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Caderneta de Cromos #16 | O adeus nipónico e o samba brasileiro

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No penúltimo dia de oitavos de final, dois grandes jogos, um com muitos golos, outro com muito poucos. Um dia repleto de emoções, na despedida de uma equipa que uniu o mundo.

Sonho japonês esbarrou na parede de Livakovic

Ao ver o que fez o Japão contra equipas como a Alemanha e mesmo a Espanha, e o que a Croácia tem sido nos últimos anos, um osso duro de roer e uma equipa super competitiva, antevia-se um jogo equilibrado nos oitavos de final entre as duas equipas.

Foi tudo aquilo que se esperava. A Croácia entrou melhor, mas rapidamente o Japão equilibrou e tornou-se mais perigoso. Com processos simples, mas fluídos, os nipónicos iam-se aproximando cada vez mais da baliza de Livakovic que ainda defendeu alguns lances, antes de Maeda, em cima do intervalo, inaugurar o marcador.

A segunda parte começa com a reação dos croatas. Intensos, os jogadores da Croácia acercaram-se da baliza de Gonda e com um cruzamento de Lovren, Perisic marcou um grande golo de cabeça, com um remate quase à entrada da área. O empate estava feito e a partir daí o jogo ficou partido. Ora o Japão atacava, ora atacava a Croácia. Um jogo intenso, nem sempre bem jogado, mas que teve duas equipas que deixaram tudo em campo.

Tão equilibrado estava que foi a prolongamento, o primeiro neste Qatar 2022. Não surgiram grandes oportunidades de parte a parte, não que as equipas não fossem objetivas e quisessem chegar ao golo, mas o cansaço de parte a parte fez-se sentir. Um dos sacrificados foi mesmo Modric, a estrela da companhia croata, que esteve apagado durante a primeira parte do encontro.

Tudo empatado ao fim de 120 minutos, era hora das grandes penalidades, um cenário que o Japão não deve ter treinado para este encontro. Em quatro penaltis, foram três remates que Livakovic defendeu. Os croatas foram implacáveis e falharam apenas uma grande penalidade, com a bola a ir ao poste.

Terminou cedo o sonho japonês, uma equipa que pela sua qualidade futebolística e pela sua simplicidade e humildade fora do campo fez com que, um pouco por todo o mundo, fizessem muitos fãs. É já uma das equipas sensação do mundial do Qatar.

Brasil sambou quatro vezes

O outro jogo dos oitavos de final do dia ditou um Brasil x Coreia do Sul. A Coreia do Sul que se apurou no último minuto, ao vencer Portugal, e eliminou o Uruguai da fase de grupos, tinha uma tarefa bastante complicada ao enfrentar o Brasil que via regressar duas das peças fulcrais para encarar o torneio. Neymar e Danilo regressaram de lesão e foram apostas no onze inicial.

Foi uma primeira parte avassaladora. Em 45 minutos o Brasil fez quatro golos, e mais podia ter feito. Neymar, Richarlison, Vinicius e Paquetá fizeram os golos brasileiros, e fizeram também o país a sambar. Na segunda parte mais podia ter feito, mas tirou o pé do acelerador e a certa altura fez vários jogadores descansar, incluindo Danilo e Neymar. Deu, inclusivamente, para estrear Weverton na baliza brasileira, e assim Tite deu minutos aos três guarda-redes que levou para o Qatar.

A Coreia nem jogou mal, simplesmente encontrou um Brasil implacável na frente e muito competente atrás. Alisson fez defesas apertadas para segurar a baliza canarinha, mas nada conseguiu fazer no tento de honra dos coreanos. Na sequência de um livre, a bolsa ressaltou e, depois de controlada, Seung-Ho disparou um forte remate e reduziu para o 4-1. Não mais o marcador mexeu.

Era uma vez… O Mundial | Zidane no eclipse do Fenómeno

Zinédine Yazid Zidane, nascido a 23 de junho de 1972, filho de pais argelinos. Este é o nome de um dos maiores jogadores a pisar o campo de futebol. As suas principais características eram a calma com que jogava, o controlo e o domínio do objeto de jogo, a visão que lhe permitia estar sempre um passo à frente do adversário, e finalização impressionante.

