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2020 dita novas tendências para umas férias diferentes

  • Categorias Reportagem
  • 18 de Julho, 2020
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2020 dita novas tendências para umas férias diferentes

Do sonho à realidade: deixar a vida urbana para trás e entrar em simbiose com a natureza. Trocar o stress do dia a dia por um ambiente tranquilo, sereno e acima de tudo seguro. Fazer uso dos nossos cinco sentidos, como se da primeira vez se tratasse, ao pousar o olhar sob o tesouro que se esconde para lá da montanha que dá pelo nome de QUINTA DO CAIMA.

Este empreendimento turís­tico, situado nas margens do Rio Caima (na Rua da Feitei­ra – freguesia da Branca) está “escondido” num vale e tem o verde das árvores envolventes como pano de fundo. Passeios e batismos a cavalo, quinta com animais (cavalos, lamas, bur­ros, cabras anãs, coelhos, suri­catas…), parque radical, aloja­mento em bungalows, passeios pelas margens do Caima (do moinho até aos açudes, pas­sando pelas ruínas da antiga fábrica de papel), piscina e bar que serve refeições ligeiras são algumas das opções disponí­veis para passar bons momen­tos com a família e amigos. O complexo turístico está dispo­nível em vários sites de aloja­mentos na internet.

Mas, afinal, como surgiu este pequeno paraíso no meio da natureza? Pois bem, parece que tudo não passou de uma ca­sualidade e, passo após passo, as coisas evoluíram até aqui­lo que são hoje. Luís Capela é o responsável pela criação da Quinta do Caima e explicou ao Jornal de Albergaria como tudo começou.

“Tenho uma empresa de construção de casas de madeira e, na altura, andava à procura de um pavilhão para me esta­belecer e alargar empresa. Vim a saber que a antiga Fábrica do Caima estava em leilão. Eram 19 artigos e eu comprei-os to­dos com o meu pai”. Apesar da propriedade, que tem cerca de 50 hectares, estar licencia­da para turismo, Luís Capela admite que quando comprou os lotes estava apenas focado em alargar a empresa. “Eu e o meu pai pensámos fazer algo em grande aqui, mas era algo que financeiramente não tinha pernas para andar”, conta. As circunstâncias da vida fizeram com que toda a parte edificada do espaço comprado ficasse a seu encargo. “Comecei lenta­mente a investir aqui, a fazer limpezas às silvas e a recons­truir algumas coisas. Na altura havia aqui muito vandalismo. Infelizmente, este espaço era considerado de toda a gente. A fábrica ficou a dever dinheiro aos trabalhadores e eles acha­vam-se no direito de entrar aqui e tirar os cabos elétricos, janelas… O ferro desapa­receu todo, agora só se vê betão!”, explica o proprietário da Quinta do Caima.

Consulte as diversas tipologias de Bungalows em: www.caimaecoresort.com

E foi com o intuito de pro­teger a propriedade que Luís Capela, natural de Angola, e a esposa, Susana Capela, natural de Santo Tirso, acabaram por mudar a sua residência e ir vi­ver para a antiga casa dos pro­prietários da fábrica do Caima. “A primeira coisa que fiz foi reconstruir a minha casa de habitação- mantive a traça ori­ginal- e vim para aqui morar. Entretanto também comecei a colocar portões e placas a dizer que isto era propriedade priva­da”, conta Luís.

A Quinta do Caima abriu há 4 anos ao público. Começou a funcionar com piscina (capa­cidade para 40 pessoas) e bar (capacidade para 70 pessoas). Entretanto foi criado um par­que radical para aqueles que são mais aventureiros. De for­ma semelhante, foram cons­truídos bungalows para os que preferem relaxar. Luís Capela explica que se apercebeu que “havia uma zona de depósito de madeira da antiga fábrica… um espaço amplo e que tinha potencial. Comecei a colocar lá as casas de madeira e percebi que era interessante dinamizar a área para alojamento local”.

Mas se pensa que tudo isto fica por aqui engane-se! Está a ser desenvolvido um novo pro­jeto que entrou recentemente na Câmara: a construção de aldeamento turístico que terá 10 casas de madeira. Neste mo­mento existem 6 casas, que al­bergam no mínimo 30 pessoas.

A recuperação de moinho que existe no Carvalhal tam­bém é algo que se pretende para um futuro próximo. “É um moinho industrial de di­mensão considerável. Tem 7 mós, 20 metro de cumpri­mento por 10 de largura! Era um moinho que era alugado a pessoas para virem moer. Agora está esquecido”, lamen­ta Luís Capela.

Susana Capela que se juntou à conversa, explicou também que uma das pretensões seria “fazer uma sessão fotográfica com o antes e depois, ou seja, mostrar à comunidade como o espaço era antes e como está agora”. Revelou ainda que um dos objetivos futuros é a criação de um lar de idosos. “Aparecem aqui muita pes­soas que foram trabalhadoras na fábrica e gostamos de ou­vir toda as histórias que eles no contam. Este é um espaço de memórias e gostávamos de perpetuar isso através dos mais idosos”, declara Susana Capela.

