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Caderneta de Cromos #9 | Grandes jogos e um herói improvável

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Este dia de Caderneta de Cromos viu Portugal apurar-se com um jogo por disputar, o que é raro. As seleções africanas deram tudo de si e provam que estão no mundial não só para passear. Além disto houve ainda um herói que se lançou em campo com várias mensagens de protesto.

Aboubakar trava ímpeto sérvio

Ninguém daria nada por um Camarões x Sérvia. Como a expectativa era baixa, as duas equipas decidiram colocar toda a “carne no assador” e presentear todos os que duvidam com um grande jogo de futebol, dos melhores que o Qatar já viu.

Ambas tinham perdido o primeiro jogo e nenhuma podia perder o segundo, senão ficava fora. As duas equipas entregaram-se por completo ao jogo. A Sérvia quis lavar a cara depois de uma pálida exibição frente ao Brasil e dominou a primeira parte quase por completo. Mas se Mitrovic falhava as oportunidades claras que os seus colegas ou a defesa contrária lhe dava, os Camarões não precisaram de muito para inaugurar o marcador. Castelletto marcou num canto e contra a corrente do jogo, eram os africanos a adiantarem-se no marcador.

A Sérvia não parou e foi com tudo para a frente, operando a reviravolta ainda na primeira parte. O início da segunda parte confunde-se com a primeira. A Sérvia a atacar com tudo e a chegar ao 3-1, com Mitrovic a redimir-se dos falhanços do primeiro tempo. Estava o jogo resolvido. Até que do outro lado entra Vincent Aboubakar. Este nome não passa despercebido para os menos esquecidos. O ex-avançado do FC Porto mudou por completo o jogo e fez mesmo um golaço. Isolou-se na cara do guarda-redes, tirou da frente um defesa que aparecia atrás, e com classe picou a bola por cima do guardião sérvio. Estava apresentado Aboubakar a este mundial. Três minutos depois, numa jogada quase igual, o avançado deu a bola para Choupo-Moting encostar e restabelecer a igualdade no marcador.

Ganeses implacáveis

Se o primeiro jogo do dia tinha sido emocionante, o segundo não lhe ficou nada atrás. Em circunstâncias quase iguais, o Gana perdeu o jogo inaugural, a Coreia do Sul empatou, as equipas foram atrás do resultado positivo para poderem sonhar com os oitavos de final. A Coreia jogava e o Gana marcava. Em três remates à baliza marcou três golos. Uma equipa oportunista e a estratégia tem resultado, visto que contra Portugal fez mais três remates enquadrados e marcou dois golos.

Os coreanos jogaram mais e melhor, criaram mais, Cho Gue-Sung ainda deu alento ao empatar a partida em dois minutos, com dois grandes cabeceamentos, o segundo a fazer lembrar CR7, mas era o Gana quem levava os três pontos, num final inglório para os asiáticos que deram tudo o que tinham. A Coreia tem apenas um ponto e precisa de vencer Portugal e esperar por um milagre. O Gana encontra-se em posição privilegiada, onde precisa apenas de empatar frente ao Uruguai.

Brasil de serviços mínimos

O Brasil que tinha ganho à Sérvia defrontava a Suíça com algumas baixas. Neymar e Danilo lesionaram-se no último jogo e falham, pelo menos, a fase de grupos. Para colmatar as baixas, Tite colocou Fred e Militão lá para dentro.

O jogo do Brasil foi mais lento, com menos harmonia e ‘joga-bonito’. A isso aliou-se o facto de a Suíça ser bem mais organizada na defesa e atrevida no ataque, ainda que um ataque mais ponderado, para não perder as estribeiras lá atrás.

Só com um rasgo de Casemiro o Brasil resolveu o jogo que complicou. Um remate fortíssimo sem preparação fez com que Sommer ficasse a olhar para a bola a entrar na sua baliza. Jogo desbloqueado e aí a equipa brasileira soltou-se mais e notaram-se alguns rasgos de genialidade, ainda que contida. Este Brasil é forte, e preparado para atacar o hexa.

Isto sim é Portugal

O jogo de cartaz disputou-se ao fim da tarde de hoje. Portugal e Uruguai mediam forças, na reedição de um duelo dos oitavos de final do mundial da Rússia, que os Celestes festejaram.

