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PiGo propõe ‘Limite’ como ponto de partida em tarde de partilha e inspiração

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Do desporto paralímpico à comunicação motivacional, passando pela área das finanças pessoais ou pela inovação no design inclusivo, o PiGo voltou a reunir percursos distintos para refletir sobre o “limite” como ponto de partida para novas conquistas.

Totalmente organizado pelos alunos do Curso Profissional de Técnico de Multimédia do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha, o PiGo voltou, este sábado, a ser palco de mais uma tarde de “ultrapassar barreiras e ir mais longe do que alguma vez se foi”, nas palavras das primeiras apresentadoras a subir ao tablado, também estudantes do curso.

Desde os vídeos previamente preparados para introduzir os oradores ao registo de imagem fotográfico e em vídeo, passando pela redação de guiões e pela garantia da receção de convidados, tudo esteve a cargo dos alunos, com os professores à retaguarda a assegurar que tudo corria como planeado.

Sobre o tema ‘Limite’, o encontro de 2026 contou com transmissão online em direto e com a ilustração do evento em tempo real, um trabalho a cargo do ilustrador Joel Faria. Como tem sido pauta, a sessão inspirou-se na constante matemática π, arredondado às duas casas decimais – o encontro contou com 3+14 oradores que prepararam intervenções de 3 minutos e 14 segundos.

As histórias de “coragem, superação e conquistas reais”, como descreveram as estudantes apresentadoras, mostram que “cada limite pode ser transformado num novo ponto de partida” e reforçam o PiGo como um “desafio à educação formal e aos alunos, a quem pede que sejam verdadeiros agentes da mudança”, reforçaram.

Melhor amigo exigente

Os 17 oradores foram sendo apresentados por estudantes do curso que veem no convidado uma fonte de inspiração. Os alunos fizeram as introduções na companhia de um familiar, uma oportunidade que alguns pais aproveitaram para reforçar a confiança na qualidade do curso organizador do encontro.

Paulo Seco, premiado selecionador nacional de futebol de rua e promotor da inclusão através do desporto, abriu o PiGo 2026 com um apelo a que se deixe para trás a busca pela perfeição e se vire o foco para “aprender a ouvir um ‘não’ e saber lidar com a frustração”, uma capacidade que o orador considera estar em declínio.

O treinador mental, autor do livro Mentalidade SIIGAAAA – O Poder da Autoliderança Servidora, pediu aos membros do público que encontrassem em si o seu melhor amigo, como expoente máximo de amor próprio, mas sem esquecer a necessidade de exigência e de procura do próximo limite.

No sentido de procurar sempre o próximo desafio, por muito seguro que seja o presente, Carina Meireles deixou o conforto financeiro da banca e encontrou concretização no desafio que foi colocar-se, pela primeira vez, frente a uma câmara de televisão.

Conhecida pelas rubricas ‘Finanças a Contar’ no Porto Canal e pelas atuais participações em direto na TVI, Carina Meireles começou por gravar vídeos em casa sobre finanças pessoais e recomendou que todos abraçassem os momentos de “superação” e “mudança” que a vida permite. “Se vocês querem mesmo e têm mesmo um sonho, lutem por isso porque é possível”, advogou.

Inclusão e mudança coletiva

Miguel Monteiro, campeão paralímpico de lançamento do peso, deu o verão de 2024 como exemplo de trabalho e empenho: conquistou a medalha de prata no Campeonato Mundial no Japão; finalizou a tese de mestrado em Engenharia e Gestão Informática; e colocou “foco no treino e preparação para estar na melhor forma possível” nos Jogos Paralímpicos, onde conquistou o ouro, em Paris.

Aos presentes na sala deixou “três apontamentos” que o têm guiado ao longo da sua jornada pessoal e profissional: esforço, lembrança de que “a sorte dá muito trabalho” e estar rodeado “de quem gosta de nós”, porque “vale sempre mais a pena do que caminhar sozinho”, concluiu o atleta.

Vasco Santos, tal como Miguel Monteiro, conversou sobre os desafios de equilibrar empregos, estudos e paixões. Apesar da dificuldade de gerir tempo e cansaço, o professor universitário e especialista em comunicação e media encorajou a que todas as experiências fossem vistas como momentos de aprendizagem e oportunidades para sermos mais do que o mínimo pedido. “Só depende de nós se somos ‘um’ ou apenas mais um”, sintetizou.

Com esta vontade de ser mais, Miguel Neiva lembrou os tempos em que regressou à faculdade, depois de se ter já formado em design, com o propósito de criar “qualquer coisa para os daltónicos porque não havia coisa nenhuma”.

O criador do sistema ColorADD para identificação de cores por daltónicos, usado em mais de 100 países, desafiou cada um a fomentar a diferença e a vontade de mudar no seu campo de trabalho.

Sem negar a força de uma ação singular, Miguel Neiva lembrou que “não é uma tarefa de uma pessoa só” mudar o mundo, mas sim uma missão de todos. Guiado pela certeza de que “existir é suficientemente escasso” para que nos fiquemos pelo que é obrigatório fazer, Miguel Neiva conta com todos para “tornar o mundo num lugar mais inclusivo para todos”.

Proximidade e escola desafiadora

Com passado de autarca e secretário de Estado, Miguel Alves serviu-se da celebração do π para falar de constantes — tendo a primeira que identificou na sua vida de mudanças sido a constante sensação de viver num “país que não é ouvido”, onde a voz das pessoas “nem sempre está na preocupação daqueles que governam”.

Esta é uma realidade que quer mudar com o projeto Conta Lá, que integra como comunicador. O recém-criado meio de comunicação social visa “falar de um Portugal diferente, do lado positivo e real das nossas famílias, casas e aldeias”, como descreveu.

