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16 anos do trágico e fatal acidente na A25. Comandante Valente lembra “cenário muito, muito complicado”

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Os dois choques em cadeia provocaram seis mortos e 70 feridos. José Valente Ferreira, comandante dos Bombeiros de Albergaria de 2012 a 2020, foi dos primeiros a chegar ao terreno e recorda o trágico acidente de 23 de agosto. “São situações que causam grande constrangimento psicológico. Houve pessoas a morrer dentro dos carros sem poder receber ajuda”.

O dia era de chuva e nevoeiro intenso. Na A25, junto às Talhadas, Sever do Vouga, dois choques em cadeia provocaram seis mortos e mais de 70 feridos. Os acidentes envolveram mais de meia centena de veículos e mobilizaram mais de 200 operacionais, entre Bombeiros, INEM e forças de segurança.

O primeiro acidente ocorreu no sentido Aveiro-Viseu e, minutos depois, a centenas de metros e em sentido inverso, ocorria outro sinistro. 23 de agosto de 2010, ontem a completar 16 anos, fica na memória como um dos episódios mais negros da história rodoviária nacional.

Os feridos foram levados para os hospitais de Aveiro, Santa Maria da Feira, Águeda, Hospitais da Universidade de Coimbra, Hospital dos Covões, Viseu e Santa Maria, em Lisboa. Um dos primeiros a chegar ao acidente foi José Valente Ferreira, comandante dos Bombeiros de Albergaria de 2012 a 2020.

O comandante Valente recorda, em conversa com o JA, que o mais impactante foi o incêndio de, pelo menos, dois veículos – uma situação que provocou a propagação das chamas no local, impedindo o salvamento de quem havia ficado encarcerado no carro. “São situações que causam grande constrangimento psicológico. Houve pessoas a morrer dentro dos carros sem poder receber ajuda. São momentos em que queremos prestar socorro e não temos como”, lembra o comandante.

José Valente Ferreira fala de “um cenário muito, muito complicado” num nó onde, ainda hoje, o nevoeiro inesperado provoca inúmeros acidentes. Quando o troço ainda era a IP5, o comandante lembra-se de uma época em que se registava mais do que um acidente diário com vítimas encarceradas.

“Há situações para as quais somos chamados que nos são descritas como sendo o fim do mundo e são uma unha encravada e depois há aquelas que são mesmo – este foi um desses casos”, resumiu o comandante.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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