A reabilitação das margens do rio Vouga, em São João de Loure, representa um investimento de 1,5 milhões de euros e permite recuperar o equivalente a 11 hectares de terreno agrícola. A intervenção, que deverá estar concluída em outubro, abrange três quilómetros e é financiada pelo Fundo Ambiental.
Concretizada em tempo recorde, como reforçaram todas as entidades presentes, a reabilitação das margens do rio Vouga em São João de Loure, junto ao Parque dos Plátanos, permitiu reforçar os limites do curso de água e retirar o equivalente a 11 hectares de areia do terreno rematado pelas margens, onde já cresce milho verde.
Este é o maior dos cinco rombos a serem intervencionados ao longo da extensão do rio Vouga na zona. O investimento totaliza os 1,5 milhões de euros e prevê ação numa extensão de três quilómetros. O valor vem do Fundo Ambiental da APA – Agência Portuguesa do Ambiente.
Na visita à obra, começada em abril e já em fase final, com previsão de conclusão para outubro deste ano, o ministro da Agricultura e do Mar, José Manuel Fernandes, destacou “a rapidez nos trabalhos, num país tão marcado pela burocracia” e assegurou que a “simplificação e desburocratização do processo” no campo da agricultura estão a ser feitas, especialmente em situações de reabilitação pós-catástrofe, como foram as intempéries que afetaram o país no início do ano.
Carlos Coelho, presidente da Câmara Municipal de Albergaria, agradeceu a atenção do ministro à situação desde a primeira hora e louvou o trabalho da APA como bom exemplo de “colocar a teoria em prática” de forma eficaz. “No final, com esta união de forças, quem ganha é o povo e a nossa missão é servir o povo. Não fizemos mais do que a nossa obrigação”, afirmou o edil.
O presidente endereçou igualmente uma palavra de agradecimento “pela paciência” aos agricultores, elogiados pelo ministro como uma classe “que não desiste mesmo”, sempre resiliente perante as dificuldades que afetam o setor e o inevitável e imprevisível impacto das intempéries na atividade.
Rio de todos
Os autarcas vizinhos – Jorge Almeida, presidente da Câmara Municipal de Águeda; e Luís Souto, edil de Aveiro – referiram a importância de olhar para o rio Vouga como um todo e desejaram que a situação excecional de identificar problemas e apresentar soluções prontas se tornasse regra.
Jorge Almeida lembrou a evolução do Vouga ao longo da história, uma narrativa marcada por décadas de descargas descontroladas e que hoje visa olhar para o rio como um todo. “Os rios não têm donos nem fronteiras. Quando se trata de um rio tem de se cuidar de toda a sua extensão”, defendeu. Pimenta Machado, presidente da APA, assegurou que “nunca se investiu tanto no rio Vouga e nunca em Portugal se fez tanto pela saúde dos rios”.
O autarca aguedense reforçou a importância de combater espécies invasoras como as mimosas que, com o peso da crista da planta, sempre que chove, provocam rombos que afetam as margens dos rios; bem como a utilização mais eficaz de valores atribuídos para a reabilitação deste recurso natural – deixando críticas à construção de passadiços em locais propícios a cheias.
