Com uma abordagem focada na proximidade, o Conta Lá coloca a IA ao serviço da personalização de conteúdos, da produção a um ritmo humanamente impossível e da quebra da barreira linguística no consumo de notícias, como explicou Miguel Alves.

Vindo de bem próximo, Albérico Vieira, diretor do AEAAV, preferiu beber da inspiração dos alunos a enveredar por um discurso sobre si próprio. Orgulhoso do trabalho dos estudantes, o diretor atribuiu ao curso e ao PiGo o título de exemplos representativos do que deseja criar no agrupamento — “uma escola sem limites” e que “dê resposta às necessidades reais da comunidade”. “O talento está aqui, basta dar-lhe o palco certo”, reafirmou.

A lembrar os tempos de estudante de Gestão esteve Gonçalo Gil, fotojornalista e diretor-geral da Fórum Estudante, que falou de “escolhas”. Recordando as opções que tomou ao estudar Gestão por aconselhamento dos pais e a aventura que foi o fotojornalismo, após a experiência na empresa do pai não ter funcionado, Gonçalo Gil aconselhou os alunos a não terem medo de escolher, voltar atrás e escolher outra vez. “Tenham paz e sejam felizes”, desejou.

Neste sentido, inspirado pela infinidade do π, Álvaro Carvalho, gestor no setor da água e sustentabilidade na Águas do Norte, encorajou que, tal como ele próprio fez — começando inspirado pelo legado que poderia imprimir em edifícios com o seu trabalho na área da engenharia —, os estudantes não tivessem medo de explorar e experimentar. Para qualquer área de trabalho, Álvaro Carvalho recomendou a construção permanente de uma boa rede de contactos.

Ensino Profissional sem estigma

Lu do Valle apresentou como superação do ‘limite’ clássico de conhecer uma cidade pelos principais pontos turísticos o projeto de orientação urbana CityCOS. O seu “sonho de 10 anos” quer levar visitantes, turistas e locais pelos quilómetros menos explorados de cada espaço, para que realmente se conheça a alma e o coração dos territórios.

Numa troca de carreiras, do morno percurso na arquitetura para o destaque na economia, Rita Faria afirmou ter chegado a diretora-geral da KuantoKusta pela ausência de medo de mudar de rumo e pela capacidade de encarar os aparentes falhanços como oportunidades para recomeçar.

Neste sentido, a oradora Daniela Gonçalves, especialista em comunicação e formadora de profissionais da educação, que começou a vender sapatos no negócio dos pais, partilhou o ensinamento que costuma transmitir aos alunos — o verbo “esperançar”, que vê a esperança como algo em permanente movimento e com o olhar posto no futuro, sem esquecer o passado e sempre pronto a incentivar a ação.

Carlos Coelho, presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, juntou-se ao rol de oradores para reforçar os parabéns aos alunos pela organização de mais uma edição do PiGo, lembrando que “todos os detalhes” apresentados ao público “não aparecem por acaso”, mas são fruto da dedicação dos estudantes.

“Estes alunos e este evento são prova de que o Ensino Profissional é uma grande força e não uma segunda opção”, louvou o edil.

Em agradecimento a todos os professores, o obrigado foi personalizado em Paulo Calhou, que colabora para a concretização do PiGo desde o início, “ajuda e incentiva os alunos” e faz parte desta “grande força psicológica que lhes diz que são capazes”, nas palavras de Carlos Coelho.

Em ode ao Ensino Profissional esteve a intervenção de Hugo Carvalho, coordenador do Curso de Multimédia do AEAAV e um dos grandes impulsionadores do PiGo. Nascido em Viseu e formado no ensino profissional, criticou a visão do seu tempo de esta ser uma opção para “desinteressados, desmotivados e inadaptados”.

Como investigador, apresentou “o maior estudo feito sobre o Ensino Profissional em Portugal”, que demonstra que os estudantes estão, em comparação com os colegas do ensino ‘regular’, mais motivados, otimistas, com melhores resultados, menos disciplinas deixadas por completar e “sentem-se com maior ambição e sentem que vão fazer a diferença”, detalhou o professor.

Perda e empatia

O prémio PiGo 2026 foi entregue por Hugo Carvalho a Ricardo Pocinho, presidente da Associação Nacional de Gerontologia Social e docente na ESECS. O convidado surpresa assegurou não querer ser exemplo para ninguém e menos ainda um reforço de que “hoje em dia tudo é simples, que basta querer”.

O orador afirmou que, na sua experiência, não há segredos nem atalhos para o sucesso — “é realmente preciso trabalhar muito”, assegurou.

Na reta final, Pedro Ramos, CEO da Dale Carnegie Portugal e especialista em liderança e gestão de pessoas, contou ao público sobre os tempos em que trabalhou na TAP, durante anos de grande sucesso que antecederam a pandemia.

Durante a covid-19 teve de despedir vários trabalhadores, uma tarefa que “requer frontalidade e o máximo de empatia”. O contraste entre os primeiros e os últimos anos na empresa de aviação ensinou a Pedro Ramos um conselho que deixou aos jovens: “preparem-se para o melhor, mas sempre cientes de que o pior pode acontecer”.

A fechar, o artista Pedro Gonçalves, cantor e participante no The Voice Portugal e no Festival da Canção, que abriu o PiGo com uma atuação, falou da perda da mãe em alusão ao tema do evento, tendo esta viragem sido para si um “momento de limite da dor humana”, que inspirou o tema ‘Lágrimas’, que apresentou no encerramento do encontro.

Por outro lado, Pedro Gonçalves olhou para a base do evento, o π, como um infinito de possibilidades, algo “sem limites”, como aquilo que pode explorar através da música.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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