“O que mais me seduz é sentir o prazer das pessoas com o espectáculo”

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João Baião, pouco tempo antes de subir ao palco do Cineteatro Alba, falou ao Jornal de Albergaria, sobre a comédia musical “Monólogos da Vacina”. Apesar do jantar à espera no Restaurante A Casa da Teresinha, com mesa cheia e música ao vivo, o ator respondeu sem poupar nas doses de simpatia e bom humor. É a sua primeira vez no Cineteatro Alba, mas já esteve antes em Albergaria-a-Velha e sabe que é sempre bem recebido.

– Os Monólogos da Vacina não são um monólogo, nem tão-pouco uma vacina. Afinal, o que é este espectáculo?

– É um espectáculo que brinca com o trocadilho da peça Monólogos da Vagina e, como foi criado numa altura em que se falava muito da vacina contra a Covid, depois de virmos de um período triste e dramático para o mundo inteiro, pretende misturar a vacina – no sentido de esperança e de muita alegria, que é o que estamos a precisar depois de termos passado pelo confinamento – com monólogos, estes no sentido em que andámos dois anos confinados e fechados em casa, todos a falar um bocado sozinhos, em monólogo connosco próprios, a tentar perceber o que é isto, e o que iria ser o nosso futuro.

– É uma comédia musical que nos vacina contra as tristezas da vida?

– Sim, é sobretudo um banho de alegria, de festa, de dança, luz e cor. Tive esta ideia, desafiei uma série de amigos para escreverem vários textos, eu também escrevi alguns, compilei-os, tive uma equipa de jovens extraordinária, cinco atores – eu, a Cristina Oliveira, Mané Ribeiro, Susana Cacela, Telmo Miranda e oito maravilhosos bailarinos, e tudo resultou muto bem.

– Como ator, o que é que mais o estimula neste espectáculo?

– Tudo, tudo, isto excedeu todas as minhas expectativas. O que mais me espicaça e seduz mesmo é sentir o prazer das pessoas, ver como se divertem com o espectáculo, sentir a gargalhada do público, e no final, quando vou tirar fotografias – porque eu costumo sempre, no fim do espectáculo, tirar umas fotos e dar uns abraços – perceber a alegria das pessoas que me dizem que há muito tempo não se divertiam tanto, pessoas de várias idades, algumas que foram pela primeira vez ao teatro. Isso é das coisas que mais me estimula e emociona, assim como subir ao palco e ver uma casa cheia.

– Neste seu regresso ao teatro, tem tido sempre casa cheia, desde a estreia em março do ano passado?

– Sim, sempre, estreámos no dia 25 de março, em Castelo Branco, e está a ser uma grande experiência, uma grande viagem. Nunca pensei alguma vez na vida encher por três por vezes, duas vezes cada, o Coliseu do Porto, o Teatro Tivoli em Lisboa, o CAE da Figueira da Foz, grandes salas com capacidade para levar muita gente e que estiveram cheias.

– Em Albergaria também esgotou a lotação da sala e tiveram que fazer um espetáculo extra…

– É verdade, é muito, muito bom!

– O que espera do público de Albergaria?

– O mesmo que em todos os lugares: que as pessoas se divirtam, que gostem e deem por bem entregue o tempo que vieram aqui passar connosco, porque isto é um espetáculo de entretenimento puro e, quando as pessoas saem de casa, tem que valer a pena. Houve um período em que não pudemos sair e há quem ainda tenha algum receio, sobretudo nestas noites de frio. Por isso, é um orgulho, um privilégio ver que as pessoas saem de casa, do seu conforto, do seu quentinho, para ir a uma sala de teatro ver um espetáculo.

– É a primeira vez que sobe ao palco do Cineteatro Alba?

– Sim, é a primeira vez no Cineteatro Alba, mas não em Albergaria. Já cá estive mais vezes, já andei por todo o país…

– Albergaria-a-Velha recebe-o sempre bem?

– Sim, gosto muito de vir cá e temos aqui amigos em comum. Felizmente, sou muito bem recebido em todo o lado, recebem-me sempre como se fosse da família.