VALORES

Piscina

– 7 euros os adultos

– Crianças até aos 4 anos não pagam

– A partir dos 4 até aos 10 anos pagam 5 euros

– Horários: todos os dias das 11:00h às 19:00h

Alojamento

“T1” com capacidade para 4 pessoas, 50€/ noite. (Apenas em Julho)

OFERTAS DISPONÍVEIS

– alojamento em bungalow

– piscina (reservar através de contacto telefónico ou pela página do facebook da Qinta do Caima)

– bar com refeições ligeiras (sandes e saladas)

– quinta pedagógica (mediante reserva)

– baptismo e/ou passeios a cavalo (mediante reserva)

– parque aventura ( mediante reserva)

– aluguer de espaço para festas de aniversário em espaço fechado ou ar livre

-organização de Campos de férias (mediante reservas)

– organização de passeios pelas margens do Caima (mediante reserva)

Reservas através dos seguintes contatos:

926 579 698 ou 916 819 599

A história da Quinta do Caima
De albergaria (1888-1993) a Constância (1960 até ao momento)

Aquilo que é hoje a Quinta do Caima, esconde uma longínqua história com mais de 130 anos. A Fábrica no concelho de Alberga­ria é a “fábrica-mãe”, local onde se pensou o que viria a ser a Fábrica de Constância. De forma mais ou menos resumida, contamos todo esse percurso!

A Quinta do Caima foi o local escolhido para instalar a primei­ra unidade fabril de celulose do Caima, a “The Caima Timber Estate & Wood Pulp Company, Limited”. Em 1888 uma família anglo-sueca Bergvist, residente no Porto, funda a empresa. No ano seguinte a empresa adquire a quinta do Carvalhal, que per­tencia ao director das Minas do Palhal, William Cruikshank. O objectivo inicial seria montar uma fábrica de fiação de tecidos e outra de moagem de madeira para o fa­brico de pasta de papel.

As instalações da fábrica de ce­lulose seriam abertas pelo enge­nheiro químico Erik Daniel Ber­gvist, edificando assim a primeira fábrica de produção de pasta quí­mica em Portugal. A “Fábrica do Caima”, como era popularmen­te conhecida, viria a tornar-se na mais importante produtora de pasta de papel do nosso país, sendo durante dezenas de anos a maior fonte de rendimento de centenas de famílias da Branca e Ribeira de Fráguas, quer como entidade empregadora, quer como compradora de matéria-prima.

No dia 19 de Abril de 1922 a empresa, sociedade por quotas, reduz o seu nome para “Caima Pulp Company, Limited”. Depois de implementarem a plantação de eucaliptos, iniciaram em 1925 a comercialização da pasta dessa matéria-prima, que, substituindo pouco a pouco o pinheiro, trans­formar-se-ia na fábrica de pasta de papel de eucalipto mais antiga da Europa. Em meados do séc. XX a multinacional anglo-americana Hibstock Jhonson Breaks com­pra cerca de 500 acções na bolsa de Londres, adquirindo assim a Caima Pulp Company, Limited. Na década de 1960 construiu-se a segunda fábrica, em Constân­cia, tornando-se pioneira, a nível mundial, no processo de bran­queamento de pasta de papel sem cloro.

Por escritura lavrada a 29 de Ju­nho de 1973, a empresa adapta a sua designação para Companhia de Celulose do Caima, S.A.R.L. e, em 1981, abre o respectivo capital à subscrição pública.

No dia 9 de Julho de 1993 a fá­brica do Carvalhal, ainda perten­cente à multinacional Hibstock Jhonson, deixa de laborar. A crise internacional (descida do preço da pasta celulósica e diminuição drástica do preço da madeira), a poluição do rio Caima, o atraso na instalação de equipamentos de depuração dos efluentes e a admi­nistração do uso de transportes, foram algumas das razões apon­tadas para o seu desmantelamen­to. Toda a actividade da empresa ficaria concentrada na fábrica de Constância Sul.

Em 1994, as antigas instalações do Carvalhal são adquiridas pela papeleira REFICEL – Sociedade e Recuperação de Fibras Celuló­sicas. No entanto, o arranque da atividade industrial só acontece­ria 5 anos mais tarde.

Em 1998 o Grupo Cofina ad­quire uma participação minori­tária no capital da Companhia de Celulose do Caima, S.A.. Em De­zembro de 2000, na sequência de uma oferta pública de aquisição (OPA) a Cofina passa a deter uma posição de controlo da empresa, garantindo a grande maioria do capital social.

Em 1999, a REFICEL receberia finalmente o financiamento para o projecto industrial associado à compra da fábrica do Carvalhal, no entanto, a sociedade acabaria por falir pouco tempo depois . Após falência , em 2001, as insta­lações da Fábrica do Carva­lhal pas­sam para os respec­tivos ban­cos credores.

No início de 2002 dá-se um pro­cesso de reestruturação do Grupo Caima, nesta altura composto por três fábricas de pasta de papel e uma fábrica de papel. A “Compa­nhia de Celulose do Caima, S.A.” é convertida em sociedade gestora de participações sociais (“Celulo­se do Caima, S.G.P.S., S.A.”) e é constituída a “Caima – Industria de Celulose, S.A.”, para a qual fo­ram transferidos todos os activos e passivos afectos à actividade operacional de fabrico e comer­cialização de pasta de papel.

Em 2005 dá-se um projecto de separação de negócios do gru­po COFINA, criando a ALTRI, S.G.P.S., S.A. para integrar os ac­tivos industriais, nomeadamente a Caima, na produção de pasta de papel e exploração florestal de produção de energia a partir de recursos renováveis. Em 2008, a ALTRI já detinha a totalidade do capital social da Celulose do Cai­ma.

A Altri é um produtor europeu de referência no sector de pasta de papel. Atualmente a Altri tem três fábricas de pasta de eucalip­to branqueado – a Caima, a Celbi e a Celtejo – com uma capacidade anual nominal superior a 1 milhão de toneladas. A gestão florestal de­sempenha um papel central na ati­vidade da Altri. Em Portugal, gere cerca de 84 mil hectares de floresta certificada, o que que garante uma autossuficiência florestal da or­dem dos 25%. Fonte: PRAVE

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