Ambas as equipas estavam diferentes em relação ao mundial anterior. Portugal garantiu novos reforços e apresentou-se com uma equipa muito forte e equilibrada, de fazer inveja a maior parte das seleções presentes no Qatar.

Uruguai chegava sob as prestações de Fede Valverde no Real Madrid, Darwin no Liverpool e contava ainda com Suarez e Cavani. Portugal foi superior na esmagadora maioria do encontro. Mais bola, mais controlo, mais ataques. O Uruguai tentava sobretudo pela velocidade de Darwin na esquerda. A primeira parte foi intensa, mas nula.

A abrir a segunda parte, Bruno Fernandes fez o golo inaugural. Um remate que pareceu um cruzamento, Cristiano ainda se lança à bola o que confunde o guarda-redes, e a bola acaba dentro da baliza. Estava desbloqueado o marcador, Portugal estava nos oitavos e o Uruguai com um pé fora do Qatar. Os jogadores lusos começaram a baixar as linhas e os uruguaios foram avançando, acumulando ocasiões para empatar. Valeu Diogo Costa, a mostrar que o erro cometido no jogo frente ao Gana não voltaria a acontecer e defendeu tudo o que havia para defender, ele e o poste.

Já depois de refrescar o meio-campo, Portugal voltou a ter bola e a subir no terreno. Aos 90’, numa jogada combinada de ataque português, um defesa uruguaio joga a bola com a mão e o árbitro, após revisão no VAR, assinala grande penalidade, que Bruno Fernandes (Ronaldo já tinha saído para a entrada de Gonçalo Ramos) não treme e faz o segundo de Portugal e o seu segundo pessoal, para lançar a armada lusa para a próxima fase do mundial.

Mas o verdadeiro protagonista do dia não foi Bruno, nem Diogo Costa, nem nenhum jogador. No início da segunda parte, ainda antes de Portugal inaugurar o marcador, um adepto invadiu o campo. Embora a realização televisiva não o tenha mostrado, as máquinas fotográficas no estádio mostraram os ângulos todos. Não só o adepto em questão levou uma bandeira LGBTQIA+ como fez um hattrick de protestos. A juntar-se à bandeira, o adepto levou uma camisola onde à frente tinha o símbolo do Super-Homem e a frase “Save Ukraine” (Salvem a Ucrânia) e atrás “Respect for Iranian woman” (Respeito pela mulher iraniana). É já a imagem deste mundial.

Era uma vez… o Mundial | Coroação de Pelé no México

A nona edição do campeonato do mundo jogava-se no continente americano. O México recebia as 16 seleções e preparava-se o primeiro mundial transmitido a cores na televisão. Bem a tempo de ver o rei Pelé fazer aquele que seria o seu mundial de consagração.

Foi o mundial do futebol bonito. O Brasil ultrapassou três campeões, a Inglaterra, o Uruguai (ultrapassando o fantasma do Maracanazo vinte anos antes) e a Itália.

Pelé, com 29 anos e a fazer o seu quarto mundial calou todos os que diziam que já não conseguia ser o líder da equipa brasileira. Pelé aliou-se a uma boa equipa e, juntos, levantaram a taça Jules Rimet pela terceira vez.

A final, onde o Brasil banalizou a Itália, teve direito a golo de cabeça do Rei, e a um golo perfeito, que passou por nove jogadores brasileiros, antes de Carlos Alberto fuzilar a baliza italiana.

Nas meias-finais deu-se o Jogo do Século. A Alemanha e a Itália chegavam ao prolongamento empatados a uma bola. Nos trinta minutos extra houve cinco golos, três para a Itália, que até ali só tinha feito um golo na fase de grupos, e dois para a Alemanha.

Na primeira fase, entre Brasil e Inglaterra, esse jogo ficou conhecido por um lance do golo que Pelé não fez. Um cabeceamento certeiro que levou Gordon Banks a realizar uma defesa onde a bola faz uma trajetória a desafiar a lei da física. Esse e um remate atrás da linha de meio-campo que caiu muito perto da baliza foram os dois golos que Pelé não fez no México’70.

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Francisco Amaral
Jornalista Estagiário do Jornal de Albergaria – Licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra. O gosto pela escrita e o bichinho pelo jornalismo desportivo trouxe-me até a Albergaria. Tento sempre ter um livro debaixo do braço e um filme na cabeça.
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