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Vespa asiática alastra em Albergaria. Saiba como combater esta praga

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O alarme soou em setembro de 2011. Um apicultor detetou um ninho de vespas no norte de Portugal e chamou as autoridades. As pessoas torceram para que aquele fosse um caso isolado, mas não foi. Atualmente existe registo da presença da vespa velutina nigrithorax, vulgarmente designada por vespa asiática, em todo o país. 

Mas porque é que esta espécie não indígena é um problema? Os principais efeitos da presença das vespas asiáticas manifestam-se em duas vertentes: na apicultura, já que esta espécie é predadora das abelhas, o que constitui uma ameaça ambiental com prejuízos na produção de mel e na polinização; na saúde pública, o perigo não é causado pela quantidade de veneno de uma vespa asiática, mas sim pela possibilidade de elas se sentirem ameaçadas de alguma forma e atacarem com o auxílio de outras vespas. “Os especialistas têm alertado que esta espécie não é mais perigosa para os humanos do que as vespas europeias. As consequências graves para as pessoas, podendo levar à morte, só ocorrem em caso de alergia, ou se um enxame atacar em simultâneo. As pessoas alérgicas a abelhas são, naturalmente, alérgicas às vespas”, esclarece João Cruz, da Proteção Civil Municipal de Albergaria-a-Velha ao Jornal de Albergaria.

No âmbito do Plano Nacional de Ação para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal, as câmaras municipais, através dos seus SMPC – Serviços Municipais de Proteção Civil, coordenam o controlo e destruição dos ninhos desta espécie. Albergaria-a-Velha não é exceção e, de ano para ano, tem reunido esforços para controlar a espécie.

O Gabinete de Proteção Civil e Florestal do município tem promovido ações de desativação dos ninhos de vespa asiática, sempre que reportados pelos munícipes, e tem colocado também armadilhas para caçar as vespas fundadoras. “Há já dois anos que trabalhamos com a Associação NATIVA – Natureza, Invasoras e Valorização Ambiental, que tem uma Unidade Especializada para prevenir e combater à vespa velutina. Desde que são comunicados à associação, os ninhos têm sido desativados no prazo máximo de 48h. Não raras vezes têm mesmo sido desativados no próprio dia”, revela João Cruz. Por se tratar de um problema ambiental, a desativação/destruição dos ninhos é da competência da Câmara Municipal e, desse modo, não é imputado qualquer custo aos munícipes, refere ainda.

Quase 100 ninhos destruídos este ano em Albergaria

Até ao final do mês de julho deste ano, a Proteção Civil Municipal de Albergaria já registou e desativou 94 ninhos no concelho. “Contrariamente ao esperado, este ano temos registado um aumento do número de ninhos face a igual período do ano passado. O facto de as pessoas estarem mais atentas para esta problemática poderá ser um dos fatores que contribuem para o aumento dos pedidos desativação dos ninhos”, revela João Cruz.

A nível nacional, segundo dados do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas-ICNF, até ao dia 4 de junho tinham sido observados em Portugal 1245 ninhos, dos quais 1124 foram destruídos pelas autoridades. O maior número de ocorrências registou-se no Porto (296 destruídos), seguindo-se Coimbra (188), Aveiro (170) e Santarém (139). 

 “Destruição dos ninhos” é “como andar atrás do problema e não da solução”

Hélder Duarte, um pequeno apicultor de Alquerubim, esteve à conversa com o Jornal de Albergaria sobre este tema. “Comecei a ver as vespas asiáticas na minha zona [Alquerubim] em 2016, mas tenho-me apercebido que elas têm crescido exponencialmente. Nas armadilhas que tenho no meu apiário, apanho em média 1000 velutinas por semana. Tenho também algumas armadilhas espalhadas pela freguesia e em alguns pontos do concelho para ir monitorizando a título de carolice o seu crescimento”. Face a isto, afirma sem hesitar que “de há dois anos para cá a incidência delas mais do que duplicou”, e acredita que “nos próximos anos, este crescimento seja exponencial e fique fora de controlo.”

