos. Na área da saúde, deverá incluir uma caixa de primeiros socorros, medicação habitual suficiente para vários dias e uma lista das doenças, alergias e medicação diária de cada membro da família.

As comunicações são igualmente fundamentais, pelo que se recomenda a inclusão de uma lanterna, de um rádio a pilhas e de uma bateria ou carregador portátil. Devem ainda ser considerados produtos básicos de higiene e sacos resistentes, que poderão servir para acondicionar lixo ou proteger objetos.

No que respeita ao conforto e à proteção, é importante incluir uma muda de roupa por pessoa, uma manta, calçado fechado e resistente e uma capa impermeável. O kit deverá também conter cópias dos documentos de identificação, devidamente acondicionadas num saco impermeável, assim como uma lista de contactos dos familiares e amigos mais próximos.

As famílias que tenham animais de estimação devem preparar um conjunto de bens essenciais para os seus companheiros, incluindo ração, água, trela, transportadora ou caixa, uma manta e os documentos de identificação de cada animal. Por fim, não devem ser esquecidos alguns pequenos objetos que podem revelar-se muito úteis numa emergência, como um apito, um canivete, dinheiro em numerário, um bloco de notas e uma caneta.

Carla Almeida reforçou ainda a importância de envolver as crianças na preparação deste kit familiar. A ideia é que também elas possam participar ativamente, escolhendo e incluindo um objeto que considerem essencial, como um livro, um peluche ou um jogo.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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