Aluimento no IC2: População descontente e pedido de solidariedade de Jorge Almeida

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No dia 12 de março, um aluimento de terras no lugar de Serém de Cima, na Freguesia de Macinhata do Vouga, provocou a interrupção do Itinerário Complementar 2 (IC2) nos dois sentidos. Este incidente transformou radicalmente a rotina de uma comunidade, ao mesmo tempo que trouxe à tona questões sobre a gestão de infraestruturas e a necessidade de soluções ágeis e eficazes.

A 25 de março, a Infraestruturas de Portugal comunicou a necessidade de um corte total da circulação rodoviária a veículos pesados no itinerário secundário, sugerindo um desvio para a Autoestrada 1 (A1). A solução implementada foi de pouca dura o que deixou a população local e os utilizadores da via em estado de preocupação e de insatisfação.

Jorge Almeida, presidente da Câmara Municipal (CM) de Águeda falou com o Jornal de Albergaria sobre as complexas consequências do aluimento. “É incomportável”, afirmou sublinhando a importância de garantir a passagem de todo o trânsito, inclusive veículos pesados, pelo lugar e garantiu que a decisão de não desviar o trânsito para a A1 não foi tomada de ânimo leve – “sei que esta situação também causa constrangimentos e desconformo às pessoas, sobretudo aos moradores de Serém e do Lameiro, que não estavam habituados a este movimento”, comentou. “Ainda se falou em desviar o transito para Jafafe ou para Macinhata, mas isso não era arranjar uma solução era mudar o problema de sítio”, afirma.

Vozes da Comunidade

A população de Serém de Cima e do Lameiro, não concorda com as declarações do presidente da Câmara Municipal. A comunidade enfrenta um aumento significativo do tráfego, um cenário que contrasta com a tranquilidade habitual da localidade. A infraestrutura local não está preparada para suportar tal volume de veículos, resultando em incidentes como o ocorrido no dia 13 de março, quando um camião, ao tentar manobrar, derrubou um muro devido à má sinalização, que Jorge Almeida garante que “naturalmente” irá ser reposto, a quebra de um toldo de um estabelecimento e o raspar de um pesado numa habitação antiga.

Alguns populares sugerem alternativas ao atual desvio de trânsito e explicam que “há outras opções, outras alternativas, por exemplo, o trânsito ser desviado e vir sempre a direito pela estrada para quem vai para Paus, ou meter um sinal que alternasse o trânsito e passavam pela Antiga Estrada Real.” No entanto, tais sugestões não foram implementadas e não são consideradas aumentando o descontentamento.

Os residentes expressam a sua frustração e medo perante a nova realidade. “Isto é uma aldeia, eles passam aqui como se estivessem na autoestrada. A uma velocidade…”, lamenta um morador, destacando a perigosa velocidade a que os veículos circulam. Outro residente adiciona: “As autoridades locais, da junta de freguesia e da câmara municipal, nunca vieram aqui perceber o nosso lado e perceber o que nos preocupa.”

Para os habitantes, a rua é um ponto de encontro social, uma parte vital da vida comunitária – “Isto é uma aldeia, a rua é um ponto de encontro”, disseram os habitantes ao JA. O aumento do movimento nas ruas estreitas do lugar transformou a dinâmica local: “As pessoas têm medo de andar na rua porque a qualquer momento podem levar uma buzinadela de um camião porque não consegue passar.”

Quase três meses após o incidente, a frustração cresce devido à falta de uma solução concreta e à lentidão burocrática envolvida no processo de reconstrução. O presidente da CM de Águeda lamenta a demora e aponta para o “célebre código dos contratos públicos” como um dos principais obstáculos. A necessidade de cumprir rigorosos procedimentos documentais impede uma resposta rápida e eficiente. Atualmente, espera-se o lançamento de um concurso público ou de prévia qualificação para a concessão e execução das obras necessárias que não têm “uma data de início”, como referiu.

Jorge Almeida apela para uma ação rápida e decisiva das autoridades competentes e deixa uma mensagem clara aos seus concidadãos: “peço que percebam a situação, sejam solidários e olhem para o próximo.”