Os apicultores veem-se obrigados a montar armadilhas para reduzir o número de ataques e uma das técnicas mais comuns é atrair as vespas para o interior de garrafas, onde acabam por morrer. E é isso que Hélder Duarte faz. Para combater as vespas coloca armadilhas “logo que as vespas asiáticas saem da hibernação. Umas das peças chave é apanhá-las entre fevereiro e março porque só a rainha é que anda na rua. Portanto, cada vespa que apanhe nessa altura equivale a menos um ninho formado”. 
Para as atrair usa uma mistura de açúcar, água e fermento. “Faz-se uma mistura de 3 litros de água, 1 kg de açúcar branco e 50/60 gr de fermento de padeiro (ou vinho branco), e distribui-se pelas várias armadilhas. A cada duas semanas, troca-se este atrativo. É importante colocar fermento de padeiro ou vinho, para que haja fermentação e não se apanhem abelhas ou outros insectos importantes”, explica Hélder Duarte.

De ano para ano, este apicultor perde cerca de 30% das suas colmeias, algo que o deixa preocupado. Este ano, revela já ter destruído “6 ninhos, embora que pequenos”. Apesar de não desistir de salvar as suas abelhas, acredita que se não houver uma intervenção forte, as abelhas não vão resistir. “A destruição dos ninhos é eficaz”, mas é “como andar atrás do problema e não da solução”, evidencia.

O que fazer quando avistar um ninho?

Quando a espécie surgiu em Portugal os ninhos encontravam-se maioritariamente em locais altos (eucaliptos, pinheiros, carvalhos). Atualmente não há nenhum padrão, havendo registo de “ninhos no solo, em muros, no meio de silvas, no interior de imóveis, entre outros locais”, esclarece João Cruz, da Proteção Civil Municipal.

Caso aviste um ninho deve:

– Reportar de imediato a sua existência através do número 234 529 114 (Serviço de Atendimento Permanente do Serviço Municipal de Proteção Civil). Esta chamada é atendida e registada na Central dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha e posteriormente reencaminhada para a Proteção Civil Municipal. 

– Os munícipes também poderão registar os ninhos na plataforma STOP Vespa (http://stopvespa.icnf.pt/). Nunca deverá perturbar de alguma forma o ninho. A destruição de ninhos só deve ser feita por pessoal devidamente protegido e instruído para o efeito.

Como distinguir uma vespa asiática das outras abelhas?           

A vespa asiática é significativamente maior do que a abelha do mel (Apis mellifera). A vespa asiática tem entre 2,5 e 3 centímetros de comprimento (as vespas fundadoras desta espécie podem ser maiores, tendo entre 3 e 3,5 centímetros), enquanto a abelha tem cerca 1,3 centímetros. No entanto, a vespa asiática é mais pequena do que a vespa europeia (Vespa crabro), que pode atingir os 4 cm.

A vespa asiática distingue-se das outras por ter as patas pretas na metade superior e amarelas na parte inferior. Já a vespa europeia tem as patas mais acastanhadas e mais claras na extremidade inferior. A vespa asiática tem o abdómen predominantemente preto, com o quarto segmento alaranjado e listas finas alaranjadas nos outros. O abdómen da vespa europeia é predominantemente amarelo, com faixas pretas.

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Solange Ferreira
Jornalista do Jornal de Albergaria - Nasci e cresci em Albergaria-a-velha. Aos 19 anos troquei o conforto de casa pelas montanhas beirãs, onde me licenciei em Ciências da Comunicação pela Universidade da Beira Interior. A vontade de inovar e aprender coisas novas levou-me a fazer Erasmus, durante 6 meses, na Universidade de Roma "La Sapienza". Seguiu-se um Mestrado em Comunicação e Jornalismo na Universidade de Coimbra.
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