Ronaldo Luís Nazário de Lima, nascido a 18 de setembro de 1976. Este é o nome de um dos maiores jogadores a pisar o campo de futebol. As suas principais características eram a seua velocidade com e sem bola, o drible capaz de deixar qualquer adversário no chão e faro goleador.

Estes dois, que viriam a ser companheiros de equipa no Real Madrid dos Galácticos, foram as figuras maiores do França ’98.

Se um apareceu mais na final para pegar na taça, o outro traçou o caminho todo até lá, mas depois adormeceu.

A França, que esteve desde 1990 sem pisar os relvados dos campeonatos do mundo, exerceu um trabalho intenso de reestruturação e desenvolvimento de talento. Em 1998, ano em que organizou o mundial, a França reunia uma geração de ouro, que viria a ganhar o mundial nesse ano, e dois anos mais tarde o Euro.

O mundial alargou-se e contou pela primeira vez com 34 equipas. A França começou a caminhada com uma fase de grupos tranquila, com três vitórias em três jogos. Nos oitavos superou o Paraguai através do golo de ouro, o único golo de ouro na história dos mundiais. O golo de ouro ditava que, em caso de empate, o jogo seguia para prolongamento e para incentivar o jogo “positivo”, a equipa que marcasse ganhava o jogo, não permitindo terminar nos 120 minutos. Aos 114’, Laurent Blanc fez o golo e o jogo acabou ali. Nos quartos de final, os franceses suaram, mas eliminaram a Itália nos penaltis. A meia-final opôs os anfitriões à equipa sensação, a Croácia, mas terminou o sonho dos estreantes com dois golos de Thuram, os dois únicos golos do defesa francês pela seleção.

Já o Brasil venceu dois dos três jogos da fase grupos, perdendo o último para a Noruega. Ronaldo, o Fenómeno (como vai ficar sempre conhecido), carregou a equipa às costas na fase a eliminar. Dois golos na goleada ao Chile nos oitavos, golo e penalti convertido no desempate por penaltis nas meias-finais diante dos Países Baixos. Apenas ficou em branco nos quartos de final, frente à Dinamarca (aí foi Rivaldo que resolveu), e na final.

Toda a gente esperava uma grande final. De um lado os anfitriões com uma grande geração de jogadores, do outro, o campeão em título, também em grande. A França de Zidane dominou. O médio francês fez dois dos três golos, contra um Brasil apático, como estava também Ronaldo. Mas esta apatia teve explicação. Ronaldo, o Fenómeno, tinha sofrido uma convulsão durante a madrugada do dia da final. O ex-craque confessou que poderá ter sido de sofrer uma pressão enorme em torno daquele jogo. Não estando em condições, era para não ter jogado, mas pediu para jogar. Conclusão: não só não fez nada, como contagiou toda a equipa e eram uma sombra do que tinham sido até lá. Aproveitou a França, e Zidane, para levantarem pela primeira vez o troféu.

Este foi também um mundial de grandes equipas e jogos. Do empate entre Inglaterra e Argentina nos oitavos de final. Já sem Maradona, a Argentina foi capaz de eliminar, nos penaltis (a besta negra dos ingleses), os ingleses Shearer e Michael Owen, ao jogo dos quartos de final entre Países Baixos e Argentina, que serviu para desforra dos neerlandeses. Os Países Baixos contavam com uma grande geração, com craques como Van der Saar, Patrick Kluivert, Dennis Bergkamp, Frank de Boer, Overmars, Davids ou Van Nistelrooy.

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Francisco Amaral
Jornalista Estagiário do Jornal de Albergaria – Licenciado em Jornalismo e Comunicação pela Universidade de Coimbra. O gosto pela escrita e o bichinho pelo jornalismo desportivo trouxe-me até a Albergaria. Tento sempre ter um livro debaixo do braço e um filme na cabeça.
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