PCP e população queixam-se de "caos" no Centro de Saúde

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Mais médicos, consultas “a tempo e horas” e maior rapidez na emissão de receitas foram algumas das reivindicações do PCP durante a manifestação desta manhã nas instalações do Centro de Saúde de Albergaria.
A saúde em Albergaria-a-Velha está a ser passada para trás”, afirma o responsável pela concelhia do PCP, José Freitas, em declarações ao Jornal de Albergaria. O atraso na requalificação do edifício, a falta de médicos, a dificuldade em agendar consultas e a demora na emissão de receitas médicas são os principais problemas que o partido quer ver resolvidos.
Há pessoas que estão à espera de receitas há dois meses (…) isto é inacreditável, nem num país de terceiro mundo”, exclama. Durante a concentração, que reuniu alguns populares, José Freitas informou da apresentação de uma pergunta na Assembleia da República sobre esta matéria e espera que a ação faça com que o “secretário de Estado cumpra o que prometeu há um ano”, aquando as inundações do Centro de Saúde.
O coordenador da concelhia apontou ainda o dedo ao presidente da Câmara Municipal apelando a mais ação da sua parte. “É claro que não é a ele quem compete resolver os problemas dos médicos e das instalações, isso é um problema do Governo, mas ele tem a obrigação de cuidar dos seus munícipes. Devia ser mais interventivo e exigir”, explica.

A concentração criou espaço para que os manifestantes partilhassem o seu descontentamento. “Morre mais gente sem Covid por falta de medicamentos do que com o vírus” ouviu-se logo nos primeiros minutos da concentração.
Um dos queixosos, Manuel Morais, partilhou com o Jornal de Albergaria a sua situação. Acabou de perder o seu médico de família e está há dois meses à espera de uma receita médica para esposa. Também com um cunhado de 87 anos à sua responsabilidade, visitou o Centro de Saúde com a esperança de falar com algum médico sobre as análises do familiar mas a resposta não foi a que pretendia. “A funcionária disse-me que estavam com muito trabalho e o médico vai de férias para a semana. Estamos sem médicos, sem assistência. Está completamente o caos”, afirma. Para obter resposta médica reconhece que a solução passa por ir a uma clínica privada ou a uma urgência no hospital.
Outro caso ouvido pelo Jornal de Albergaria é o de Vítor Moreira, também à espera do resultado de análises. “Só em fevereiro é que poderei marcar consulta, quando a minha médica vier de baixa. Isto é mesmo contra os direitos humanos”, desabafa.
Um dos lamentos partilhados pelos presentes foi a falta de comparência de manifestantes. “Até dá a ideia de que estão contentes mas não. Não há ninguém contente e estão quase todos desesperados como eu, de certeza”, garante Manuel Morais.
José Freitas reconhece existir alguma inibição no concelho em participar nestas iniciativas apesar de ver melhorias “porque as pessoas vão aprendendo” e espera que os protestos continuem já que defende que “as pessoas têm de reclamar por melhores condições de atendimento, pelo direito à saúde“.
Recorde-se da reportagem realizada pelo Jornal de Albergaria em outubro deste ano onde se dá conta dos problemas enfrentados no Centro de Saúde: Reportagem: Centro de Saúde de Albergaria continua a dar “pano para mangas”