Depois das tempestades que abalaram milhares de hectares de floresta, em vez de armazenar madeira em parques públicos, a Unimadeiras sugere ao Ministério da Administração Interna investir diretamente na recuperação das florestas e no reforço da gestão dos proprietários.
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Perante os impactos das recentes tempestades que afetaram várias áreas florestais do país, a Unimadeiras SA apresentou uma proposta de política pública que visa estabilizar o mercado de madeiras e acelerar a recuperação do potencial produtivo da floresta portuguesa.
A ideia surge como alternativa à criação de parques públicos de madeira, locais de armazenamento temporário de troncos usados, defendida por alguns produtores para evitar que o excesso de oferta faça cair demasiado os preços. Em vez disso, a Unimadeiras defende apoios diretos aos proprietários florestais, para que possam recuperar as áreas afetadas, promoção de gestão florestal ativa e certificada e gerir a floresta de forma sustentável. “Um incentivo público à recuperação do potencial florestal em vez da intervenção direta do Estado na compra e no armazenamento de madeira”, lê-se em comunicado da empresa.
Segundo Nuno Pinto, os parques públicos não resolveram os problemas do setor. “A experiência mostra-nos que os parques públicos de madeira não resolveram os problemas estruturais do setor e acabaram por gerar custos elevados, distorções no mercado e até casos de fraude que lesaram o Estado. Uma parte da solução passa por apoiar diretamente os proprietários, promovendo a gestão ativa e certificada”, explicou.
A sugestão, que a empresa pretende apresentar à nova equipa do Ministério da Administração Interna e aos grupos parlamentares, prevê que os apoios públicos sejam atribuídos apenas a proprietários que adotem práticas verificáveis de gestão florestal e assegurem a manutenção das áreas reflorestadas.
De acordo com estimativas preliminares, as tempestades de fevereiro danificaram cerca de dois milhões de toneladas de madeira, principalmente pinheiro-bravo na região Centro. Este excesso de madeira no mercado provocou dificuldades económicas para proprietários e operadores da fileira florestal.


















