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Caderneta de Cromos #3 | Surpresas e certezas

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Aí está a primeira surpresa

Diz-se que quando Jesus foi pregado na cruz, este ressuscitou ao terceiro dia. No Qatar, ao terceiro dia houve surpresa. A Argentina, uma das grandes favoritas, por ser o último mundial de Messi, por estar invicto há 35 jogos consecutivos, por ter uma grande geração de talento, caiu ao primeiro jogo.

A partida começou como todos esperavam: a Argentina com ‘ganas’ de impressionar, dominar e começar o mundial com uma exibição convincente. Todos pensavam que a exibição era o importante, pois a vitória frente à modesta Arábia Saudita era garantida. Messi marcou mesmo perto dos 10 minutos, através da marca de grande penalidade. Mas a grande figura da primeira parte não foi o astro argentino, o primeiro a marcar golos em quatro edições do mundial (2006, 2014, 2018, 2022; em 2010 ficou em branco), a figura dos primeiros 45 minutos foi o VAR.

Se ao intervalo a Argentina vencia por 1-0, os sauditas bem podiam agradecer à tecnologia do vídeo-árbitro. No espaço de 35 minutos, foram anulados três golos aos argentinos, dois deles pelo ombro. A Arábia Saudita não tinha feito qualquer remate à baliza de Emiliano Martínez, algo que os adeptos já esperavam.

Na segunda parte tudo mudou. Em cinco minutos os sauditas marcaram dois golos (o segundo é um golaço a fazer lembrar Messi) e espantavam o mundo com a forma como se entregavam e lutavam em campo em todas as disputas de bola. A partir daí a Argentina, surpreendida, tentou reduzir os danos através do talento individual, mas a boa organização defensiva, a combatividade e as defesas do guarda-redes saudita iam mesmo confirmando a primeira grande surpresa do mundial. Nota para o primeiro golo dos sauditas ter sido apontado por Saleh Al Shehri, avançado que passou pelo Beira-Mar em 2012/13.

Jogo intenso, mas sem golos

Não foi preciso esperar muito para encontrarmos o primeiro nulo do mundial do Qatar. Dinamarca e Tunísia protagonizaram um jogo interessante, mas sem golos. Favoritos para o encontro, os vencedores do europeu 1992 depararam-se com uma Tunísia bem montada, perigosa e organizada.

Houve várias ocasiões de parte a parte, o acerto na baliza não foi o melhor e os guarda-redes cumpriram bem a tarefa. A Tunísia revelou ser uma equipa a estar atenta nesta fase de grupos e poderá causar problemas à Austrália e até, quem sabe, à campeã em título França. Tudo é possível neste mundial, veja-se só o que a Arábia Saudita fez à Argentina.

Pouca parra e pouca uva

Há jogos que ficam para a história dos mundiais. Este México – Polónia não é, certamente, um deles. Um nulo no marcador e quase nulo no decorrer do jogo. Sobretudo na primeira parte ninguém queria ter a bola, tal indefinição levou a que o México acumulasse as melhores chances de golo, mas nem por isso surgiram golos na baliza do pouco seguro Szczesny.

Se de um lado havia um guarda-redes que inexplicavelmente alinha numa das melhores equipas da Europa, do outro havia uma lenda de mundiais. Ochoa é o guarda-redes mexicano que ninguém sabe onde anda durante quatro anos, e quando aparece para um Mundial está sempre ao nível dos melhores do mundo. Hoje não foi diferente. Quando a equipa mais precisou dele, aos 58’, numa grande penalidade, o ‘mítico’ guardião defendeu o penalti batido por Robert Lewandowski. A partir daí as equipas fizeram um pacto de não agressão e limitaram-se a trocar a bola sem tentar marcar golo. De longe o jogo mais pobre deste mundial.

Sol de pouca dura

O último jogo do dia apadrinhou a estreia em competição da campeã em título França. Havia alguma expectativa em torno da cara que os gauleses iam mostrar, não só pela ausência forçada de Benzema, mas também pela forma menos positiva como a equipa chegava ao Qatar.

