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Albergaria cria ‘Indústrias Seguras’ com reforço na partilha de informação, floresta nativa e formação de empresários

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O “Indústrias Seguras – Comunidade Segura” quer tornar as empresas da Zona Industrial mais resistentes a incêndios. O projeto municipal estipula um conjunto de medidas preventivas como a formação de empresários em meios de primeira intervenção, melhor coordenação entre firmas e meios de prestação de socorro e a criação de um painel com informações essenciais sobre a empresa que permitirá às forças de combate poupar tempo precioso na luta contra as chamas.

O penúltimo dia da Semana da Proteção Civil contou com a apresentação do projeto ‘Indústrias Seguras – Comunidade Segura’, na manhã de sexta-feira, na Biblioteca Municipal. A iniciativa já arrancou como projeto-piloto em 20 empresas do ‘Arruamento E’ da Zona Industrial, o mais vulnerável a incêndios, e continuará a ser implementado de forma faseada, em grupos de 10 firmas de cada vez, “para que o projeto possa realmente sair do papel”, como disse João Oliveira, coordenador municipal de Proteção Civil.

Carlos Coelho, presidente da Câmara Municipal de Albergaria, afirmou o ‘Indústrias Seguras’ como uma forma de “tornar o território mais resiliente”, capaz de deixar as “empresas mais tranquilas e preparadas” face aos incêndios que influenciam a indústria albergariense, como aconteceu nos fogos de 2019, 2022 e 2024 – estes últimos, com perda total de quatro empresas e um prejuízo de 10 milhões de euros.

Numa primeira fase, já em andamento, o programa começou a dar formação aos delegados de segurança das empresas no Centro Municipal de Proteção Civil (CMPC). O foco na prevenção está no cerne do projeto, que assenta em pilares de avaliação de risco e aplicação de medidas preventivas de acordo com as condições verificadas na empresa.

Neste sentido, um dos pontos do programa consiste precisamente na sensibilização para as questões arquitetónicas dos edifícios industriais – por exemplo, propostas simples como a colocação de um “telhado liso” para a evitar a acumulação de material combustível (folhas, pequenos ramos, etc…) em zonas onde frequentemente começam os incêndios.

Esta fase de análise implica igualmente um balanço dos materiais com que a empresa trabalha e a respetiva localização, para que os riscos de foco de incêndios sejam conhecidos e a ação dos meios de socorro possa decorrer de acordo.

Cortar não resolve

Outro dos pilares do ‘Indústrias Seguras’ foca-se na criação de faixas de gestão de combustível através do abate e eliminação de árvores afetadas pelos incêndios de 2024; destruição de cepos e controlo das espécies invasores lenhosas.

Mas, cortar não chega. A tendência nacional de eliminar espécies potenciadoras da propagação das chamas, segundo João Oliveira, tem-se demonstrado insuficiente. “A ausência de árvores nas proximidades cria uma falsa sensação de segurança porque não resolve o problema da chamada ‘onda de radiação’: este fenómeno faz com que o “fogo” continue a alastrar-se até encontrar um ponto onde possa pegar – que, normalmente, em zonas industriais, são as empresas”, explicou o coordenador municipal.

Para evitar a problemática, a Câmara Municipal optou por criar florestas nativas de folhosas, favorecendo a humidade desenvolvida debaixo das copas; e pela criação de uma rede secundária de gestão de combustível numa faixa de 100 metros em redor da Zona Industrial.

Coordenar e informar

Também já a ser desenvolvido está uma rede de georreferenciação dos hidrantes da Zona Industrial, que permite à Proteção Civil e Bombeiros de Albergaria ter acesso à localização, informação atualizada do estado de operacionalidade e nível de caudal da fonte de água. Carlos Coelho reforçou que esta base de dados permitirá “poupar tempo” precioso para o combate às chamas.

Com o mesmo propósito, o programa inclui a criação de um sistema de disponibilização de informações vitais, através de um painel informativo com acesso por QRcode, onde estarão dados como: matérias-primas no interior da fábrica; plantas de emergência; número de colaboradores e contacto do delegado de segurança.

“Basta ler com a câmara do telemóvel e têm toda a informação que precisam para intervir na área”, sintetizou João Oliveira, lembrando que a funcionalidade teria sido útil em situações passadas que o próprio experienciou enquanto bombeiro – como chegar a informações simples como saber o contacto do dono de empresa ou quem tem a chave do portão para evitar arrombamentos em casos não urgentes. Este código QR será igualmente vital para as forças de atuação externas ao concelho, como bombeiros de corporações limítrofes.

Proteção autossuficiente

Para uma fase futura e “mais ambiciosa”, com necessidade de financiamento de fora, o ‘Indústrias Seguras’ quer criar uma barreira de monitores para combate direto à chamas, com dispositivos instalados em torres próprias, com elevado poder de projeção para possível combate ao incêndio muito antes de chegar à extrema do edifício.

Adicionalmente, este ponto contará com uma rede própria de abastecimento, através de depósitos “comunitários” com águas tratadas das ETAR – combatendo a tendência nacional de desperdício de águas residuais – e o funcionamento autónomo através de sensores de incêndio.

O presidente da Câmara afirmou que a autarquia está a averiguar a possibilidade de financiar este ponto do ‘Indústrias’ através do PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência, um programa do Governo destinado à “resposta à catástrofe climática que assolou várias regiões de Portugal Continental entre 28 janeiro e 15 de fevereiro de 2026, e que prepara Portugal para um futuro mais seguro, resiliente e competitivo”, onde se inclui Albergaria-a-Velha.

Por fim, João Oliveira desejou que o Centro Municipal da Proteção Civil seja também “casa” das empresas, onde poderão procurar esclarecimentos e receber formação sobre combate às chamas numa primeira intervenção, gestão de emergência, combate a fogos urbanos, primeiros socorros, evacuação, etc. Neste ponto, o ‘Indústrias Seguras’ prevê a criação da figura do Gestor de Emergência da Zona Industrial em cada empresa para facilitar a comunicação e coordenação das firmas com a Proteção Civil.

De momento, no global, foram investidos meio milhão de euros no programa ‘Indústrias Seguras – Comunidade Segura’.

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Beatriz Ribeiro
Beatriz Ribeiro
Formada em Jornalismo pela FCSH. Com gosto pela escrita e pesquisa de informação, vim de Almada para Albergaria para estar mais próxima das pessoas – a peça central do jornalismo. Amante de música e podcasts, agora aprendo a caminhar sem fones, em busca das vozes dos locais.
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