Com um 2026 mais contido financeiramente do que o previsto, devido aos danos provocados no cemitério pela depressão Cláudia, a Assembleia de Freguesia da Branca aprovou o orçamento para o próximo ano. A sessão, com mais público que o habitual, endereçou um voto de pesar ao saudoso Manuel Lopes da Silva, que viveu até aos 105 anos. A iluminação natalícia recebeu elogios e propostas de melhoria.
A última Assembleia de Freguesia da Branca de 2025, que decorreu no passado dia 11 de dezembro, aprovou o Orçamento para o ano que se aproxima, no valor de 517 192 euros, numa sessão com mais público que o habitual.
Os dois elementos da oposição, da coligação PSD/IL, abstiveram-se perante o cenário “de corte no investimento, em 11,15%, aumento de despesas correntes, em 13,4%, e despesas de pessoal em 10%”, como justificaram os eleitos.
Sandra Marcelino, presidente da Junta de Freguesia da Branca, explicou que o valor superior do orçamento para 2025 (584 mil euros) se explica porque nele “constavam verbas de candidaturas vindas de processos anteriores que, entretanto, foram executados” e não transitam para o de 2026.
Sandra Marcelino informou ainda da necessidade de abrir concurso para um novo assistente operacional de exterior, que vem substituir o anterior – trata-se, portanto, de uma vaga e não de uma nova contratação.
Danos da ‘Cláudia’
Questionada pelo Jornal de Albergaria sobre os principais planos para o ano de 2026, a presidente enumerou a recuperação do muro do cemitério severamente danificado pela depressão Cláudia, uma obra com valor ainda inestimado, mas que afetará as contas para o ano seguinte.
“O muro do cemitério cedeu e pensávamos que fosse ruir, mas isso não chegou a acontecer. Conseguiu-se, através de uns furos, drenar a água. Está estável, mas não está bem. Vai precisar de uma intervenção significativa e cuidada, para não danificar a calçada que lá foi colocada. O pior já passou, mas vai consumir-nos recursos que não estávamos à espera”, detalhou a presidente da Junta.
A intempérie, que afetou o concelho e país com particular intensidade a 13 de novembro, provocou deslizamento de terras na freguesia e a obstrução completa de ruas em lugares como Espinheira e Nobrijo. Ruíram os muros da Quinta do Outeiro e das Relvas – este último, apesar de pertencer a uma propriedade privada, “terá de ser intervencionado por se tratar de um muro de estrada”, detalhou a presidente.
“Os nossos homens foram incansáveis. Conseguiram resolver a maioria das situações com os nossos veículos e ferramentas. Temos de lhes dar o devido reconhecimento”, agradeceu Sandra Marcelino.
Projetos futuros
Para além da recuperação do muro, em 2026 espera-se a conclusão das obras no interior do edifício da Junta, na zona da secretaria; e no exterior, nas paredes e piso. Está igualmente nos planos a “intervenção pontual em arruamentos de menor dimensão” e a recuperação de “inúmeras vias consideradas estruturais para a freguesia e que estão degradadas” – estas últimas serão feitas em parceria com a Câmara Municipal de Albergaria.
Com sete votos a favor, o Orçamento e Mapa de Pessoal foram aprovados. A oposição questionou quando será construída a WC pública na Zona Desportiva da freguesia. Sandra Marcelino lembrou que a casa de banho estará inserida no projeto global do Parque da Vila, no qual o WC existiria de forma acoplada a um Bar, a ser dinamizado por uma associação local, caso esse interesse seja manifestado.
“Pensamos que poderá ser feito durante o próximo ano porque é, realmente, uma necessidade premente da população e de quem vem de fora”, afirmou a presidente. Sandra Marcelino reforçou que o projeto é camarário e que mais informação será prestada assim que for fornecida à Junta.
Sara Silva, da oposição, alertou que o projeto da WC não deverá, na sua ótica, ficar dependente da aceitação de uma coletividade. “Não podemos estar à espera de que uma associação aceite a exploração de um bar para construir uma casa de banho”, defendeu a eleita pelo PSD/IL.
Natal (quase) unânime
Os Pais-Natais motards de Soutelo, o Circo de Natal, o marco de correio para enviar cartas ao afável homem das barbas brancas e as luzes que enchem o edifício da Junta de Freguesia da Branca foram elogiadas pelos membros da Assembleia.
Jorge Almeida, eleito pelo CDS-PP, partido do executivo, com sete dos nove assentos da Assembleia, afirmou que a Junta de Freguesia estava “muito bonita”, referindo-se aos enfeites luminosos que se entrelaçam pelas árvores, ao arco de entrada, ao presépio, à árvore de Natal e à casinha festiva que recebem os visitantes do edifício.
A juntar-se a toda a animação, a dar as boas-vindas a quem entra na parte exterior da Junta, estão os bonecos de neve e outros elementos natalícios feitos com a sustentabilidade em mente e pelas mãos das associações e coletividades locais, passando pelo folclore, filarmonia, escutismo, desporto e setores da educação e social.
Jorge Almeida sugeriu, no entanto, que a “iluminação poderia ser menos específica na Junta e mais extensiva um pouco por toda a freguesia”, uma expectativa expressa igualmente pela oposição, que questionou se não iriam existir mais luzes de Natal noutros pontos do território.
Sandra Marcelino, presidente da Junta, afirmou que “foi seguido o modelo dos anos anteriores” para assegurar que, no curto período de tempo decorrido desde a transição de mandatos, se tinha como certa a iluminação habitual.
“Ainda ponderámos em realizar outros apontamentos, mas não quisemos dar nada como garantido e depois estar a falhar. Para o ano, poderemos fazer algo diferente, mas, para já, foi esta a nossa decisão”, explicou a presidente, agradecendo as sugestões dos intervenientes.
Voto de pesar
Antes da Ordem do Dia, foi aprovado, de forma unanime, um voto de pesar dedicado a Manuel Lopes da Silva, branquense recentemente falecido, com 105 anos de idade.
“Era uma pessoa muito querida de todos e uma figura emblemática da nossa freguesia, enquanto pessoa e empresário. A sua morte é uma grande perda para nós e não poderia deixar de ser assinalada – e de forma tão justa quanto é este voto de pesar”, afirmou Sandra Marcelino.
Manuel Lopes da Silva foi um dos fundadores da ARMAB – Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca, que manifestou, nas redes sociais, “profunda tristeza e consternação” pelo falecimento. “A sua visão, dedicação e espírito comunitário estiveram na origem da criação da ARMAB, que ao longo de décadas tem promovido a música, a cultura e a formação de gerações de jovens”, escreveu a coletividade, na mesma comunicação, assinada pela direção.
Luís Serafim, presidente da Mesa da Assembleia, assegurou que faria chegar o voto de pesar à família do conterrâneo.