A Austrália participa pela quinta vez consecutiva no torneio, o que é um feito de louvar. À semelhança do que aconteceu com a Argentina, esta manhã, a Austrália quis compartilhar o palco da glória com a Arábia Saudita, e decidiu marcar primeiro, para espanto de todos. Mesmo que algo fogaz, o golo serviu de lição aos franceses, que imediatamente trocaram a forma de jogar, e foram atrás do prejuízo.

Ainda na primeira parte os campeões mundiais deram a volta, sossegando os milhares de adeptos presentes no estádio. A segunda parte revelou um domínio natural e acentuado da equipa gaulesa, que marcou por mais duas vezes (dois golos quase imediatos e tirados a papel químico) antes de terminar a partida.

Apesar da entrada pouco fulgurante, a seleção francesa sai do primeiro jogo com a certeza de que veio ao Qatar para revalidar o título.

Era uma vez… o Mundial | O primeiro Bi-campeão

O mundial de 1938 foi jogado em França. Como não foi respeitada a alternância da prova entre continentes, o Uruguai e a Argentina boicotaram a prova e o Brasil foi o único representante do continente sul-americano a marcar presença. O Brasil é, de resto, a única seleção que participou em todos os campeonatos do mundo.

Cuba foi o representante do resto do continente americano e as Índias Orientais Holandesas (atual Indonésia), sem terem jogado um jogo sequer, foram convidadas a participar, tornando-se na primeira seleção asiática a participar num mundial.

A Itália, campeã em título, era a grande favorita a vencer a competição. A ela juntava-se a Alemanha, que, entretanto, havia anexado a Áustria e recrutou nove austríacos da famosa WunderTeam. Os alemães caíram logo no primeiro desafio. Após um jogo empatado contra a Suíça, o jogo de desempate até viu os alemães em vantagem por 2-0, mas sofreram reviravolta surpreendente e acabaram por cair por 4-2. O sonho de Hitler de afirmação da supremacia germânica esbarrou no canivete suíço.

A Itália fez um caminho imaculado: venceu a Noruega, depois a França, num jogo em que ambas iam alinhar de azul, então a Itália trocou para o equipamento negro, a cor associada às milícias de Mussolini, ostentando o símbolo fascista. Derrotada a anfitriã foi a vez de bater o Brasil na meia-final, marcando encontro com a Hungria na final. Conta-se que na primeira parte a Itália jogou tão bom futebol que fez com que os adeptos mais críticos esquecessem os preconceitos políticos e étnicos. No fim ganhou a Itália, com uma exibição convincente, ao contrário do mundial quatro anos antes. A Itália guardou a taça durante 16 anos, pois o campeonato do mundo só regressou em 1950, no Brasil, após as edições de 1942 e 1946 não serem disputadas devido à II Guerra Mundial e os danos que esta causou.

Pelo Brasil chegaria uma história insólita. Leônidas, o craque brasileiro daquela geração, marcou um golo descalço contra a Polónia. A chuteira rebentou, o guarda-redes polaco terá feito uma oferta generosa e o “Diamante Negro” aproveitou para marcar o golo com o pé descalço. Esse Brasil – Polónia é dos jogos mais épicos da história dos mundiais: 6–5 para o Brasil, Leônidas fez três golos, Ernest Willimowski fez quatro. O Brasil estava a vencer por 3-1, mas um temporal deixou o campo todo enlameado e a Polónia aproveitou para empatar o jogo 4-4 levando a partida para prolongamento. No prolongamento, o Brasil acabou mesmo por vencer com mais uma reviravolta.

Este foi também o mundial que consagrou Giuseppe Meazza como um dos melhores da história transalpina. O treinador Vittorio Pozzo dizia mesmo que ter o jogador italiano na equipa significava começar a ganhar por 1-0. Meazza é uma das maiores figuras do Inter Milão, tendo jogado na equipa nerazzuri por mais de uma década. Passou ainda por Milan e Juventus, tendo um estádio em Milão dedicado com o seu nome, que serve de partilha entre os dois gigantes de milão.

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Francisco Amaral
Jornalista Estagiário do Jornal de Albergaria – Licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra. O gosto pela escrita e o bichinho pelo jornalismo desportivo trouxe-me até a Albergaria. Tento sempre ter um livro debaixo do braço e um filme na cabeça.
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